Técnico das causas ‘impossíveis’: Cuca busca nova façanha para sua coleção

Sete derrotas e três empates. Esse é o retrospecto do São Paulo na Arena Corinthians, onde o título do Campeonato Paulista será decidido a partir das 16h do próximo domingo, após empate sem gols no Morumbi. O desafio é grande, não o suficiente para deixar Cuca assustado. Ele está acostumado às causas “impossíveis”.

– É, sem dúvida nenhuma, um desafio muito grande. Mas são esses desafios que marcam a gente no futebol. Nós temos um time jovem, temos que preparar bem todos eles para esse desafio. É o grande desafio. Falta um jogo para o São Paulo ser campeão. Por que ele não pode ser campeão? Ele tinha uma vantagem de ter o torcedor do lado no jogo de ida. O torcedor foi fantástico e não foi suficiente. Pode ser que lá a vantagem de ter o torcedor também não seja suficiente para o Corinthians. Então nós vamos preparar bem durante toda a semana para fazer um grande jogo domingo – disse o treinador, após o jogo do fim de semana.

Cuca conseguiu uma façanha logo em sua primeira partida nesta passagem pelo São Paulo: depois de sete derrotas em sete jogos no Allianz Parque, o Tricolor arrancou um empate sem gols na semifinal do Paulistão e eliminou o rival nos pênaltis.

NO SÃO PAULO EM 2004


Cuca estava à frente do São Paulo em uma jornada épica na Libertadores de 2004. O time perdeu o jogo de ida das oitavas de final para o Rosario Central por 1 a 0, na Argentina, e saiu atrás logo no começo do jogo no Morumbi. Para piorar, Luis Fabiano teve a chance de empatar de pênalti e perdeu. Grafite, que saiu do banco ainda no primeiro tempo, fez 1 a 1 no último lance antes do intervalo. Com a torcida em polvorosa, Cuca manteve os jogadores no gramado e, no segundo tempo, Grafite marcou mais um. Nos pênaltis, Rogério Ceni defendeu duas cobranças e classificou o Tricolor, que cairia nas semifinais daquela competição para o Once Caldas.

NO GOIÁS EM 2003

O treinador assumiu o Goiás na reta final do primeiro turno do Brasileirão de 2003, com o time atolado na zona do rebaixamento. Com ele, o Esmeraldino chegou a ficar 16 partidas sem perder e ganhou até do campeão Cruzeiro, terminando em nono lugar e garantindo uma vaga na Sul-Americana. Foi esse trabalho que colocou Cuca no radar dos grandes clubes brasileiros, tanto que o São Paulo o contratou para 2004.

NO FLAMENGO EM 2009

Cuca foi vice-campeão carioca duas vezes seguidas, ambas dirigindo o Botafogo em finais contra o Flamengo, em 2007 e 2008. Em 2009, os mesmos clubes chegaram à decisão mais uma vez, mas dessa vez o treinador estava do lado rubro-negro e teve de ouvir a torcida alvinegra gritar que “vice é o Cuca”. Após empate por 2 a 2 no primeiro jogo, o Fla abriu 2 a 0 na partida de volta e colocou uma mão na taça. Mas o Botafogo empatou no segundo tempo e despertou os fantasmas de Cuca. Os vices seriam mesmo culpa dele? Nos pênaltis, o Flamengo venceu. Foi o primeiro grande título da carreira do treinador.

NO FLUMINENSE EM 2009

Livrar o Fluminense do rebaixamento foi um dos maiores desafios da carreira de Cuca, se não o maior. Ele assumiu a equipe com o campeonato em andamento, substituindo Renato Gaúcho, e chegou a ver os matemáticos dizerem que a chance de queda era de 99%. Mas uma arrancada fulminante, com 19 pontos ganhos nas sete rodadas finais, livrou o Tricolor Carioca da queda. Paralelamente, a equipe ainda chegou à final da Copa Sul-Americana – perdeu a ida para a LDU por 5 a 1 e por pouco não se recuperou na volta, quando venceu por 3 a 0. Nascia ali o time de “guerreiros”, como o Flu campeão nacional em 2010 e 2012, já sem Cuca, foi chamado.

NO CRUZEIRO EM 2011

O Cruzeiro de Cuca chegou ao segundo jogo da final mineira de 2011 em situação pior que a do São Paulo na decisão paulista de 2019: foi derrotado por 2 a 1 pelo Atlético-MG no jogo de ida. Na volta, porém, ganhou por 2 a 0 e foi campeão.

NO ATLÉTICO-MG EM 2013


Cuca conquistou o maior título da história do Galo em uma epopeia que teve Ronaldinho Gaúcho – indicação sua ao presidente Alexandre Kalil – como grande estrela. As quartas de final, a semifinal e a final foram decididas nos pênaltis. Contra o Tijuana (MEX), Victor defendeu um pênalti que classificaria os mexicanos no último minuto do segundo jogo. Contra o Newell’s Old Boys (ARG), Guilherme marcou o gol que levou a disputa para as penalidades no fim do segundo tempo da partida de volta. Contra o Olimpia (PAR), na final, o Galo devolveu o placar de 2 a 0 da ida com muito sofrimento no Mineirão. A cada vez que as coisas pareciam ficar impossíveis, o Galo crescia ao som do “eu acredito” gritado pela galera.

NO PALMEIRAS EM 2016


Com Cuca, o Palmeiras conquistou em 2016 um título que já não vinha desde 1994. Como se não bastasse, o técnico ainda quebrou tabus importantes em sua primeira passagem pelo clube: o Verdão voltou a vencer o Corinthians no Pacaembu após 20 anos (no Paulista), bateu o Sport em Pernambuco depois de sete anos, superou o Atlético-PR em Curitiba depois de oito anos e venceu o Internacional no Beira-Rio depois de 19 anos.

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11 comentários

  1. A torcida merece esse título, tomara que o Cuca consiga esse feito, contra tudo e contra todos.
    Vendo a final da Copa do Brasil Sub-20, no Morumbi, 4 x 0 nas galináceas, e daquele time, Luan e Igor Gomes subiram, sabem qual o BB gosto de ser campeão pelo SP. Só lamento por não terem segurado o Gabriel Novaes, eu tenho certeza que ele seria o reserva do Pablo, e não jogaria menos que o Carneiro, não passaria em branco.

    https://m.youtube.com/ watch?v=4X8tlpsw4wU

    • Amigo, estava pensando nisso agora. O Novaes seria o centroavante que precisávamos para o jogo passado.
      Uma pena que a diretoria se desfez dele, Tuta e outros a qualquer custo.
      Abraços.

  2. Novaes e Paulo Boia, doía atacantes emprestados.
    Toro e Fabinho, dois aqui no tricolor.
    Quatro atacantes que podem dar certo, além do Brenner.

  3. Pablo está fora. Se Liziero puder jogar, poderia tentar o Hernanes no lugar do Pablo. Pelo menos o profeta é bom de finalização.

  4. O Departamento Médico do São Paulo já deveria ter sido trocado faz tempo.

    Dr Sanchez faz hora extra lá.

    Como pode um jogador ficar 3 semanas fora, por dores na panturrilha, sem diagnóstico de qualquer lesão ?

O São Paulo precisa de nós! Vamos apoiar!