Globo propõe reduzir valor das cotas de TV do Brasileiro. Veja os números

A Globo avisou aos clubes, por meio de carta, que pretende diminuir drasticamente os valores mensais pagos em abril, maio e junho referentes a parte da cota de direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro. Uma reunião nesta segunda (27) à tarde entre presidentes dos times, por meio de vídeoconferência, vai debater o assunto mas, num primeiro momento, a proposta não agradou e assustou alguns cartolas.

A Globo paga mensalmente valores referentes à cota fixa que os clubes recebem pelos direitos de transmissão em TV aberta e fechada da Série A, uma bolada que no total gira em torno de R$ 440 milhões. Na carta a emissora informou que o motivo do corte é a pandemia do novo coronavírus.

O blog teve acesso aos valores que serão pagos de abril a dezembro para TV aberta, segundo documento enviado pela emissora, com diminuição substancial nos meses de abril, maio e junho. A proposta é que entre abril e junho os clubes recebam mensalmente R$ 396.768,75. A partir de julho, o valor sobe para R$ 1.124.178,13, o que totalizará ao final desses nove meses R$ 7.935.375,00. O pagamento é programado a ser feito no último dia do mês. A Globo deu prazo até 28 de abril, esta terça, para que os clubes respondam.

“Foi apresentada de fato uma proposta para reprogramar pagamentos diante das circunstâncias atuais, que envolvem paralisação do calendário nacional e consequentes desafios impostos por isso. Os clubes estão debatendo e avaliando, o que é natural”, disse ao blog Fernando Manuel Pinto, diretor de direitos esportivos da Globo.

A Globo pagou integralmente as cotas de janeiro, fevereiro e março, que passam dos R$ 2 milhões mensais porque o fluxo combinado inicialmente prevê maiores parcelas no primeiro semestre. Cada clube tem direito a R$ 22 milhões desse valor fixo dos direitos de transmissão em TV aberta e fechada, mas com o corte o valor final deve cair em 40%.

Na carta enviada aos clubes, a Globo diz que “ainda não é possível dimensionar a extensão dos danos já provocados ou calcular todas as consequências futuras da crise deflagrada pela pandemia. Diante desse cenário, o momento requer união e esforço de todos, para que, de forma colaborativa, possamos enfrentar os desafios que essa crise sem precedente coloca diante de nós”.

A emissora diz que é uma reprogramação nos pagamentos e que, por enquanto, os valores e pagamentos previstos para o Pay-Per-View continuam mantidos como previstos nos contratos. Para TV aberta e fechada, a Globo paga anualmente cerca de R$ 1,1 bilhão aos 20 clubes da Série A, dividido da seguinte maneira: 40% fixo, em cotas mensais (o valor que está diminuindo agora), 30% por número de jogos transmitidos e 30% por colocação final do campeonato. Estas duas últimas, portanto, dependem da realização da competição para serem pagas.

O Brasileiro teria início no próximo final de semana, mas a CBF não tem ideia de quando, e como, poderá reiniciar a competição. Os clubes pediram à entidade para tentar de todas as maneiras manter a fórmula de pontos corridos, com 380 jogos em 38 rodadas, mesmo que avance para 2021 justamente para evitar perda no que a Globo e a Turner (em TV fechada para alguns clubes) pagam pelos direitos de transmissão.

Dos 20 clubes da Série A, dois ainda não têm contrato com a Globo para TV aberta ou PPV em 2020, o Bragantino e o Coritiba, que conseguiram o acesso da Série B. O time paranaense tem acordo com a Turner para TV fechada. O Athletico só fechou com a Globo por TV aberta, não por PPV, enquanto Palmeiras, Santos, Inter, Ceará, Fortaleza, Bahia e Athletico têm contrato com a Turner para TV fechada, além do já citado Coritiba. O grupo norte-americano também quer mudanças nos termos com esses oito clubes.

Já houve uma paralisação pela Globo do pagamento das cotas finais dos Estaduais, torneios que foram adiados por causa da pandemia do novo coronavírus. No caso do Paulistão, 25% do total acabou não repassado.

Marcelo Rizzo – UOL

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