Amigos tricolores,

Na semana passada, postei um artigo obre o Danilo, ex-meia do São Paulo, que voltou a pauta depois de uma declaração dele frente ao Liverpool e Chelsea. Um artigo tem como objetivo ser um texto que expõe a opinião daquele que escreve, e nem sempre, essa é a opinião do veículo que o publica. Foi muito interessante, os pontos de vista da esmagadora maioria das pessoas que comentaram o post.

Um dos pontos que quero jogar aqui para debate, e espero que esse seja um debate em alto nível, é sobre quem é, na visão de vocês ídolo. Digo em alto nível, pois foram ótimas, 99% das interações, mas há sempre àqueles que, se a sua opinião é igual a deles, ok, se for diferente, a ofensa é a principal arma do debate…

Pontos a serem debatidos sobre Danilo:

  • Não é ídolo porque jogou no Corinthians
  • Foi um bom jogador, mas não ídolo
  • Mesmo com 4 importantes títulos, ele não é ídolo

Esses são os pontos mais importantes que resgatei nos mais de 200 comentários no post e passo aqui a minha visão, obviamente, querendo ouvir a sua, mas vamos parar de ser comentarista de título de artigo, ok?

Muita gente comentou pontos como “Danilo não quis jogar no SP na volta do Japão” sem ao menor ler e ver que no artigo tinha a explicação: Gilmar Rinaldi, seu empresário, e Juvenal Juvêncio, presidente do São Paulo na época, optaram em contratar Washington e não Danilo.

Jogou em outro time não é ídolo

Eu discordo totalmente dessa afirmação. Aliás, é ela, que me fez escrever esse artigo. Vamos com calma. Quem é ídolo então? Vamos analisar os jogadores dos mundiais, apenas como um parâmetro para desconstruir essa narrativa: Zetti (veio do Palmeiras e jogou no Santos), Vitor (jogou no Corinthians), Ronaldão (jogou no Santos), Cafú (fez a palhaçada de ir para a Espanha e voltar para o Palmeiras em 6 meses. Ídolo pode trair?), Muller (jogou em tudo que é time, Santos, Corinthians, Palmeiras) e se o Muller não é ídolo do São Paulo, melhor, parar tudo e rever seus conceitos e a história desse genial atacante.

Já em 1993, o bi campeonato teve André Luiz, que depois jogou no Corinthians. Vale lembrar que Telê Santana treinou o Palmeiras, assim como Muricy Ramalho que treinou o Palmeiras e Santos, onde conquistou a Libertadores, título que ele tentou 4 vezes no comando do São Paulo e não conseguiu, por mais que tenha sido vice em 2006. Sou MUITO fã do Muricy e isso não é crítica, é fato!

Em 2005, tivemos Junior (jogou no Palmeiras), Amoroso e Danilo (Corinthians). Bem, seguindo a lógica de alguns, o São Paulo tem apenas um ídolo, Rogério Ceni, que nunca jogou em nenhum outro time, a não ser o São Paulo. Até porque ídolos do passado nem são lembrados.

Fica uma pergunta para vocês.

Se amanhã, a empresa concorrente da que você trabalha lhe oferecer um salário 70% maior do que o seu. Você fica por amor a empresa, ou comunica o RH da sua saída pelo WhatsApp?

Danilo, foi bom jogador, mas não é ídolo

Aqui é um ponto a se debater, por visões diferentes. Para mim, ídolo tem foto na parede do CT,. Danilo tem 4. Luis Fabiano não tem nenhuma. Gosto do Luis Fabiano, muito identificado com a torcida e poderia ter sido o maior artilheiro do tricolor. Danilo pode não ter a mesma identidade, até porque ele é mais quieto e na dele, Luis é mais falante e brincalhão. Luis demonstra mais amor ao São Paulo do que Danilo, que nunca desrespeitou o tricolor, algo que um ídolo dos anos 90, Palinha, já o fez várias vezes.

Mineiro não era um craque, mas está no coração do tricolor, Gérson, foi gênio, mas o canhotinha  de ouro pouco é lembrado quando se fala em ídolos. Mineiro tem a seu favor, ter feito um dos gols mais importantes da história do São Paulo, Gérson, um titulo que tirou o tricolor de uma fila de 13 anos, logo, talento também não é, para alguns, parâmetro para ser ídolo.

Danilo, ganhou 4 títulos, mas não é ídolo

Ai pergunto de novo: então quem é ídolo? Luis Fabiano e seu zero títulos? Lucas Moura e seu um título? Pato e seu zero títulos? Kaká e seu Rio-São Paulo? Kaká, genial jogador, identificado, torcedor confesso do time, melhor do mundo em 2007, fez história na Europa. É ídolo no São Paulo? Por que? Ama o time, sempre fala bem, voltou em 2014, ajudou demais o tricolor, se tudo der certo será em breve um diretor do tricolor, é inteligente, bem articulado. Mas ídolo?

O fato é que, para ser titulo é preciso preencher alguns requisitos básicos e título é o principal deles. Na década de 60, Roberto Dias carregou o São Paulo nas costas, ganhou 2 paulistas (1970 e 1971), mas pouco é lembrado. Muller, Rogério, Raí, Cerezo, Lugano são alguns dos que levantaram muitos títulos e tem uma forte ligação com a torcida, pelo carisma, raça e por ter, exceto Muller, jogado apenas no tricolor, dentro da cidade de São Paulo, mas não se cria um ídolo apenas com carisma ou raça.

Há outros ídolos que vestiram outros mantos, e daí? Jogador é profissional e amor a camisa morreu na década de 70!

E quem mais?

  • Careca, o maior camisa 9 que tivemos, jogou no Santos.
  • Serginho Chulapa, nosso maior artilheiro, jogou no Santos e Corinthians.
  • Pita, genial camisa 10 veio do Santos.
  • Zé Sérgio, ponta, jogou no Santos.
  • Denilson jogou no Palmeiras, porque lhe foi fechada as portas no São Paulo.
  • Márcio Santos e Ricardo Rocha, que eu vi jogar, foram os melhores zagueiros do São Paulo jogaram no Santos.
  • O grande Dario Pereyra jogou no Palmeiras.
  • Antonio Carlos, jogou no Palmeiras e Corinthians.
  • Waldir Peres foi goleiro do Corinthians.
  • Nelsinho jogou na lateral do Corinthians.
  • Mauro Ramos de Oliveira, jogou no Santos, onde Chicão e Toninho Guerreiro também jogaram.
  • Dino Sani jogou no Corinthians

Agora, se esses caras citados não foram ídolos do São Paulo, eu entendo porque tem gente que enaltece Reinaldo, pede a volta de Gilberto e morre de amores por Calleri, o argentino que “ama” o São Paulo, mas prefere jogar em time da 5a divisão da Espanha a voltar ao Morumbi… esse sim é ídolo!

Foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press – 24/09/2005

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