O São Paulo tem um problema e uma fonte de esperança nesta pré-temporada. E tenta conduzir os dois assuntos com mais discrição do que fez nos últimos anos. Sem alarde, o clube quer tratar uma punição disciplinar para Robert Arboleda nos bastidores e evita sobrecarregar Hernanes como um salvador da pátria.

Essa é uma mudança que, aparentemente está distante dos resultados do campo, é vista como necessária no Tricolor. Há um consenso de que o clube perdeu o hábito que tinha de resolver problemas internamente, sem torná-los assunto público. Assim como há uma certeza de que elevar demais as expectativas sobre apenas um jogador pode ser prejudicial.

Foi assim com Lucas Pratto, Alexandre Pato, Daniel Alves e com o próprio Hernanes, quando comprado de volta pelo São Paulo na virada de 2018 para 2019. Esses protagonistas acabaram afundados em responsabilidades, como se fossem resolver todos os dramas do clube da noite para o dia e sozinhos.

Isso foi refletido na pressa para Hernanes jogar a fase preliminar da Copa Libertadores da América do ano passado e resultou em uma temporada cheia de lesões e dificuldades para atingir um alto nível físico e técnico. O Profeta se frustrou por não poder ajudar como o esperado, se cuidou na reta final da temporada e nas férias e, agora, volta muito melhor do que estava no início de 2019.

Ele deixou de sentir dores que o perseguiam, como no adutor da coxa direita, responsável até por inibi-lo a chutar com esta perna. O chute potente no ângulo direito que terminou em golaço no treino de ontem (9) é um indício de que é possível ter esperanças na recuperação de Hernanes. Mas o histórico recente pede cautela e o clube tenta seguir esses sinais, mesmo que trate o ídolo como “reforço” para 2020, já que não contratou neste mercado da bola.

No caso de Arboleda, a discrição flerta com a impopularidade. Os torcedores mais radicais chegam a desejar a saída do zagueiro por vestir a camisa do rival Palmeiras, em episódio ocorrido no Equador durante as férias. O São Paulo não fará isso. Arboleda é considerado um ativo valioso, que sempre correspondeu em campo e que não pode se desvalorizado pelo próprio clube.

Isso não significa que não haverá repreensão a ele. Os dirigentes terão uma reunião com o equatoriano ainda nesta semana, quando o tipo de punição será comunicado. Esportivamente nada deve acontecer. O técnico Fernando Diniz, inclusive, presta apoio a Arboleda e diz que ele já tem respondido ao incidente no dia a dia.

UOL