A FIFA vai distribuir às suas 211 federações filiadas uma espécie de manual com o propósito de ajudar a planificação para retomada do futebol, com cuidados e orientações para treinos individuais e em grupo. Detalhe importante, esse manual foi desenvolvido com a colaboração da Organização Mundial da Saúde (OMS), Associação dos Clubes Europeus (ECA), Fórum Mundial das Ligas de Futebol, European Leagues.e o sindicato dos atletas profissionais (FIFpro).

A ideia é ajudar as entidades filiadas a prepararem o retorno, mas a entidade maior do futebol lembra que federações e ligas devem sempre “dialogar” com as autoridades sanitárias competentes e realizar uma “exaustiva avaliação de riscos” que determine “se é seguro retomar a atividade”. “As recomendações do grupo de trabalho vão ser implementadas junto com as diretrizes nacionais e internacionais em matérias de saúde pública e concentrações”, explica o organismo dirigido por Gianni Infantino.

O objetivo da colaboração “não é outro” além do de “proteger” a saúde de todos os “atores” do futebol, avaliar os riscos e considerar os fatores necessários para que o futebol profissional e amador possam voltar aos campos de forma “segura”. É preciso destacar dois elementos importantes nesse procedimento da FIFA. Primeiro, a participação dos atletas. É sempre importante que os protagonistas do jogo tenham espaço na mesa de discussões sobre o esporte. Mas isso se torna indispensável quando se trata da saúde deles. No Brasil, os atletas ainda estão ausentes dessas conversas importantes.

Outro elemento importante, e que tem sido destacado pela FIFA: a prioridade é a saúde de todos. E nesse momento, o Estado se torna protagonista. Coma se tem algo maior a proteger, a vida das pessoas, é natural que esporte e governos dialoguem, ouvindo autoridades especializadas em saúde pública, para decidir sobre a volta do esporte. Como bem diz o professor Wladimyr Camargos, colunista do Lei em Campo e pesquisador dessa relação entre Estado e esporte, “o respeito aos Direitos Humanos é elemento interno, não externo, da autonomia esportiva. É autolimite próprio da Lex Sportiva”.

Mas como muitos dirigentes ainda não entenderam a necessidade de se proteger direitos maiores, acredito ser mais do que necessária a participação do Estado nessa hora. Mas a FIFA tem mostrado o contrário, dando a real importância a proteção dos direitos humanos nesse momento de crise. E esse é um passo importantíssimo para proteger a necessária autonomia esportiva.

Andrei Kampff – UOL