São Paulo e a analogia KODAK

Uma breve história, interessante e relevante:

Steven Sasson, um então jovem engenheiro da KODAK ,  com seus 24 anos, inventou o processo que nos permite fazer fotos com os nossos telefones, enviar imagens ao redor do mundo em segundos e compartilhá-las com milhões de pessoas. O mesmo processo interrompeu completamente a indústria que foi dominada pelo seu empregador em Rochester e deu start em uma década de reclamações por fotógrafos profissionais que se preocupavam com a ruína de sua profissão.

Steve Sassoninventou uma câmera que foi a base para a patente emitida pela Kodak em 26 de dezembro de 1978 nos EUA.

Claro, depois de ler essas linhas, você deve estar se perguntando o que isso tem a ver com o SPFC, instituição que tanto nos deu alegrias e hoje tanto espelha nosso sofrimento.

A Kodak foi um gigante da indústria da fotografia e veio a falência poucos anos após sua patente da câmera digital expirar. O SPFC, nosso time tão amado, claro, não está falido (bem mal administrado, mas não falido).

Então o que há em comum entre o SPFC e a Kodak?

Para se entender, é preciso ter a noção da visão que tinha Steve Sasson sobre a fotografia. Na cabeça dele havia o futuro. E na cabeça dos executivos? Segue um pouco mais da história:

Sasson fez uma série de demonstrações para grupos de executivos dos departamentos de marketing, técnico e de negócios e, em seguida, para seus chefes e seus patrões. Ele trouxe a câmera portátil em salas de conferência e demonstrou o sistema tirando uma foto das pessoas na sala.

A resposta deles foi morna, na melhor das hipóteses.

“Eles estavam convencidos de que ninguém jamais iria querer olhar para suas fotos em um aparelho de televisão”, disse ele. “A impressão estava conosco por mais de 100 anos, ninguém estava reclamando sobre impressões, elas eram muito baratas, e então por que alguém iria querer olhar para a sua imagem em um aparelho de televisão?”

E em seguida a declaração de Sasson que tem a ver com o SPFC de hoje:

“Quando você está falando com um monte de caras corporativos sobre cerca de 18 a 20 anos no futuro, quando nenhum desses caras ainda vai estar na empresa, eles não ficam muito animados com isso”, disse ele. “Mas eles me permitiram continuar a trabalhar em câmeras digitais, compressão de imagem e cartões de memória.”

Resumindo, quando se fala com um grupo de executivos de 60-80 anos na média, ninguém está nem aí para o futuro, pensam no hoje. De um lado um visionário e de outro um bando de acomodados com suas realidades, sentando em glórias sem saber o futuro.

Não acho tão difícil fazer uma correlação com a situação atual do nosso time, da direção e como tratam o futebol.

Leco e muitos dos conselheiros parecem pouco se preocupar com o futuro da instituição SPFC. Pensam em seus cargos, garantias, benesses, aparente “status” e tudo a que se apegam. Fazem um novo estatuto que serve apenas para dizer que existe, com pessoas sem experiência comprovada para funções que exercem (agora com rumores que Raí que caiu de paraquedas na função quer cair na janelinha na CBF). Até um tempo atrás, conselheiros não abandonavam seus títulos para exercer função remunerada.

A base, por exemplo, mal administrada, não serve nem para sanar as dívidas de uma vez, nem para ganhar títulos. O último foi Lucas, que saiu daqui campeão. Administração pífia.

Apegados aos seus cargos, esses “são paulinos” são como os executivos da Kodak, que não tem visão do médio ou longo prazo. Se endividaram, estão atrasados em relação aos demais clubes que buscaram alternativas e sentados esperam algo cair do céu, sem saber fazer uso da terceira maior torcida do Brasil.

Acomodados, pouco sabem ou querem saber do que será o São Paulo de 10, 15 anos para frente.

Se ouvirem alguém novo, capacitado e com visão moderna do futebol, vão continuar sem se importar, pois logo mais, em dez ou quinze anos, nem no clube mais estarão. E do alto da sua incompetência cheia de pompa, não sabem enxergar o quanto ficaram para trás.

Só nos resta torcer para alguém diferenciado aparecer, e não sermos a Kodak do amanhã.

Cadu Roncatti Bomfim

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20 comentários

  1. O texto não está longe da realidade mesmo.

    Muitos conselheiros dependem do São Paulo.

    Ganham em cima da instituição.

    Se não aparecer alguém estilo Paulo Nobre ou um árabe maluco que ponham grana e mandem, vamos ser isso aí.

    É a herança maldita que Juvenal Juvêncio nos deixou.

    O que quis fazer ao final dos anos 80 e não conseguiu.

    Conseguiu nos anos 2000.

  2. A analogia é perfeita. Parabéns pelo texto. Só acho que hoje, infelizmente, não temos esse visionário no clube. São todos arcaicos.

  3. Falta de autocrítica, arrogância e passividade são coisas que impedem o nosso avanço. Um potencial absurdo pra crescer, uma infraestrutura pronta, torcedores querendo consumir o Sao Paulo Futebol Clube e essa gente não tem a mínima noção de como transformar tudo isso em um produto de sucesso.

    E o pior, ainda tem apoiadores que conseguem amenizar tudo sempre.

  4. Difícil aparecer algum visionário no clube, faz quanto tempo que estamos com o mesmo grupo político no poder? Contando 2003 até 2020 pelo menos são 18 anos! O MPG foi um bom presidente mas com sua eleição voltaram JJ, Leco e cia limitada que pelo menos desde 2009 vem afundando com o futebol do clube com sua gestão centralizadora e catastrófica.

  5. Libertação do Clube já. Eleições livres e diretas com votos dos sócios torcedores. Com esse bando de vagabundos que se apoderaram do SãoPaulo, se nada for feito, dentro de mais 17 anos o nosso São Paulo será extinto.

  6. Muito bom o texto de um são-paulino que aceita como verdadeiras declarações absolutamente falsas de um adversário fanfarrão.

    Lamentável que o trecho em questão tenha sido publicado mesmo depois do próprio blog ter divulgado o desmentido de Rai, do MAC e da CBF.

  7. Muito bom texto. Infelizmente uma evolução do vai acontecer com uma separação futebol – social e uma diretoria profissional para o futebol ou com uma revolução interna tipo Bahia com expulsão por corrupção dos elementos da direção/presidência . Acho pouco provável qualquer dessas alternativas

  8. Como mudar isso se o estatuto do clube foi definido e aprovado por esses Srs que literalmente mamam nas tetas do clube?
    A saída para o nosso querido SPFC é encontrar um parceiro nos moldes na tia Leila ou transformar a instituição em clube-empresa, pois do contrário as dívidas aumentarão e a escassez de títulos também.

  9. Achei bem legal o texto do colega.

    No entanto eu não acredito que seja isso não, na minha humilde opinião e sem comprovação alguma… pra mim o São Paulo hoje sofre por uma questão de roubalheira mesmo.

    Posso estar errado, mas desde o caso Aidar são mais do que nítidas essas situações em alguns casos.

O São Paulo precisa de nós! Vamos apoiar!