No momento em que uma pandemia faz milhares de mortos, a CBF demorou a agir. A decisão ficou, então, nas mãos das federações, que adotaram decisões repletas de contradições e falta de lógica.

Em São Paulo, portões fechados na capital e abertos no interior, como se o público não transitasse de uma cidade a outra. No Rio Grande do Sul, jogadores do Grêmio entraram com máscaras em campo, em sinal de protesto. No Rio, o Flamengo jogou mesmo depois que Maurício Gomes de Mattos, vice-presidente de marketing e comunicação do clube, foi diagnosticado com o coronavírus e viajou de avião com todo o elenco.

Absurdos com o aval das autoridades: “O contato é entre os jogadores, aí é risco deles”, afirmou Wilson Witzel, governador do Rio. No Paraná, o Athletico criticou em nota a realização do clássico contra o Coritiba, “como se estivéssemos vivendo dias de normalidade”.

Enquanto isso, os casos de contágio vão crescendo no Brasil, o que pode ser freado não só com todas as medidas de higiene, mas, sobretudo, o veto a aglomerações e o isolamento social da população.

Dada a sua irrelevância, seria muito simples interromper (ou até cancelar) a disputa dos estaduais. Não é momento de discutir valores, contratos de TV, pontuação, título e rebaixamento. É hora de salvar vidas. Até ontem, o futebol brasileiro lavou as mãos. E não como médicos recomendam.

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