No embalo dos jogos atrasados, o São Paulo foi comendo pelas beiradas e beliscou a liderança do Brasileirão na última quinta-feira e manteve neste domingo. É uma trajetória incrível, completamente atípica em um ano completamente atípico.

Ninguém – ou quase – quando a temporada começou, apontava o Tricolor paulista entre os grandes favoritos para a conquista do título nacional. Antes dele, no ranking dos mais cotados, apareciam o Flamengo, o Palmeiras, o Grêmio, pelo menos esses três. Sem falar em Inter e Atlético-MG que trafegavam ali, talvez em uma faixa ainda acima dos são-paulinos.

Eis que surgiu a pandemia.

Os meses de paralisação da bola resultaram em um calendário ainda mais absurdo do que é o usual no futebol tupiniquim: uma sequência cruel de partidas – às vezes quatro em 10 dias para um mesmo time -, Brasileirão, Copa do Brasil e as competições continentais, a Libertadores e a Sul-Americana, disputadas simultaneamente. Duro de aguentar.

Foi quando o São Paulo, que não tem nada com tudo isso, começou a crescer. E na hora certa, quando tinha três jogos em atraso em relação a quem estava na frente. Neste cenário tornou-se impossível prever alguma coisa. Menos ainda com os sucessivos surtos de Covid-19 que vão desfalcando os times um após o outro.

Isso quer dizer que o São Paulo tornou-se o maior favorito ao título? É claro que não. Mas uma conjugação de fatores pesa em favor da boa fase tricolor: a aposta certeira na garotada da base; o reencontro de Daniel Alves com o bom futebol, reforçando seu papel de líder dentro e fora do campo; e um Fernando Diniz que mesmo sem abrir mão de suas convicções mostra-se mais maleável e capaz de adaptar-se às circunstâncias de cada jogo.

O Brasileirão, desequilibrado pela pandemia, continua a ser o mais equilibrado dos últimos anos. O Flamengo, ainda que sem se encontrar com Ceni e depois das surpreendentes eliminações na Copa do Brasil e na Libertadores, pode crescer tendo apenas uma competição pela frente. O Palmeiras do português Abel Ferreira está em clara ascensão, assim como o Grêmio que mais uma vez revela-se um time de chegada e o Galo que mantém a aposta na magia de Sampaoli e na força de seu elenco. Só o Inter, no pelotão da frente parece perder fôlego.

A hora da verdade chegará na medida em que todo mundo for ficando na mesma página, em momentos iguais e com o mesmo número de jogos. Antes disso, ainda há muita água a passar por baixo da ponte. Mas o certo é que, desacreditado por quase todos, o São Paulo que se vê agora tem chances reais de quebrar o longo jejum de troféus que há muito pesa o ambiente pelos lados do Morumbi.

Lance!