Crise das lesões no São Paulo

Em pouco mais de cinco meses de temporada, número de lesões no São Paulo assusta e desencadeia instabilidade no departamento médico e na preparação física do clube

O são-paulino, além de lamentar seguidas decepções no primeiro semestre de 2019, acostumou-se a uma espécie de boletim médico no noticiário do clube. Seja na TV, no rádio, ou na internet, relatos de atletas lesionados passaram a fazer parte do cotidiano tricolor. A situação chegou ao ponto de a preparação física e o departamento médico virarem alvos de críticas de conselheiros e parte da torcida.

Os questionamentos não foram sem razão. Levantamento feito pela Gazeta Esportiva aponta um total de 24 lesões – de 17 tipos diferentes – sofridas por 18 jogadores em pouco mais de cinco meses de temporada. A nomenclatura e a localização de cada uma dessas contusões estão expostas no gráfico acima.

Mais da metade do elenco de 35 atletas, portanto, sofreu algum tipo de lesão neste primeiro semestre. Uma observação se faz necessária: o atacante Joao Rojas não é considerado na relação, uma vez que se machucou no ano passado – recuperado de uma cirurgia no joelho direito, iniciou os treinos no campo em maio e deve voltar a ficar à disposição no retorno do Campeonato Brasileiro, em julho.

No mapa da dor, também é possível observar que a ocorrência de problemas na região das pernas é maior, o que é normal na prática do futebol. Mas o que chama atenção é a reincidência desses problemas. Abaixo, veja o número de vezes em que cada parte dos membros inferiores foi afetada:

– Coxa: 11 (7 na esquerda; 4 na direita)
– Joelho: 3 (1 no direito; 2 no esquerdo)
– Panturrilha: 2 (2 na esquerda)
– Tornozelo: 2 (2 no direito)
– Tendão: 1 (da perna direita)
– Dorso do pé: 1 (direito)

Há ainda duas contusões na cabeça (concussão) e outras duas na região da coluna. Com esses casos somados, o São Paulo atuou desfalcado de ao menos um jogador em 30 dos 33 jogos da equipe na temporada 2019, contando com as duas partidas da Copa Flórida.

Os atletas que mais visitaram o departamento médico foram Everton e Liziero, cada um com três lesões. O volante é o que mais desfalcou o time no ano, com 19 jogos perdidos. Pablo, indisponível em 14 partidas, é o segundo colocado na lista, vítima de um cisto na região lombar da coluna que requereu cirurgia.

Um desses casos de lesão, inclusive, gerou um mal-estar a nível internacional. O fisioterapeuta da seleção do Equador, Tony Ocampo, contestou o modo com o qual o São Paulo tratou um estiramento na coxa esquerda de Arboleda, que está reunido com o time de seu país para a disputa da Copa América. Depois, no entanto, o profissional pediu desculpas e disse que não culpou o Tricolor. Posteriormente, o próprio defensor isentou o clube.

Outro atleta que gerou questionamentos da torcida foi Hernanes. O meia, que voltou da China para uma terceira passagem no São Paulo, sofreu com problemas físicos que inviabilizaram uma sequência de jogos, além de atrapalhar seu rendimento, abaixo do esperado neste primeiro semestre.

Seja como for, os resultados dentro e fora de campo motivaram quatro grupos políticos do São Paulo a enviar um documento ao presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, cobrando uma reformulação profunda no CT da Barra Funda.

A primeira mudança foi a saída de Carlinhos Neves, que atuava como coordenador da preparação física. Em entrevista ao Globoesporte.com, o profissional alegou “ideias diferentes” às do clube para justificar a ruptura de seu trabalho. Embora o São Paulo não tenha se manifestado oficialmente sobre o assunto, o desempenho físico do time pesou no desgaste da relação.

O analista de desempenho Romildo Lopes também foi desligado do clube. O processo de reformulação, porém, prevê outras demissões. O departamento médico, contestado por conselheiros e parte da torcida, não está imune a mudanças.

Em contato com a assessoria de imprensa do clube, a reportagem tentou agendar entrevistas com profissionais da preparação física e do departamento médico, mas não obteve êxito. Internamente, entretanto, o São Paulo trata o excesso de problemas físicos como situações pontuais, ocasionadas em lances de jogo, por exemplo.

Enquanto a maioria do elenco está de folga até o dia 24, Pablo, Everton e Liziero trabalham no CT da Barra Funda para se recuperar de suas respectivas lesões . Em estágio mais avançado, o primeiro deve ficar à disposição antes que os demais.

O próximo compromisso do time dirigido por Cuca é o clássico contra o Palmeiras, em 13 de julho, no Morumbi, pela décima rodada do Campeonato Brasileiro. O Tricolor figura na nona colocação do torneio nacional, com 14 pontos ganhos.

Gazeta Esportiva

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15 comentários

    • O Everton já tinha o histórico de lesões. O Liziero talvez precise ser emprestado para algum time com competência para completar sua formação física para jogar futebol profissional.

      Faz muitos anos que o SP tem muitas lesões, além de queda de rendimento no 2o tempo.

      Só que não dá para colocar a culpa só na preparação física, que de fato não é boa.

      Contratamos muitos jogadores lesionados, ou com histórico de lesões frequentes, ou em final de carreira.

      Tivemos muitos técnicos que não sabem fazer rodízio de jogadores ou mudanças na forma de jogar para poupar os atletas. Tampouco sabem montar esquemas para poupar atletas.

      Nos últimos tempos, além de os titulares não serem bons, os reservas estão 5 degraus abaixo.

      O planejamento privilegia viagem à Disney ao invés de pré temporada.

      Enfim, times fracos e pressionados por resultados também se desgastam mais.

  1. Aí vem o Carlinhos Neves e fala que não estavam tendo a mesma opinião, corpo mole mesmo.
    Ele estava lá só pra arrancar dinheiro na boa.

    • Dizer que ele veio só pra arrancar dinheiro…
      francamente!!
      Um profissional como ele “dando migué”?
      Ah, por favor… Ele não precisa disso …

  2. Que seleção horrorosa a da Argentina. Como pode ter tantos bons jogadores e não jogar absolutamente nada. O treinador e pior do que o Jardine. E lembra o SPFC em alguma coisa, se bem que a zaga do SPFC e melhor que a zaga hermana

  3. Ninguém fala do Dr. José Sanches. Tá a sei lá quanto tempo no Spfc, e parece mais do que ultrapassado. Podia ser espirrado tmb, junto com o monte de velhos retrógrados que assolam o clube.

O São Paulo precisa de nós! Vamos apoiar!