Amigos tricolores,

Finalmente temos no banco um técnico. Fazia tempo que não podíamos nos valorizar disso, acho que desde a última passagem de Muricy, em 2015 pelo nosso time, e foi uma passagem conturbada não pelo Muricy, mas por tudo o que havíamos passado em 2013 com uma quase queda, mesmo estando nas mãos de Paulo Autuori, um técnico que é campeão mundial com o nosso São Paulo. O time, diretoria, comissão, tudo contribuiu, e muito, para o São Paulo estar naquela situação, mas ainda bem, hoje é diferente!

Quando Crespo chegou, eu fui cético. Não vou ser hipócrita aqui e dizer que eu apoiei desde o começo, pois estaria mentindo. Não era o meu preferido, entre todos os que foram cogitados. Eu tinha medo de Crespo ser um novo Diniz, muitas ideias, apenas um título – Diniz nem isso tem – com uma ideia de jogo que ia demorar a engrenar e teríamos um ano de 2020 muito ruim, como foi em 2020, 19, 18, 17… mas ele me surpreendeu, a começar da forma que chegou, não veio no dia seguinte a demissão de Diniz e nem porque é amigo de presidente ou diretor, veio como tem que vir, em uma situação como se traz um diretor executivo de uma grande empresa, é assim que tem que ser, profissionalismo.

Entrevistas e pesquisas antes de trazer

Na Europa é muito comum um técnico ser anunciado com meses de antecedência. O técnico do Bayern de Munique, uma jovem revelação alemã, vai assumir o time em Julho, mas em Maio ele já havia sido anunciado, até ai, tudo certo, porque é na Europa, aqui, com Crespo foi o mesmo, ele assumiu o time alguns dias depois do seu anuncio o que fez a falida imprensa esportiva surtar, porque eles pedem que a gente tenha padrão europeu, quando tem, eles não se conformam!

Alguns torcedores, que avaliam futebol pelas lentes desses jornalistas e estudando vida de jogador por Wikipedia, foi na onda, mas eu entendi o que foi feito e achei muito bom. Muricy, que passou um período no Barcelona a convite do Neymar, entendeu por 15 dias o que é feito por lá, sonhou em implementar isso no Brasil, Julio Casares abriu as portas para isso. Tá ai o resultado, 5 meses de trabalho, um título, 2 classificações para Libertadores e Copa do Brasil. Só precisa ajustar no Brasileiro, mas tenho certeza que isso será feito em breve.

O São Paulo, sob o comando de Julio Casares, montou um comitê para trazer o novo técnico. Foram entrevistados alguns, sondados outros. Alguns avançaram, outros não. As ideias de futebol de Crespo foram as que mais agradaram o que o São Paulo tem de futebol, isso comandado pela visão de Muricy Ramalho. Rui Costa e Belmonte, compuseram esse comitê e a decisão foi da maioria e não do Julio Casares dando a ordem. Todos juntos, entrevistaram todos, fizeram perguntas, quiseram entender o pensamento de futebol.

Como uma empresa contrata um diretor executivo?

Não é o CEO indicando uma pessoa. É feito um processo com o RH, depois entrevista com pessoas da área, com pessoas acima do cargo até chegar dois candidatos para que o CEO tome a decisão, embasado em tudo o que outras pessoas lhe passaram. No São Paulo foi a mesma coisa, o que foi certo.

Ao invés de demitir o técnico no domingo e outro começar na 3a, Crespo foi conhecer todo o ambiente do São Paulo, jogadores, viu um Raio X do time completo, passado por analistas, comissão fixa do tricolor e outros dados. Quando Crespo assumiu o time, ele sabia exatamente tudo o que precisava, não é aquela coisa do técnico chamar alguém do banco para saber qual o nome do centroavante. Do jeito certo, dá certo!

Temos técnico!

Por que estou falando isso? Contra o 4 de Julho, por mais que o adversário fosse frágil, o 9×1 passa pelo entendimento do Crespo em alguns momentos, entre eles, a grandeza do São Paulo. Colocar Rigoni na ala, em um primeiro momento, pareceu uma loucura, mas se mostrou ser uma variação tática que deixou o time mais ofensivo.

Tomar um gol aos 30 segundos, poderia comprometer o emocional do time. Começamos o jogo perdendo de 1X0, e em 30 segundos, estava 2X0 para o 4 de Julho. Na cabeça dos jogadores, passou o mesmo que na torcida: mais um vexame. Bragantino, Mirassol, Avai, Penapolense, Audax, Talleres, Lanús estavam na mente da torcida. Foram 27 vexames entre 2011 e 2021, era demais para a nossa cabeça, mas Crespo foi como técnico o que foi como jogador: frio!

Ele não se abalou com o gol, o time sentiu isso em campo. O técnico colocou o time ainda mais para frente. Rigoni estreou muito bem, Luciano, Eder e Pablo faziam o trio de ataque. No papel, era um time no 3-5-2, esquema de Crespo, em campo parecia mais um 3-2-5, com Rigoni, Luciano, Eder, Sara e Pablo na frente. Rodrigo Nestor chegando, com Reinaldo em suas frustradas tentativas. O São Paulo foi se encaixando, jogando como Crespo queria, resultado: 12 gols, sendo 3 anulados.

Mas e no Brasileiro

Perceba que ele está sem pilares importantes como Daniel Alves, Arboleda, Luan, Benítez; Luciano e Éder oscilando devido a problemas. Nestor muito novo para colocar tanta responsabilidade, Lizieiro foi mal contra o Galo, talvez cansado da Seleção e ainda perdemos Miranda por alguns dias. E não se vê Crespo chorando na mídia ou colocando a culpa em A ou B, ele sabe que técnico faz de um limão uma limonada, e é o que ele tem capacidade para fazer.

A cena de Crespo beijando uma taça será vista, se Deus quiser, outras vezes esse ano. Vamos confiar, apoiar e torcer, pois agora temos técnico!