Depois de breves passagens no Hebei Fortune (China) e prestes a completar 34 anos, este  recifense avalia as chances de voltar a ser figura central no Brasileiro, como foi em 2008 e 2017, última vez em que atuou aqui. Nos dois primeiros jogos do Brasileiro, ele começou no banco da equipe de Cuca e já deu uma assistência.

Como recebeu 8º lugar no Top 50 dos pontos corridos?

Feliz de estar no Top 10, é muita honra. Todos ali foram campeões, protagonistas. Fiquei feliz também pelo primeiro lugar do Rogério Ceni.

Ele disse você merecia o primeiro lugar do Top 50.

Legal, né? Ele foi muito importante para minha segunda volta ao São Paulo, quando era técnico lá. Fez contato comigo em janeiro (de 2017), quando eu ainda não estava pensando em vir ao Brasil. Um mês depois, ele me ligou de novo, as coisas tinham mudado na China, e eu já queria voltar. Pena que ele saiu antes.

Você foi volante, virou meia e, contra o Botafogo, fez um pivô para o gol do Hudson. Na final do Paulista, foi falso 9. Vai ser como Diego Souza, de volante para atacante?

Legal essa observação, mas acho que não. Você me remeteu ao J. Alves, um técnico  (morto em 2014)  muito legal nos conceitos que tinha. Para ele, a evolução do jogador tinha que ser tamanha que você não saberia com que perna ele dominaria a bola, e só saberia a posição do jogador se perguntasse a ele. É legal, mas continuo me sentindo volante. E eu aprendi as coisas imitando os outros.

Quem você imitou na sua carreira?

O Felipe  (ex-lateral/meia de Vasco, Flamengo e Fluminense) .

Contra o Flamengo, adversário deste domingo, você marcou seu primeiro gol (2 a 0 no Morumbi) e já parecia um fora de série. Por que sua carreira foi tão breve na seleção (apenas 27 jogos)?

Ainda não encontrei essa resposta. No Brasil a concorrência é ampla, existem muitos bons jogadores e foram poucos treinadores que realmente me acolheram onde estive. Eu tive sempre que caminhar sozinho, e muitas vezes você lida com técnicos que têm suas preferências. O cara tem um sistema de jogo, escolhe uma peça e às vezes não é você. Mas eu compreendo isso, e me dou muito bem com Felipão  (que o deixou no banco na Copa de 2014) .

Em 2017, você atuou em 19 jogos e parecia que tinha superpoderes. Entrou na seleção do Brasileiro. Como vai ser 2019?

Estou bastante motivado, porque estou podendo trabalhar e treinar, como eu sei que eu tenho que fazer. Sou escravo do trabalho, do treino; o talento vem depois. Se eu não posso trabalhar, meus superpoderes desaparecem completamente. Senti muitas dores na coxa direita, na coxa esquerda, depois tornozelo, e se você não consegue resolver os problemas, o corpo compensa. Agora estou podendo trabalhar.

Por que não existem mais organizadores como você?

É uma fase no futebol. Muitas mudanças estão ocorrendo e parece que os caras não querem mais essa função. Fala-se muito em correria e dinamismo, todo mundo jogando num 4-3-2-1, esse 9 que não é muito 9, e todo mundo quer jogar como o Barcelona da época do Guardiola. Essa imitação faz com que o meia organizador não seja muito utilizado. Não que seja ruim, o Guardiola é muito interessante para o futebol, mas não é todo mundo quie vai Xavi, Iniesta e Messi. Esse time agrupou os melhores na sua melhores fases e trouxe alguns conceitos, mas querer reproduzir em massa… a gente teria que esperar uma reformulação drástica de criar jogadores desde cedo.

Como é ser do Recife e não ver clubes do PE na Série A?

Lamentável, pois Pernambuco é uma força do futebol, que revela jogadores  (o próprio Hernanes começou no futsal do Santa Cruz)  e tem estádios importantes. É triste não ver nenhum clube ali, mas pelo visto, os outros do Nordeste se fortaleceram mais.

Jornal O GLOBO