Na noite do dia 29/07, após a partida contra o Mirassol, o São Paulo Futebol Clube, nos moldes que a maioria conhecia, acabou. O leitor que se lembra do grandioso tricolor de Telê Santana ou do glorioso time de Muricy Ramalho, terá que guardar essas memórias com carinho, pois essa equipe, que intimidava os adversários e impunha respeito contra qualquer rival não existe mais.

O que se viu na partida contra o Mirassol foi um dos maiores vexames da história da equipe do Morumbi, senão o maior vexame. O time interior de São Paulo perdeu 18 jogadores durante a parada do campeonato, sendo 8 deles titulares. O atacante Zé Roberto, do Mirassol, chegou num dia, treinou no outro, entrou em campo no dia subsequente e conseguiu marcar dois gols. Apesar de todas as bizarrices dessa partida, quero me ater ao espírito de fracasso que está impregnado no São Paulo nesses últimos anos e não especificamente nessa partida.

Dentre os times gigantes do Brasil, nenhum tem uma imagem de fracasso tão evidente como o São Paulo. Nos últimos anos, a equipe do Morumbi faz questão de entregar um vexame, anualmente, para sua torcida. Em 2020, foi o Mirassol; em 2019, o Talleres; em 2018, o Colón; em 2017, o Defensa y Justicia; em 2016, o Juventude e assim se segue. São 24 eliminações desde o último título, em 2012, e o que me chama a atenção é que o time, em todas essas eliminações, apesar de escalações diferentes, é apático e sem vontade dentro de campo. Quando se olha a feição dos jogadores no início da partida, se vê a feição de alguém que não está motivado para vencer e que de certa forma já entra em campo conformado com a derrota.

Quando se compara o elenco que entrou em campo, na partida contra o Defensa y Justicia, em 2017, e a equipe que enfrentou o Mirassol, não há nenhum jogador remanescente e o treinador também é outro, evidenciando o fato de que não é meramente uma questão de elenco ou treinador, o fracasso está presente em todos os setores do clube, independente de quem ocupe os lugares. É evidente que Fernando Diniz e o elenco atual tem uma grande parcela de culpa nessa última eliminação, entretanto, fica claro, que a diretoria atual, comandada pelo Leco, mas que pertence há um grupo político está no poder há mais de uma década, transmite esse ar de fracasso para todo o elenco e que há tanto tempo coleciona vexames. Não haverá mudanças significativas dentro de campo enquanto não houveram mudanças do lado de fora. A derrota no São Paulo Futebol Clube é patológica.

Aquele São Paulo tricampeão mundial, nunca rebaixado e pioneiro no que havia de melhor no futebol mundial, acabou. O São Paulo está num sono extremamente profundo e é prudente que não acorde quando for tarde demais.

Léo Faria

Leonardo é formado em Gestão pública pela Uninove e atualmente cursa Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Sigam-me no instagram: @leofaria12