O São Paulo comandado por Fernando Diniz atingiu a liderança do Campeonato Brasileiro com uma forma de jogar, com base na posse de bola, e conseguiu abrir sete pontos de vantagem atuando desta maneira, mas passou a encontrar dificuldades para seguir na dianteira, viu sua distância cair para apenas um ponto em relação ao vice-líder Internacional, além de ter permitido a aproximação de Atlético-MG, Flamengo, Palmeiras e Grêmio, podendo deixar a primeira posição já amanhã, no caso de derrota para o time colorado.

Arnaldo Ribeiro faz uma relação entre o trabalho de Fernando Diniz no São Paulo e o de Abel Braga no Inter, considerando que falta ao treinador são-paulino fazer com que o time consiga jogar de diferentes maneiras, além de uma mobilização para manter a liderança mesmo que para isso tenha que abrir mão da forma de jogar com a qual a equipe se acostumou.

“No São Paulo é uma questão de ter um treinador que só joga de uma forma, que não é capaz de administrar uma vantagem, de buscar um resultado, de não perder uma partida importante, de se adaptar ao adversário. Isso para quem tinha uma vantagem tão grande na tabela talvez fosse suficiente”, diz Arnaldo.

“O fato é que o Fernando Diniz não soube administrar a vantagem grande que tinha na tabela, não conseguiu mobilizar o seu time, adaptar o seu time a algumas situações, acho que até o jogo com o Athletico-PR difere do Bragantino e do Santos e acho que o empate, embora não fosse um resultado que colocasse o São Paulo de novo como favorito na briga, não é desprezível. Agora, ele não foi lá buscar o empate e no final ele quase rifou o empate, colocando pilhas de atacantes, porque o Fernando Diniz, nos pequenos detalhes, vem demonstrando o desespero da fila, mas é o desespero da fila pessoal”, completa.

Para o jornalista, após a perda da gordura que o São Paulo tinha na liderança do Brasileirão e tendo um confronto direto com o Inter no Morumbi pela frente, Diniz tem a necessidade de fazer com que seu time possa competir e, mais do que fatores como posse de bola e troca de passes, o torcedor são-paulino está mais preocupado com o risco de o time não ser campeão, aumentando o jejum que ocorre desde o título da Copa Sul-Americana, em 2012.

“Cada clube tem que entender o seu momento, o momento do São Paulo é de uma fila de Campeonatos Brasileiros, o momento do São Paulo é de uma fila de dez anos sem conquistar nada. O torcedor do São Paulo não quer saber de 70% de posse de bola, 75%, 80%, de 150 passes completos ou incompletos, ele quer saber de troféu, isso está claro. A desconexão de quem trabalha no São Paulo no dia a dia e do torcedor é imensa, alguns jogadores têm um pouco dessa noção, o técnico não tem, está tendo dificuldade de lidar com isso, e o principal jogador não tem, o Daniel Alves não tem, ele que ganhou tanto. Para ele, é mais um campeonato, para o torcedor do São Paulo é a vida nos últimos dez anos e os caras não entenderam essa questão”, diz Arnaldo.

“Agora tem mais uma chance, em um confronto direto, talvez a devoção, a aplicação, o suor, porque esse campeonato da reta final é o campeonato do desarme, não é campeonato de posse de bola. Quem desarma, ganha jogo, é isso o que a gente está vendo nas últimas semanas todas. Quem desarma mais, ganha jogo, é isso o que está acontecendo, o Abel e o Internacional entenderam”, conclui.

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