Na última semana, o presidente do Fluminense, Mário Bittencourt, representante da Comissão Nacional de Clubes, apresentou uma proposta a Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf), com o intuito de minimizar os impactos da paralisação do futebol em virtude da pandemia do coronavírus. Em pauta, estão a antecipação das férias dos jogadores, esticamento do calendário até o final de dezembro e corte pela metade dos salários dos atletas, caso o período de quarentena se estenda e ultrapasse 30 dias. No entanto, Rinaldo Martorelli, presidente do Sindicato dos Atletas Profissionais de São Paulo, foi categórico ao não só rejeitar a proposta, como atacar o presidente tricolor.

“A comissão só pensa nos times que vão disputar competições nacionais. Só em São Paulo temos 35 clubes que estão fora disso. O que assusta é a conivência da CBF, ela se omite. Para concordar com isso precisa ter uma contrapartida muito robusta. Como se negocia assim? Não dá para simplesmente reduzir salário ou mandar embora. Eles querem reduzir salário, mas nenhum deles diz que irá quitar os salários atrasados. Principalmente o presidente do Fluminense, que é o presidente desta comissão, que está com tudo atrasado. É muita cara de pau simplesmente jogar no peito dos jogadores. Eles só pensam no próprio umbigo. O Mário Bitencourt está com Fluminense caindo aos pedaços, devendo salário e tudo mais.  O Sindicato de São Paulo esta fora de qualquer imposição unilateral”, bradou Rinaldo Martorelli.

Em entrevista a ESPN, no entanto, o presidente Mário Bittencourt afirmou que representantes de todos os clubes participaram da reunião e que não  houve qualquer decisão unilateral.

“Inicialmente gostaria de esclarecer que a reunião que fizemos para formular uma proposta de acordo coletivo aos atletas teve a participação de representantes das séries A, B, C e D. Não existe qualquer posição unilateral por parte dos clubes. Na verdade, formulamos uma proposta que entendemos ser viável no momento e a encaminhamos a Fenapaf para que ela enviasse aos 21 sindicatos e aos atletas, justamente para que pudessem avaliar e responder no início da semana com suas ponderações. O presidente do sindicato de SP, por indelicadeza, citou o Fluminense, me obrigando a responder. Os atletas do Fluminense estão em casa e, estes dias que lá estão fazendo seus treinamentos individuais, serão pagos integralmente porque ninguém esperava que a pandemia pudesse parar as competições. Nem os clubes e nem os atletas. Na há culpados nesta história, só vítimas. Como vítimas, temos todos que nos unir e encontrar caminhos. Ataques pessoais ou institucionais são mal vindos. Os ataques mostram a incapacidade intelectual e o desequilíbrio do Presidente do Sindicato de São Paulo, que ao invés de estar tentado conciliar, está jogando lenha na fogueira tentando colocar os atletas contra os clubes”, respondeu Mário Bittencourt.

A expectativa é de que o Fenapaf dê uma resposta sobre o posicionamento dos sindicatos ainda nesta terça-feira (24). Os clubes têm pressa para resolver as questões e liberar os atletas para férias coletivas, afinal não há qualquer tipo de previsão sobre quando os jogos voltarão. Ainda em relação a proposta oferecida pela Comissão Nacional de Clubes, se a paralisação do futebol chegar a 60 dias, a ideia é suspender os contratos e aumentar o tempo dos vínculos como forma de compensação. Na última sexta, a Procuradoria da Fazenda suspendeu a cobrança de dívidas com a União por 90 dias, medida que beneficia imediatamente os clubes.

Confira os principais itens da proposta feita aos sindicatos

– Antecipação das férias de final de ano de 24/12/20 para 01/02/20, sendo o pagamento das férias divididos da seguinte maneira:50% do valor agora, a ser pago pelo atual empregador e os outros 50%, com o 1/3 integral, a ser pago até 31.12.2020. Se houver mudança de clube, o novo clube ficará responsável pelo pagamento dos 50% restante, bem como de 50% do 1/3, cabendo ao Clube atual quando da rescisão pagar sua parte dos 50% do 1/3.

– Se os campeonatos não voltarem após as férias coletivas, edução da remuneração (CLT e imagem) em 50% por 30 dias, com treinamento em casa.

– Após 30 dias de redução da remuneração mantendo a impossibilidade de competir, suspensão do contrato de trabalho até que se retomem as atividades, com a prorrogação dos prazos dos contratos pelo período de suspensão.

– parcelamento das rescisões em até 5 vezes. Contratos que se encerrem neste período serão prorrogados até a data final dos estaduais.

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