Torcida do São Paulo ajuda corintiano a reencontrar família após 12 anos

Desde que foi criada em 2009, a sub-sede de Jaú (SP) da Dragões da Real, torcida organizada do São Paulo, vem fazendo ações sociais na cidade, mas a última rendeu uma história inesperada. Na semana passada, Everton Savero, o “Tom”, presidente da agremiação, e outros são-paulinos saíram de casa para entregar cachorros quentes a moradores de rua.

Ao chegarem ao terminal rodoviário, encontraram um senhor em situação de rua com a camiseta alvinegra do Corinthians. Entregaram a ele um sanduíche e partiram para fazer doações em outro local. Ao voltarem à rodoviária, encontraram o corintiano repartindo o único cachorro quente com outros moradores de rua que haviam aparecido depois. Comovidos com a demonstração de solidariedade, os torcedores entregaram lanches para todos e tiraram uma foto ao lado do corintiano. A imagem foi postada no perfil do Instagram da Dragões da Real e, então, a mágica aconteceu.

Entre todos os comentários elogiando o gesto, um deles chamou atenção. Era o açougueiro Israel Cavalcanti, de Campinas. “Já fiz parte da Independente e sigo todas as torcidas do São Paulo”, explicou o açougueiro. “Quando me deparei com a foto, pensei na hora: ‘É o Tiziu!’ É o padrasto da minha mulher que está desaparecido há 12 anos. Ninguém sabia onde ele estava, se estava vivo ou morto.”

Tiziu é o apelido de Oide Felisberto Fernandes, que afirma ter 47 anos. Israel enviou a foto para sua mulher e para a mãe dela, Márcia, para confirmar o reconhecimento. Todas elas viram naquele homem o ex-marido de Márcia, pai de três de suas filhas.

Tom, o dirigente da Dragões da Real, entrou em contato com Israel, descobriu detalhes da história de Tiziu e foi encontrá-lo para contar a novidade. Também tocou para ele um áudio enviado por Israel. “Ele ficou super feliz de saber que a família dele o encontrou.” Israel havia conhecido a família de Tiziu e Márcia quando todos moravam em uma ocupação e lutavam por moradia. O casal também viveu em situação de rua por muitos anos e, por circunstâncias da vida, afirma Márcia, acabou se separando. Ela não sabe dizer o que levou Tiziu a se afastar e ir viver em Jaú. Ele estava sumido desde 2008. “As filhas ficaram esperando o pai em vários Natais.”

Márcia se converteu ao cristianismo e saiu da rua. Hoje ela trabalha com reciclagem de materiais e vive de aluguel em Francisco Morato, na região metropolitana de São Paulo. “Uma das filhas é falecida, a Elsa. Ele tem a Oslainde e a Oslaine. E também um netinho que ele não conhece ainda”, afirmou Márcia em uma entrevista por telefone, com o neto Miguel no colo.

“Foi muito bom saber que ele está vivo. Se ele pretender voltar, eu e as filhas vamos dar uma força pra ele. Não somos ricos, pagamos aluguel, mas vamos dar uma ajuda pra ele não viver na rua. Ele vai morar dentro da nossa casa. Ainda mais nesse momento agora [da pandemia do novo coronavírus], não vamos deixa ele na rua. Se ele quiser vir, eu peço ajuda de vocês para mandar ele embora pra cá.”.

O presidente da Dragões da Real reencontrou Tiziu na tarde de ontem (7) e tocou um áudio da ex-mulher falando ao ex-marido. “Eu tô chorando de alegria”, disse o corintiano à reportagem. “Ainda mais agora que acabei de ouvir a moça que é a mãe das minhas filhas. Isso acelera o coração do velhinho. Ela nunca fechou as portas pra mim.” Tiziu agradeceu aos torcedores do São Paulo que o acolheram e promoveram sua reaproximação com a família. “Sou corintiano nato, isso não tem como mudar, mas encontrei esse pó de arroz que tá fazendo tudo isso pra mim agora”, afirmou. “Pó de arroz” é um dos apelidos que se costumava dar a torcedores do São Paulo.

A família agora faz os planos para o reencontro. Jaú fica 286 quilômetros distante de Francisco Morato. Márcia acredita que isso poderia acontecer no Dia das Mães, no próximo domingo (10). “Não temos uma condição financeira daquela maneira”, afirma Márcia, que teve uma queda na renda depois do começo da quarentena em São Paulo. “Estamos dependendo de ajuda do governo, mas pelo menos um teto ele pode ter. O lema é ‘Fique em Casa’, então, ele pode vir e ficar a vontade. Será bem-vindo. Onde come um comem dez.”.

UOL

10 comentários

  1. Emocionante essa história, heim. Naquele momento não eram sao paulinos ajudando corintiano, mas pessoas do bem ajudando e fazendo a alegria de uma outra pessoa. A camisa é só um detalhe nesse caso. Parabéns aos envolvidos.

    • Concordo com vc André, a rivalidade não deve ultrapassar as 4 linhas,ao contrário do que pregou por diversas vezes o cara de areia mijada,sempre diz que as peppas são rivais e nós inimigos.

O São Paulo precisa de nós! Vamos apoiar!