Osmar. Vera. Dulcinéia. Josefina. Se para qualquer pessoa esses podem ser nomes comuns encontrados no Brasil afora, para Fernando Diniz eles representam nomes de professores que fizeram a diferença em sua vida. Hoje técnico do São Paulo, Diniz foi aluno da rede estadual e, em comemoração ao Dia do Esportista nesse dia 19 de fevereiro, relembrou as memórias dos tempos de estudante.

“Foram bons tempos. Eu lembro que fui para a escola na Primeira Série, acabei não fazendo o pré, e eu ia sozinho para a escola. Da minha casa na Vila Ema até a escola era 1,5km e eu ia andando, à pé mesmo. Minha primeira professora se chamava Marlene. Lembro de muitos outros, como o Osmar, a Vera, Dulcinéia, que até hoje está na rede. Isso era 1981, eu tinha seis anos”, relata o treinador, em entrevista exclusiva no CT do clube, na Barra Funda.

Mineiro de Patos de Minas, Diniz morou a infância toda em São Paulo, lugar no qual iniciou a carreira como jogador no Juventus da Mooca. Ao todo foram duas escolas estaduais percorridas como aluno.

“Estudei na Escola Estadual Stefan Zweig da primeira até a sétima série, isso com a nomenclatura antiga. Depois me mudei para a Escola Estadual MMDC, na Mooca, quando eu já jogava na base do Juventus-SP. Lá tinha o Ginásio (hoje anos finais do Ensino Fundamental) à tarde, que era o que eu precisava para ir aos treinos”.

Foi na Stefan Zweig que Diniz recorda um de seus fatos mais marcantes: a morte do pai. “Aos oito anos eu perdi meu pai, e eu mesmo fui na escola avisar. A professora Josefina foi uma das primeiras pessoas que me acolheu nesse momento, e eu tive um contato muito forte com ela nesse momento. Ela com certeza me deixou muitas lembranças”, relembra.

Outra memória é dos tempos em que jogava futebol de salão no CTC Vila Ema junto com alguns colegas da Escola Estadual Stefan Zweig. Um deles era um ano mais novo que Diniz e já mostrava habilidade com a bola. Era Fabio Carille, ex-técnico do Corinthians com títulos marcantes, como o Campeonato Brasileiro de 2017 e o tri-campeonato paulista consecutivo entre 2017 e 2019.

Filosofia e ideias para a educação

Como jogador, Fernando Diniz teve passagens marcantes por Palmeiras, Corinthians, Fluminense e Flamengo. Como técnico é vice-campeão paulista pelo Audax em 2016 e se destaca pelo estilo de jogo ofensivo que o fez ser contratado por grandes times como Athletico, Fluminense e São Paulo. E é direto quando perguntado sobre o que ele levou dos tempos de escola para a carreira: os professores.

“Na minha opinião, a maior riqueza do ensino são os professores. O acolhimento pessoal que os professores me deram me marcou muito, assim como os amigos também”. E cita um dos exemplos. “Um dos professores mais marcantes que tive é o Antônio Carlos, que foi meu professor de Educação Física na Escola Estadual MMDC. Ele era uma pessoa muito dedicada ao ensino, muito esforçada. É um irmão que eu tenho e guardo até hoje e ainda devo uma visita a ele, mesmo ele sendo santista!”

Formado em psicologia pela Universidade São Marcos, Diniz tem a formação de treinadores da CBF e demonstra algumas ideias para a educação que ele, como treinador, promove diariamente nos campos de futebol.

“O que tento colocar aos jogadores tem muito mais a ver com os filósofos pré-socráticos do que com os pós-socráticos. Tem uma história de que havia um liceu do Pitágoras que, para entrar, os candidatos precisavam provar seu senso e capacidade moral, não uma capacidade cognitiva. Se você tem um aspecto de justiça bem disseminado em você, isso ajuda a aprender outros aspectos cognitivos. Acho que a escola tem que ter mais interesse nisso, que é meu maior interesse como técnico: as pessoas”.

https://www.educacao.sp.gov.br/noticia/especial/fernando-diniz-tecnico-sao-paulo-relembra-os-tempos-de-aluno-da-rede-estadual/