Antony revela dicas de Lucas e de elenco do São Paulo sobre Europa; veja

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Enquanto o futebol não volta e o isolamento doméstico é cumprido devido à pandemia de coronavírus, os jogadores interagem com seus fãs por meio de lives no Instagram. Nesta quarta-feira foi a vez de Antony falar com os seus seguidores em entrevista conduzida por sua assessoria de imprensa. Entre outros assuntos, o atacante do São Paulo falou sobre como tem se preparado para se apresentar ao Ajax e revelou dicas de Lucas Moura e do elenco tricolor.

Antony está negociado com o time holandês desde o mês de fevereiro, mas só será integrado ao plantel no meio desta temporada. Nesse meio tempo, ele tem buscado o auxílio de jogadores experientes para chegar na Europa com sua adaptação facilitada. Uma dessas fontes de conselho é Lucas Moura, do Tottenham, que foi criado na base do São Paulo e teve trajetória semelhante.

– O Lucas é um irmão para mim, estou sempre falando com ele, ele está sempre mandando mensagem, eu também mando. É um cara em quem eu me espelho, pego como exemplo. Claro que quero fazer a mesma história que ele fez, sair com título. Ele sempre manda mensagem, fala para eu estudar inglês. Agora vamos estar perto, nos encontrar mais. É um irmão – declarou o jovem.

Mas não é só com Lucas que Antony se aconselha. O camisa 11 também busca informações e recebe dicas de jogadores experientes do elenco, como Hernanes, Alexandre Pato, Juanfran e Daniel Alves. Todos concordam em um ponto: o domínio do idioma. Para o atacante, seus companheiros têm sido importantes nesse processo de preparação para a ida para a Europa.

– Todos mandam eu estudar a língua, falam que no começo a adaptação é difícil. Daniel, Hernanes e Pato estão sempre conversando comigo. Estou sempre aprendendo com eles, com o Juanfran também, que sempre está me dando conselhos. Sou um menino que escuta muito, que tenta aprender no dia a dia. Eles falam da experiência, desejam boa sorte e falam que estão muito felizes por mim – contou a joia da base são-paulina.

Assim como todo o elenco do São Paulo, Antony está em isolamento doméstico cumprindo as orientações da comissão técnica e do departamento médico do clube, a fim de evitar a propagação do coronavírus. A partir desta quinta-feira os jogadores entram em período de férias por 20 dias. Ainda não há previsão da retomada das competições oficiais como Libertadores e Paulistão.

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3 comentários

  1. OMorumbi ainda não estava completo em março de 1969, faltando apenas um setor para ser concluído: em pouco menos de um ano, o anel fechado seria inaugurado. Mas mais de 54 mil pessoas estiveram naquele que já era o maior estádio da cidade para conferir o clássico entre São Paulo e Corinthians, pelo primeiro turno do Campeonato Paulista daquele ano.
    E esse nem era o maior público da ainda curta história do ainda inacabado estádio. Em agosto de 1964, por exemplo, cinquenta mil pessoas estiveram no local, que estava numa fase muito menos adiantada de construção, para um Corinthians × Santos. No início de 1968, foram mais de 66 mil para um amistoso do São Paulo contra o Benfica.
    Mas naquele domingo, exatamente 50 anos atrás, uma tragédia ocorreu no Morumbi. Ainda preciso pesquisar mais a fundo, mas, até onde sei, foi a única vez em que alguém morreu no Morumbi (sem ser por infarto ou algo similar) até 2017, quando um torcedor que tentava pular de um setor da arquibancada para outro caiu de uma altura de cerca de 25 metros.
    Antes dessa tragédia, houve o já citado Majestoso, vencido pelo Corinthians por 4 a 2: Paraná abriu o placar para o São Paulo, o rival virou o jogo e Válter Zum-Zum empatou ainda no primeiro tempo. No segundo, Paulo Borges desempatou e Benê, com um gol no último minuto, fechou o placar, quando o São Paulo ainda pressionava em busca do empate. O jornal O Estado de S. Paulo classificou como “o melhor jogo do campeonato”, embora deva ser destacado que ainda estávamos na quinta rodada.

    Quando a partida acabou, chovia muito no Morumbi. No alegre vestiário corintiano, um trovão lá fora, em vez de assustar, fez o conselheiro Chico Mendes comentar: “Até São Pedro está satisfeito com esta vitória.” Ele não tinha como saber, mas aquele trovão não trouxe felicidade, não. Minutos depois, começaram a bater na porta do vestiário, pedindo para que ele fosse desocupado imediatamente. O espaço seria necessário para atender os feridos.
    Feridos?!
    Sim. Aquele forte trovão veio de um raio que caíra nas proximidades e provocou pânico nos torcedores corintianos que estavam deixando o estádio. Na confusão — segundo o Estadão, alguém teria gritado “Vai cair!”—, uma multidão foi se espremendo contra o muro do acesso às arquibancadas. O muro, feito de blocos de tijolos, não aguentou a pressão e ruiu. Muitas pessoas, incluindo crianças, caíram no setor inferior.
    “Gente desesperada caiu da rampa de quase oito metros de altura”, descreveu o Diário da Noite. “Uns caindo por sobre os outros, ofereceram um espetáculo dantesco, que terminou com um balanço trágico, mas que poderia ser pior.” Mais de sessenta pessoas ficaram feridas, duas delas com fraturas no crânio — a polícia divulgou uma estimativa de trezentos feridos, incluindo quem se feriu muito levemente.
    (Na versão de um procurador da Prefeitura que estava no meio da confusão, publicada pelo Popular da Tarde, o raio não teria sido o problema, mas, sim, a superlotação do acesso, por causa de quem estava tentando fugir da chuva: “Já tinham sido observados muitos relâmpagos e ouvidos trovões que não provocaram qualquer agitação. Parece-me que agora querem dar à torcida parte da responsabilidade da tragédia e, assim, amenizar a falha que houve na construção do estádio.”)
    O corintiano João Raimundo Benedetti, de 53 anos, chefe de seção na Companhia Melhoramentos de São Paulo, não estava entre os que caíram. Ele saía do banheiro das numeradas quando um pedaço do muro caiu sobre ele. João morreu na hora. Ele tinha ido ao estádio com um primo que viera de Curitiba para assistir ao jogo. “Agora não sei como chegar em casa e dar essa triste notícia”, lamentou ao Popular da Tarde o primo. “Minha mulher não queria que eu saísse, e agora volto sozinho, sem o João.”

    Policiais, dirigentes, médicos dos clubes e todo tipo de voluntários, incluindo médicos que estavam na torcida, se mobilizaram para ajudar como podiam. Até jogadores, como os são-paulinos Jurandir e Edílson e os corintianos Clóvis, Diogo e Maciel, ajudaram a transportar feridos em macas improvisadas. O primeiro atendimento de muitos deles foi feito nos vestiários. No vestiário tricolor, os jogadores subiram rapidamente para a concentração, muito assustados. O técnico Diede Lameiro e o meia Nenê, este ainda uniformizado, saíram para procurar, respectivamente, o filho e a esposa. Já no vestiário corintiano, alguns jogadores foram embora de carona e deixando algumas roupas para trás.
    Até o ônibus do Corinthians foi usado para levar os feridos aos hospitais. O São Paulo não usava ônibus, pois a concentração era no próprio Morumbi, mas providenciou outros veículos para ajudar no socorro. Como os telefones do Morumbi não estavam funcionando, o delegado responsável pelo policiamento pediu para que as rádios solicitassem socorro em suas transmissões. Alguns hesitaram, com medo de aumentar o pânico, mas acabaram cedendo. Mesmo assim, as primeiras ambulâncias chegaram ao local apenas meia hora depois, quando muitos dos feridos já tinham sido transportados em outros meios, por causa do fluxo de veículos deixando o estádio.
    Na semana que se seguiu, o São Paulo providenciou obras para começar a substituir os blocos de cimento que compunham o muro por concreto, para não ter de mudar o local do jogo contra o Santos, já no domingo seguinte. O clube também emitiu uma nota oficial: “Lamentando o ocorrido na tarde de domingo último, a diretoria do São Paulo Futebol Clube, em sua reunião semanal, resolveu decretar luto por três dias, observando um minuto de silêncio na partida com a Portuguesa de Santos.” Na nota, a diretoria também garantiu que as obras de construção do Morumbi estavam sendo feitas por “firmas de grande gabarito dentro da engenharia nacional”.
    Um perito do IPT ouvido pelo Estadão analisou: “A murada oferecia resistência razoável, mas incapaz de conter o povo.” O delegado que atendeu a ocorrência minimizou o problema: “Não há motivo para interdição, porque a murada é um pormenor insignificante em uma zona que só é utilizada na saída dos jogos. Por ser insignificante, pode ser contornada com um aviso ao público para não se encostar à murada, contando com um policiamento junto ao local. O Morumbi poderá voltar a ser utilizado, se agirmos assim.” Já o Diário Popular falou sobre a declaração de um dirigente são-paulino: “Mário Naddeo informou que o estádio está apto a dar segurança ao público. O que aconteceu foi consequência de um fato imprevisto, e não descaso do São Paulo.”
    Cândido Garcia, jornalista do Diário Popular, escreveu uma vigorosa e até exagerada defesa do São Paulo: “Honesta e sinceramente, querer recriminar o São Paulo ou querer descobrir alguma falha na maravilhosa obra seria até um argumento criminoso, vulgar e idiota.” Depois de citar tragédias anteriores em outros estádios da América do Sul, incluindo o incêndio em Bauru em 1958, ele prosseguiu: “Os torcedores procuraram se abrigar na mureta, forçaram-na e houve o desabamento inevitável, fato que poderia ter acontecido no melhor e mais bem construído estádio do mundo! Não que pretendamos defender o São Paulo. O que desejamos, isto sim, é rechaçar acusações cretinas, que foram feitas por pessoas menos tranquilas.”
    Garcia, porém, aproveitou seu espaço também para narrar as terríveis cenas a que assistiu naquele dia: “Claro que sentimos a tragédia de perto. Estávamos lá vendo os corpos feridos dando entrada nos vestiários. Vimos um torcedor corintiano, já sem vida, no vestiário dos árbitros. Tivemos cenas horríveis gravadas em nossa mente, ao perceber que caminhões da Guarda Civil saíam com corpos ensanguentados para o Hospital das Clínicas. Vimos muita coisa desagradável. Sentimos tanto quanto os demais.”
    Assim como o São Paulo, a Federação Paulista também instituiu luto oficial por três dias e, assim como os dois clubes envolvidos, mandou representantes ao funeral de João, no Cemitério da Lapa, que também foi acompanhado pela família e por cerca de trezentos torcedores. Além disso, a entidade determinou o respeito a um minuto de silêncio antes dos jogos da rodada do meio de semana.
    O Morumbi não foi, mesmo, interditado, o que gerou uma crítica do Estadão: “Por tudo isso é que nos parece que a Federação se apressou ao autorizar a efetivação de novo jogo, ignorando as conclusões dos peritos. Sem que elas fossem divulgadas, teria sido prudente adiar o encontro, já que tantos outros têm sido adiados.” Assim, no domingo seguinte, 31.622 pessoas foram ao Morumbi assistir ao jogo entre São Paulo e Santos. Eram cerca de 23 mil pessoas a menos que sete dias antes. Segundo o Diário Popular, “o público [sentiu] os efeitos da tragédia do domingo [anterior]”. Não foram registrados problemas.

  2. Este texto eu vi em um site do São Paulo. Aqueles anos não era fácil na cidade de São Paulo 69-72-74. Espera-se que a segurança esteja sempre em primeiro lugar.

  3. Espero que Antony sempre tenha sucesso como jogador. Tem potencial de jogar bem na Europa e assim voltar ao São Paulo e ganhar titulos.

O São Paulo precisa de nós! Vamos apoiar!