Jogadores, diretoria e, por último, a torcida. Aos poucos, Fernando Diniz foi convencendo a todos de que seu trabalho no São Paulo está indo por um bom caminho. Essa percepção tem mais a ver com a conduta dele no dia a dia do que propriamente com a tática. Veja a seguir, em sete passos, como é o “dinizismo” que vinha dando certo no Morumbi até a pausa das competições.

1 – O FUTEBOL TEM DOIS PROTAGONISTAS – Para Diniz, os atores principais do futebol são jogador e torcedor: todo o resto é secundário. “A gente trabalha por eles e para eles”, diz. As missões são melhorar os jogadores e fazer o torcedor gostar do que vê em campo.

2 – VIVER BEM – Na cabeça do treinador, essa é uma premissa básica para desenvolver um bom trabalho. Vale para todas as áreas. Por isso, é comum vê-lo tendo longas conversas individuais com seus comandados, e dificilmente o tema é só futebol. “Eu quero saber como consigo ajudar essa pessoa a ter mais consistência para viver”.

3 – PRIMEIRO A PESSOA, DEPOIS O ATLETA – Está diretamente ligado ao item anterior. Um dos maiores elogios feitos pelos jogadores a Diniz diz respeito à preocupação dele com a vida fora do futebol. “O jogador é tratado como uma coisa, mas antes de ser jogador ele é uma pessoa, é filho de alguém, é pai de família. Cuidar disso não é desprezar o futebol, ao contrário”.

4 – PRIMEIRO AS RELAÇÕES, DEPOIS A TÁTICA – Em termos coletivos, Diniz também tem uma ordem de prioridades: antes de se preocupar em treinar a equipe taticamente, ele pensa em desenvolver laços entre os jogadores e entre elenco e comissão técnica. “As relações humanas que se estabelece em um time de futebol estão muito à frente da parte tática. Tem a ver com o poder de concentração que você estabelece com os jogadores, o desejo de ganhar, a coragem para jogar, a maneira de ser solidário dentro de campo. Se estiver fragilizado nisso, a parte tática sofre”.

5 – ACREDITAR NAS IDEIAS – O treinador diz que não se pauta pelos comentários da imprensa porque, geralmente, as análises são feitas em cima do resultado. “A verdade não vai balançando conforme o sabor dos resultados”, diz. “O que importa para mim é o que acontece internamente. O que a gente precisa no mundo é ter ideias, trabalhar e persistir nas ideias. Esse mundo superficial em que o que ganha é sempre bom e o que perde é sempre ruim não me interessa”.

6 – NÃO É MEU, É NOSSO – O técnico do São Paulo não é centralizador. Para ele, o trabalho em um clube é uma construção coletiva e todos têm de ser valorizados, o que inclui até os funcionários menos ligados à bola. “O segurança, o cozinheiro e o jardineiro são pessoas importantes. Na maior parte do tempo nós somos muito iguais, eu e essas pessoas mais simples, porque me sinto uma delas, e esses caras fazem diferença para o ambiente do jogador”.

7 – NÃO SER MODERNO – Muitos se referem a Diniz como um treinador moderno, mas o próprio descarta este adjetivo. “Essa pseudo-modernidade que está aí eu não acho um grande avanço para o futebol”. Ele gosta de treinos longos, muitas vezes em campo todo, justamente o oposto do que se chama de modernidade. E, como sabemos, não coloca a tática acima de tudo: “É linha de quatro, bloco baixo, bloco médio… As pessoas aprendem meia dúzia de termos e vamos perdendo o coração do futebol. As pessoas são o coração do futebol”.

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