Nesta última semana, a campanha do candidato à presidência do São Paulo F.C., Julio Casares, publicou um vídeo demonstrando o seu interesse em inserir o São Paulo oficialmente nos esportes eletrônicos.

A notícia que poderia ser comemorada, no entanto levantou sérias preocupações de quem entende sobre o segmento aqui no Brasil e explicarei o por que nos próximos parágrafos. 


E-sports no Brasil

Pra quem não sabe, o Brasil, hoje, é responsável pela terceira maior população de espectadores de E-sports no mundo, com mais de 21 milhões de fãs que assistem torneios de jogos como League of Legends, Counter-Strike, Free Fire e Fortnite dentre muitos outros.

As finais de torneios de Free Fire chegaram a atingir 2 milhões de pessoas vendo a partida ao-vivo pela internet, mais do que algumas partidas da Champions League, e até de clubes brasileiros. É claro que nem todos os jogos e partidas tem audiências monumentais, mas o rápido crescimento deste entretenimento tem gerado cadas vez mais interesse de clubes de futebol que podem ganhar novos torcedores e patrocinadores.

Futebol e E-sports

Clubes como Flamengo e Corinthians conseguiram desenvolver projetos de sucesso, em pouco tempo, com League of Legends e Free Fire, respectivamente. Através destes projetos, os dois clubes conseguiram mostrar as suas cores, camisas e distintivos para mais jovens e também chegaram a disputar torneios internacionais nos últimos anos.

Outros clubes internacionais como Bayern, PSG, Roma e aqui no Brasil como Cruzeiro, Vasco, Sport, Botafogo e Santos também iniciaram projetos recentemente, buscando os benefícios já citados.O São Paulo, símbolo de profissionalismo e inovação no esporte há muito anos, hoje está correndo atrás e por isso a iniciativa é bem vinda, mas não a qualquer custo. 


O problema

Logo que foi feito o anúncio da chapa “Juntos pelo SPFC”, de Casares, o jornalista Chandy Teixeira, jornalista de eSports do Grupo Globo, notou um terrível erro nos planos da chapa: o parceiro de Julio Casares para entrarmos no segmento é uma pessoa sem o respaldo da comunidade (clubes, profissionais, produtoras e desenvolvedoras) de esportes eletrônicos, envolvido em polêmicas e com seguidas tentativas frustradas de regulamentar desnecessariamente o esporte eletrônico no Brasil.  

Eu, como são-paulino e apaixonado também por e-Sports, fiquei extremamente indignado com a possibilidade do meu time estar se associando com alguém com esse currículo. Eu já o conhecia de outros projetos que inspiravam muita desconfiança e espero que quem quer que seja o próximo presidente do São Paulo (já vai tarde Leco!), possa olhar com carinho para os jogos eletrônicos. Profissionais competentes não faltam. Existem diversas equipes consolidadas no cenário atual e os trabalhos da Outflied, responsável pelo projeto do Flamengo eSports e IGC, para o Corinthians, também servem de exemplo do que deve ser feito.

Obrigado Zanquetta pelo espaço e por se dispor a ouvir ideias em buscar melhores soluções para o nosso tricolor!

Guilherme Machado
https://twitter.com/guilhermegob

ATUALIZAÇÃO DO BLOG:

Ao ser informado dos fatos, Julio Casares fará uma avaliação criteriosa de novos players visando o futuro do esports que seguirá no São Paulo.

Nós mesmos recebemos muitas indicações e assim o São Paulo seguirá para 2021 para um passo importante num projeto que o Presidente quer muito fazer dar certo e do jeito certo.

Vamos em frente que o São Paulo só merece o melhor e 2021 será assim.

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