O São Paulo já começou a se planejar para submeter os jogadores a uma nova pré-temporada quando o retorno das atividades for autorizado, possivelmente com um período em Cotia, mas o cenário tem mais dúvidas do que certezas. Alexandre Pássaro, gerente de futebol do clube, diz que é avaliada a possibilidade de adquirir testes rápidos para COVID-19.

– A gente está entendendo os testes, vendo qual é o melhor para comprar, olhando algumas parcerias que estão surgindo também, pensando antes na qualidade e na credibilidade desses testes. A gente tem feito algumas coisas assim, em pequena escala, só para entender o processo, para estar mais habituado quando precisar fazer o processo grande – disse o dirigente, ao LANCE!.

Pássaro acredita que o retorno de algumas ligas pelo mundo permitirá que se tenha uma noção melhor dos protocolos a serem seguidos no Brasil quando chegar a hora. O que se sabe por enquanto é que a ideia de realizar o restante do Paulistão e da Libertadores e o Brasileirão com 38 datas é consensual, mas a quarentena obrigatória no Estado de São Paulo, por exemplo, só termina no fim do mês. Antes desta data, não há chance de os jogadores abandonarem a rotina atual, de treinos em casa.

– A gente tem discutido muito sobre a volta, embora não tenha uma data para voltar. Não só eu, Raí e presidente temos discutido isso, mas outras áreas do clube também, principalmente departamento médico. Os nossos médicos estão participando de todas as reuniões de Federação Paulista, de CBF, de comitês médicos por aí, falando com médicos de fora, para a gente entender qual teste é mais confiável, qual o melhor protocolo para um eventual retorno… Agora com essas ligas da Europa voltando a gente vai conseguir ter uma noção melhor – disse.

A questão financeira

O diretor financeiro do São Paulo, Elias Albarello, tem dito que o impacto no caixa do clube durante a paralisação das competições ficará próximo dos R$ 100 milhões. Não se sabe quanto disso será possível recuperar após a normalização do cenário, até porque a normalização de fato deve demorar muito.

– A gente não tem muitas certezas, mas tem algumas. Todas as ligas que a gente tem visto voltando, como Bundesliga, Liga Portuguesa e Liga Dinamarquesa, são com portões fechados. Essa é uma receita que a gente tem no nosso orçamento e vai ser perdida não se sabe por quanto tempo, se será por alguns meses, se será pelo ano todo… Isso a gente ainda não tem como aferir. O que a gente tem feito é traçar estratégias para atravessar esse momento. O que vai acontecer quando a gente tiver o cenário completo à nossa frente? Hoje eu vejo que os clubes alemães têm um cenário muito mais claro do que a gente, o que é natural, porque eles estão em um espaço um pouquinho mais para a frente. Acho que só quando a gente tiver a noção mais exata do que ficou para trás é que esse plano de passar por essa crise vai ser mais efetivo e mais palpável – disse Alexandre Pássaro.

Dentre as diversas medidas financeiras adotas pelo São Paulo para minimizar os impactos da pandemia, a principal foi congelar os direitos de imagem dos jogadores e pagar 50% do salário em carteira durante este período. A ideia, a princípio, desagradou a boa parte do elenco, mas o clube a executou mesmo assim.

– Desde o primeiro minuto que a gente conversou sobre isso o diálogo foi muito tranquilo e muito aberto com todos eles. Quando a gente conversou com eles, lá no fim de março, era um cenário ainda mais incerto do que hoje. Eles prefeririam esperar do que firmar um acordo naquele momento. A gente falou: “olha, o que o São Paulo deve fazer é pagar metade dos vencimentos nesse período e essa outra metade a gente discute quando voltar”. É isso que a gente está fazendo. Assim que a gente tiver uma sinalização de quando vai voltar, com certeza nós vamos conversar isso com eles. Lembrando que o acordo que vale para eles vale para mim, vale para o Raí, para o Lugano, para o Diniz. Estamos todos no mesmo barco. Tenho certeza que pelo perfil do nosso grupo, pelas lideranças, pelas pessoas que estão envolvidas, nós vamos achar uma solução ótima tanto para eles quanto para o São Paulo.

O clube prometeu aos seus jogadores que tentaria pagar todos os valores que ficarem pendentes, de forma parcelada, quando as receitas voltarem a entrar. Pássaro acredita que esta questão ainda pode ser discutida, a depender do tamanho do estrago.

– Esse acordo pode ser, sim, que ainda exista. Mas a gente vai ter que ver depois, o financeiro sentar com eles e mostrar tudo o que a gente perdeu e tudo o que a gente não vai recuperar, e aí quem sabe todos nós dividirmos um pouco desse prejuízo, que não é culpa de ninguém, é culpa de uma situação especial e imprevista.

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