Aos 21 anos, Walce se preparava para viver um sonho em janeiro, quando foi cortado da Seleção Brasileira sub-23 ao romper o ligamento do joelho esquerdo durante um jogo-treino preparatório para a disputa do Torneio Pré-Olímpico. Titular absoluto do técnico André Jardine, a joia do São Paulo teve de abrir mão de um dos momentos mais esperados de sua carreira, e o jogador admite que não foi nada fácil superar a decepção.

“Ninguém espera o pior, se machucar às vésperas de um campeonato. A frustração foi grande, porque eu estava muito confiante no trabalho que estava sendo feito, na nossa preparação. Estava muito feliz, muito motivado, indo para os treinos sabendo que ia entrar em um Pré-Olímpico, em busca da realização de um sonho, focado no trabalho de formiguinha, que é o dia a dia. Infelizmente, isso aconteceu, não tem como a gente evitar, é do futebol, da vida”, contou Walce em entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva.

O que o zagueiro menos esperava aconteceu no dia 12 de janeiro. A Seleção Brasileira sub-23 disputava um jogo-treino contra o Boavista na Granja Comary, em Teresópolis. O técnico André Jardine, que já havia trabalhado com o Walce nas categorias de base do São Paulo, o tinha como titular no sistema defensivo, mas tudo mudou quando ele se lesionou sozinho, indo prontamente ao chão e sendo retirado do gramado de maca.

“Creio que certas coisas acontecem para que a gente tenha consciência de outras, para a gente amadurecer até fora do futebol. Essa lesão, não que ela veio no momento certo, mas é preferível o quanto antes isso acontecer do que acontecer mais para frente. Quando se é mais velho, é mais difícil de se recuperar. Estou tentando levar de uma forma positiva para voltar o melhor possível. Pensamentos negativos estão passando longe”, prosseguiu.

Com a ausência de Walce, André Jardine teve de recorrer a Ricardo Graça, zagueiro do Walce, antes de viajar à Colômbia para o Pré-Olímpico. Embora ele não tenha marcado presença na competição, seus companheiros fizeram questão de homenageá-lo, erguendo a camisa do defensor ao carimbarem a vaga nas Olimpíadas de Tóquio.

“Tinha certeza que a gente chegaria longe, que teríamos grandes chances de sermos campeões. O grupo estava muito forte, unido, pensando em um só propósito, que era colocar a Seleção nas Olimpíadas. Tivemos uma afinidade muito grande, isso fez com que na final eu fosse lembrado. Fiquei muito feliz, estava em casa quando vi todos me homenageando. Satisfeito em ver a humildade deles, reconhecendo que estava com eles e que, infelizmente, por uma lesão, não pude participar diretamente”, concluiu.

Gazeta Esportiva