Em alta com a torcida e a diretoria do São Paulo, Fernando Diniz deu uma longa entrevista ao podcast oficial do clube, criado para gerar conteúdo durante a pausa do futebol devido à pandemia do novo coronavírus. Na conversa com a jornalista Gabriela Montesano, ele citou a coragem como pilar de seu trabalho e elegeu os melhores jogos da equipe sob seu comando: são quatro. Há um quinto jogo, porém, que ele considera ter conectado atletas e torcedores.

“Não acho que exista um grande divisor de águas, mas teve um momento em especial: o jogo do Novorizontino (empate por 1 a 1 no Morumbi, pela quarta rodada do Campeonato Paulista). É muito difícil o torcedor do São Paulo aplaudir um time que empatou com uma equipe considerada pequena dentro de casa. Naquele jogo, em que o juiz errou muitas vezes, o torcedor viu o empenho dos jogadores e estava gostando daquilo que a equipe estava produzindo. Não estava gostando, obviamente, do resultado final, mas estava havendo uma sintonia. ‘Eu gosto disso, tenho orgulho do que o time está jogando’. Acho que foi um momento que passou confiança para o torcedor, de que aquele era um caminho muito positivo. O torcedor passou a achar que aquilo tinha que dar certo”, disse.

Diniz chegou ao São Paulo em setembro do ano passado, depois que Cuca pediu demissão, e estreou logo contra o líder e futuro campeão do Brasileirão, o Flamengo, no Maracanã. Ele diz que, já a partir dali, começou a trabalhar a equipe para ter coragem dentro de campo.

“O medo é um dos gigantes da alma e aprisiona muito as pessoas. Com medo, quando você se depara com situações que quer fazer e tem capacidade de fazer, você não tem a coragem de fazer, sua confiança diminui, você se intimida com a possibilidade do erro. Não existe crença sem coragem. Quando você não tem coragem, você não tem confiança também. A confiança, a crença e a coragem têm que caminhar juntas. A coragem é isso: você não tem certeza se as coisas vão dar certo, mas você acredita. Para todos os saltos de qualidade da história da humanidade foi necessário ter coragem. A gente tem que ousar, tentar, ir atrás dos nossos desejos. Para fazer isso, a coragem vai ter que estar presente”.

“O jogo do Flamengo foi muito impactante. Ali mostrou a força do caráter, o quanto eles são capazes de fazer coisas grandes, ficou muito claro. O eixo central de caráter dos jogadores do São Paulo é muito forte, muito positivo. Tanto os mais experientes quanto os mais jovens. Quando cheguei, já tinha uma energia muito boa no time, embora naquele momento as coisas não estivessem correndo bem. Meu maior desejo era assumir contra o Flamengo. Eu só queria dar o treino. A gente treinou algumas coisas táticas e caímos dentro da coisa mais importante, que é estabelecer de imediato boas relações. Ativar nossa coragem, a nossa solidariedade e nossa determinação. Foi um cartão de visitas muito positivo o jogo com o Flamengo. A gente jogou taticamente na contramão do que a gente faz quase sempre, mas não tinha como ser diferente naquele jogo. Fizemos uma partida excelente, conseguimos travar o Flamengo, que era um time poderoso e ganhou quase tudo ano passado”, completou.

Os outros jogos preferidos de Diniz no São Paulo

antos 1 x 1 São Paulo – 16/11/2019 – 12º jogo no comando

“O Santos era o adversário mais difícil de ser batido dentro de casa no campeonato, muito bem treinado pelo Sampaoli, que conseguiu fazer uma campanha muito grande dentro de casa e dominou todos os adversários, até quando perdeu. O São Paulo conseguiu ser dominante praticamente do começo ao fim do jogo. Nós estamos falando aqui do campeão [Flamengo] e do vice [Santos], ambos fora de casa, então foram jogos bem significativos, bem emblemáticos, que mostraram que a gente tinha time e poderia dar alegria ao nosso torcedor”.

São Paulo 2 x 1 Internacional – 4/12/2019 – 16º jogo no comando*

“O jogo do Inter, no ano passado, acho que foi um jogo decisivo em que a equipe reagiu muito bem. Cresceu no momento certo, mostrou personalidade, coragem, amizade no campo, desejo de vencer, e conseguiu aquilo que tinha que conquistar, que era a vaga direta na Libertadores. Aquele jogo podia ter sido muito mais do que 2 a 1”.

*Suspenso, Diniz assistiu ao jogo das tribunas. Márcio Araújo dirigiu.

São Paulo 3 x 0 LDU – 11/3/2020 – 28º jogo no comando

“Nesse jogo contra a LDU acho que a equipe se portou muito bem em todos os sentidos. Talvez tenha sido o momento mais claro dessa conexão entre time e arquibancada. Ano passado, contra o Inter, já teve isso. Contra a LDU, um jogo decisivo, importante, o torcedor compareceu, foi uma festa, uma quarta-feira bem especial para todos os envolvidos”.

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