Há poucos meses, o São Paulo era um dos clubes brasileiros que sofria com atrasos em pagamentos para seus atletas e funcionários. Pouco tempo depois, o time anunciou dois reforços de peso, como Daniel Alves e Juanfran, jogadores com carreiras de sucesso na Europa e que, nas palavras do diretor financeiro da equipe do Morumbi, Elias Albarello, chegam para “mudar o São Paulo de patamar”.

Apesar da satisfação da torcida, que recepcionou os dois de braços abertos, acreditando que com atitudes como essa o São Paulo retomaria o caminho dos títulos, algo que não acontece no time profissional desde o final de 2012, uma parcela dos torcedores ficou um pouco temerosa com os custos dessas contratações “extravagantes”. Segundo Elias, não há motivos para se preocupar, já que elas se enquadram na política financeira do clube.

“Temos o nosso teto salarial. Isso é uma política do São Paulo e a gente não abre mão disso. Ele (Daniel Alves) está dentro dessa política. Mas pelo status, pelo que ele representa, até mesmo as outras propostas que recebeu e optou pelo São Paulo por algumas razões. Essa é uma operação bastante inovadora e principalmente desafiadora para nós. Mostra que o futebol brasileiro ainda tem um grande potencial e que está passando por um momento de transição”, disse o dirigente, em entrevista exclusiva ao R7, mostrando total satisfação com o negócio: “Tenho certeza que esse projeto servirá de inspiração para outros clubes.”

Apesar do São Paulo não divulgar oficialmente, a informação é que, com Daniel Alves, o clube arca com R$ 500 mil de salários. O restante, que fará o montante recebido pelo experiente atleta a cada mês alcançar R$ 1,5 milhão, será pago através dos direitos de imagem, em algo que ainda está sendo desenvolvido pela diretoria. “Ainda temos algumas coisas confidenciais, mas nas próximas semanas deveremos passar a usar mais a imagem desses atletas. Mas a gente não têm dúvidas que essas contratações mudam o patamar do São Paulo e abrem portas. Estamos vendo isso no Flamengo, também no Athletico-PR, contratando jogadores consagrados. Isso é o início de uma nova era no futebol brasileiro. E isso só será possível com a participação de empresas e parceiros que possam trazer para os clubes algo novo. É uma aposta forte dos clubes.”

Além disso, o responsável por cuidar das finanças do São Paulo deixa claro que Daniel Alves e Juanfran “podem se pagar”, já que fazem com que os torcedores passem a comprar mais produtos oficiais e lotem mais as arquibancadas do Morumbi, aumentando o faturamento de renda do clube. “A gente viu o alvoroço que causou na torcida no dia da contratação. Está fazendo com que exista uma motivação maior. Isso a gente está vendo nos últimos jogos. A apresentação do Daniel Alves tinha 47 mil pessoas no Morumbi, todos eles pagando ingresso. A arrecadação dos jogos também está crescendo significativamente. A gente já vinha em uma crescente, com o São Paulo na parte de cima da tabela, mas com a presença desses dois atletas, aumentou ainda mais o público e também fortaleceu o programa de sócio-torcedor”, comentou.

‘O amor do Daniel Alves pelo São Paulo foi fundamental para a contratação acontecer’Elias Albarello

A polêmica camisa azul

Algo que chamou bastante atenção na estreia de Daniel Alves e Juanfran, na partida contra o Ceará, no dia 18 de agosto, foi o fato do São Paulo abrir mão de atuar com sua tradicional camisa branca para utilizar o 3º uniforme da equipe, na cor azul, em homenagem aos jogadores uruguaios que passaram pelo clube ao longo dos anos.

A iniciativa não foi bem aceita por parte dos torcedores, que acreditavam que, em um jogo como esses, em que o São Paulo seria notícia no mundo inteiro por causa de suas novas estrelas, o ideal era o uniforme tradicional. Alguns deles até mesmo cogitavam que isso fosse uma decisão da fornecedora de material esportivo. Segundo Elias Albarello, não é nada disso. A decisão foi totalmente tomada pelos diretores do clube.

Vídeo com entrevista:

http://r7.com/nIKi

R7