Desde que assumiu o São Paulo Rogério Ceni, tem se mostrado confuso nas estratégias, montagem do time e reorganização tática dentro dos jogos quando precisa mudar a dinâmica. Vou começar a análise pela entrevista coletiva dada posterior ao jogo contra o Fortaleza. Para o técnico, existia uma necessidade na lateral direita que precisava ser corrigida. O problema era a falta de velocidade de Igor Vinícius. O segundo apontamento do comandante tricolor está direcionado a falta de jogadores de lado, o que obriga o time a jogar muito pelo meio. As duas avaliações estão corretas, mas as soluções encontradas estão longe de serem produtivas.

Primeiro é preciso explanar, os quesitos táticos que levaram as duas condições de invalidação do projeto tático para o jogo contra o Fortaleza. A ala direita foi o ponto crucial de ataque do Fortaleza, que anulou Reinaldo pela esquerda com o brilhante Éderson e concentrou seus esforços encima de dois jogadores que estão sem ritmo de jogo e não poderiam jogar juntos: Igor Vinicius e Bruno Alves. Igor teve alguns bons momentos no São Paulo, mas nunca conseguiu se firmar. Tem como ponto forte o apoio ao ataque, mas isso não significa que é eficiente. Muitas vezes toma decisões erradas, deixando o time frágil na defesa e que quando tem um zagueiro rápido, ainda consegue cobrir, mas com Bruno Alves, passa a ser um ponto fraco a ser explorado e foi. O gol do Fortaleza saiu depois que Igor já não estava mais em campo, mas toda a jogada foi por ali, justamente diante de seu substituto e do zagueiro Bruno, que não joga bem há tempos. O cruzamento pegou Volpi e Léo desarrumados e o pior aconteceu.

Neste caso, o erro primário foi a escalação e o que agravou a situação foi a tentativa de corrigir o que Rogério só enxergou durante o jogo. Para que serve uma semana de treino? Bem, vamos então para o que deveria consertar tudo, a substituição das peças. O técnico são paulino não abriu mão do jogo com 3 zagueiros, mesmo oferecendo risco. Assim, tirou Igor Vinicius e colocou Marquinhos. Esse é um erro duplo. Primeiro, por que o atacante é canhoto e nunca jogou na posição. Seria o momento ideal para fazer testes? E segundo porque escalar Marquinhos, mesmo com todas as outras opções, invalida o segundo ponto de reclamação de Ceni na coletiva: não ter jogadores de lado.

Ao escalar Marquinhos na ala direita, o técnico elevou o nível de fragilidade do lado direito da defesa tricolor e perdeu a única peça de ataque que poderia mudar o jeito de jogar da equipe. O empate com o Fortaleza foi sorte. O São Paulo jogou o tempo inteiro com a guarda baixa. Contra Flamengo e Palmeiras, essa postura traz sempre uma conta alta para pagar no fim.

O técnico Rogério comete seguidos erros de avaliação e por consequência, deixa não apenas o time, mas a instituição São Paulo em alerta. O primeiro deles foi na estreia diante do Ceará, quando escalou o atacante Pablo, jogando no colo do SPFC mais uma dívida, por um jogador que só foi utilizado na derrota para o Bragantino, em que a sua escalação mais uma vez comprometeu a equipe, e portanto nunca mais foi utilizado. Na derrota para o Bahia, trocou Reinaldo e Orejuela por Wellington e Shaylon, precisando vencer. De novo, como fez com Marquinhos, promoveu um teste em pleno jogo decisivo, sem necessidade, comprometendo o resultado.

O time do São Paulo já deu claras amostras de como funciona e de como falha. Crespo e Rogério, falharam por escolher a insistência nas situações de falhas. Sem Luan, o time perde a proteção do jogo com 3 zagueiros e não dá para jogar assim como Rogério quer. Principalmente contra Bahia e Fortaleza. Times com muito vigor físico e que brigam muito no meio campo. O técnico do São Paulo mais uma vez mostrou confusão ao dizer que buscou a escalação mais apropriada para enfrentar um meio campo de força. Substituindo Lizieiro por Rodrigo Nestor? Com isso Rogério fragilizou a primeira volância. Nestor não tem físico para disputar a bola e o jogo mostrou isso. Apesar da disposição, perdeu o corpo a corpo muitas vezes, inclusive deixando o campo amarelado. Outro ponto de fragilidade em jogar com os 3 zagueiros é que isso cobra rapidez da defesa e sem Arboleda o time não tem isso. Expondo um dos lados e deixando a sobra, Miranda, o tempo todo no mano a mano.

Existe um erro na montagem do elenco e é preciso cobrar a diretoria de futebol por isso. Belmonte e Muricy pecaram em trazer Orejuela, William, Éder, Bruno Rodrigues e em manter jogadores que não tem a confiança da torcida e já demonstraram que não conseguirão dar a volta por cima como Pablo e Vítor Bueno. Usando uma frase do próprio Muricy, “o time não pode errar tanto em trazer jogadores”. O clube não pode simplesmente se desfazer de seus ativos, mas é preciso encontrar uma forma de revolucionar o elenco para 2022 e rezar para não cair em 2021.

Rodrigo C. Vargas (Insta @rodrigovargasss) é jornalista e são paulino assim como todos na família, desde o avô.