É bem verdade que Fernando Diniz chegou ao São Paulo no final do mês de setembro e não acompanhou a montagem do elenco que briga por uma vaga direta na fase de grupos da Libertadores de 2020. O aproveitamento do treinador tricolor, no entanto, deixa bastante a desejar. Diniz acumula seis vitórias, quatro empates e quatro derrotas em 14 partidas no comando do São Paulo e está na sexta posição da tabela. Exatamente o mesmo lugar em que a equipe estava quando Cuca pediu demissão. Por mais que Fernando Diniz tenha a confiança dos líderes do elenco do Tricolor do Morumbi (e tenha a complacência de certos setores da imprensa esportiva), os números da equipe caíram com Diniz. O ataque faz menos gols e a defesa vem sendo mais vazada. Certo é que o treinador terá que provar seu valor nessas últimas três rodadas que restam no Brasileirão.

A vitória sobre o Vasco nesta quinta-feira (28) não só acabou com o jejum de quatro partidas sem resultados positivos no Brasileirão como também deixou o São Paulo ainda mais próximo de uma vaga na Libertadores de 2020. Mesmo assim, os comandados de Fernando Diniz cometeram alguns dos velhos e conhecidos erros na partida contra o Trem Bala da Colina. O São Paulo entrou em campo armado no usual 4-1-4-1 de Diniz com Juanfran na lateral e Daniel Alves alinhado a Igor Gomes, Vítor Bueno e Antony. O que se via era uma equipe espaçada e que utilizou o toque rápido e as jogadas de linha de fundo bem poucas vezes durante os noventa minutos. A maioria das tramas ofensivas saíam pelo meio, onde o Vasco marcava bem e negava espaços. O único gol da partida (marcado por Antony) acabou saindo em vacilo incrível de Osvaldo Henríquez, que não cortou o lateral lançado para a área. De resto, o São Paulo chegou pouco.

Os conceitos de Fernando Diniz são bem cohecidos de todos. Futebol ofensivo, de bastante intensidade e velocidade nas transições e toque de bola rápido e objetivo. O grande problema está na execução desses conceitos. Não foram poucas as vezes em que o São Paulo apelou para cruzamentos na área e bolas longas para Pablo, Antony e Vítor Bueno justamente por conta da cratera existente entre o meio-campo e o ataque. Quando há essa aproximação, as coisas fluem com mais facilidade. Os “pontas” centralizam e abrem espaço para a subida dos laterais Juanfran e Reinaldo para a linha de fundo. Ao mesmo tempo, cinco e até seis jogadores se lançam no espaço vazio para esperar o cruzamento (rasteiro ou pelo alto) ou uma possível sobra. Nesse ponto, Igor Gomes e (principalmente) Daniel Alves possuem papel fundamental na distribuição das jogadas na intermediária ofensiva. No entanto, os dois acabam sofrendo muito com essa falta de aproximação entre os setores do São Paulo.

O ritmo do São Paulo diminuiu bastante após o intervalo muito por conta da falta de inspiração do Vasco. O que se via em campo era uma equipe mais acomodada e sem muita vontade de aumentar o placar no Morumbi e outra sem inspiração e que sentia muito a falta do seu principal desafogo ofensivo (Rossi, desfalque por conta de um problema no tornozelo). Fernando Diniz viu sua equipe apenas administrar a vantagem obtida na primeira etapa e repetir alguns dos erros cometidos em partidas anteriores. Se a falta de aproximação prejudica as jogadas ofensivas, ela também gera espaços na defesa. Tanto que Tiago Volpi teve que trabalhar em bela cabeçada de Marrony no começo do segundo tempo. Mesmo assim, o Tricolor Paulista seguiu dominando a partida e tentando executar alguns dos conceitos defendidos por Fernando Diniz. Um deles está na arrumação da equipe no contra-ataque. Os jogadores abrem o campo e buscam os espaços da equipe adversária. Mesmo assim, faltou intensidade nos momentos decisivos.

Fernando Diniz tem o apoio das lideranças do elenco do São Paulo, cativou muita gente com sua proposta de futebol bonito e ofensivo, mas não vem conseguindo aplicá-as na equipe do Morumbi. Mesmo tendo assumido a equipe no final de setembro (um argumento favorável a ele), o treinador teve tempo para colocar em prática seus conceitos. É bem verdade que alguns jogadores contratados a peso de ouro (sobretudo Hernanes e Alexandre Pato) não renderam o esperado. Mesmo assim, o São Paulo de Fernando Diniz poderia estar jogando muito melhor do que vem jogando. A grande diferença é que o momento é diferente. Se Diniz era conhecido por montar equipes que não conseguiam vencer mesmo jogando bem, o Tricolor Paulista só vem conseguindo vencer seus jogos e se manter na sexta posição do Campeonato Brasileiro por conta dos talentos reunidos em campo. Muito pouco para quem prometia tanto.

Se o São Paulo conseguir mesmo a vaga direta na Libertadores, o clube terá um final de ano digno diante de todas as lambanças cometidas pela diretoria tricolor. Mas nem isso é garantia de permanência de Fernando Diniz em 2020. Muito por conta de todas as expectativas que foram criadas e frustradas dentro de campo.

Luiz Ferreira

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