Para conhecermos melhor o novo analista de desempenho, nada melhor que ver a forma como o profissional enxerga o meio e sua posição.

Em entrevista para o FC Futebol, Carlos Vargas informa o que acha, o que é necessário, a interface com o treinador, importância e o mercado de analistas:

Link Original: http://fcfutebol.com/index.php/2016/10/24/entrevista-carlos-vargas-analista-de-desempenho/

Quais são as atribuições do analista de desempenho?

O analista de desempenho é o profissional responsável por fornecer informações que auxiliam a tomada de decisão da comissão técnica, gerência e diretoria de futebol. A análise de desempenho atua principalmente na análise da própria equipe, análise de adversário e prospecção de atletas utilizando aspectos qualitativos e quantitativos.

Qual a formação necessária para exercer essa função?

Atualmente não existe uma formação específica para atuar na área, existem profissionais formados em educação física, esportes, administração, estatísticas, entre outras, além de cursos promovidos por diversas empresas. O mais importante é o conhecimento de diversos conteúdos relacionados a análise de jogo, dentre estes estão os momentos e fases do jogo, modelo de jogo, princípios, plataformas táticas e estratégia, características das posições, noções sobre preparação física, treinamento técnico-tático, estatísticas, história e evolução do futebol, além do conhecimento de diversas tecnologias.

Existe diferença entre fazer análise de jogos da equipe e dos adversários para quem faz estatísticas individuais de atletas?

Sim, as estatísticas individuais dos atletas, análise quantitativa, são dados importantes dentro de uma partida e que refletem uma parcela do desempenho, porém, a utilização isolada dessas estatísticas podem nos levar a falsas conclusões, já que muitas vezes não traduzem ou explicam o real motivo de determinado evento, portanto torna-se essencial a associação da análise qualitativa, padrões e irregularidades relevantes, com a análise quantitativa, estatísticas individuais e coletivas, buscando entender o desempenho apresentado pela equipe.

Como o analista deve se relacionar com o treinador para que este não ache que o analista está tentando determinar a forma de jogar ou a escalação em função da sua análise?

É imprescindível que o analista tenha ética, respeito e o feeling do momento oportuno para expor seu trabalho e a forma de apresentá-lo para que o treinador tenha plena confiança que se tratam de informações que irão complementar sua tomada de decisão, passando a respeitá-lo e integrá-lo como um membro atuante da comissão técnica.

Você acha que os clubes de alto rendimento que não possuem analista de desempenho estão defasados?

Sim, a análise de desempenho é um caminho sem volta para o futebol brasileiro, visto que na Europa essa função está consolidada a anos, sendo uma importante área que com certeza contribuirá para evolução do futebol brasileiro na melhora do jogo e diminuição dos erros em contratações de jogadores.

Qual a importância da análise de desempenho nas categorias de base? Como esse profissional pode atuar na formação de atletas?

A análise de desempenho nas categorias de base visa ir além da análise da própria equipe e adversário. Sua principal função é avaliar e monitorar o processo de formação do futebolista quanto aos conteúdos técnico, tático, físico e psicológico e o desenvolvimento ao longo dos anos.

Portanto, trata-se de acompanhar a evolução ou estagnação do desempenho do jovem futebolista e o processo ensino-aprendizado-treinamento, permitindo a intervenção no processo.

Como você vê o mercado atual da análise de desempenho?

Vejo como um mercado promissor e que com certeza terá cada vez mais reconhecimento e credibilidade em relação a comissão técnica e direção, visto que essa função vem recebendo bom destaque na mídia e aumentando o número de profissionais contratados pelos clubes. Vale ressaltar que todos os clubes da série A e B tem no mínimo um analista de desempenho, contudo são poucos os clubes que possuem departamentos estruturados com quantidade adequada de profissionais, computadores e softwares para poderem desenvolver um trabalho completo, além de oferecer uma remuneração justa pelos serviços prestados, algo que esperamos que melhore com o tempo e junto com a evolução do futebol brasileiro.

Qual a sua visão sobre o futuro da análise de desempenho no Brasil?

A tendência será o analista de desempenho ser um membro cada vez mais atuante na comissão técnica fornecendo informações sobre o desempenho da equipe, adversário, acompanhando treinamentos, participando de reuniões com a comissão técnica e gerência, assim como ter um peso importante ao fornecer análises sobre possíveis atletas contratados e montagem do elenco.

Quais dicas você daria para quem quer ingressar nessa área? Existe um caminho a seguir?

O primeiro passo é a busca da capacitação profissional por meio da leitura de livros, artigos científicos, sites especializados, participação em cursos e congressos, ver constantemente partidas de diferentes países para, posteriormente, praticar e divulgar o trabalho realizado em blogs, sites, assim como oferecer uma amostra por determinado período de tempo do serviço a ser realizado para treinadores e clubes como forma de adquirir experiência e contatos para a inserção no mercado de trabalho.

*Carlos Vargas é Bacharel e Licenciado em Educação Física pela FMU; Iniciação Científica com Futebol; Pós-Graduado em Fisiologia do Exercício pelo CEFE/UNIFESP; Árbitro pela Federação Paulista de Futebol; Participou do Programa de Qualificação de Treinadores (licença “C”) e Análise de Desempenho promovido pela CBF; Pesquisador e Membro do Grupo de Estudos de Futebol e Futsal da USP; atuou como Estagiário no Grêmio Barueri sub-17; Preparação Física no Esporte Clube Osasco; Analista de Desempenho do Taboão da Serra para a Copa SP 2016 junto com o treinador Fabio Cunha e atualmente, deixou a vaga de Analista de Desempenho da equipe profissional do Sport Club Corinthians Paulista pelo São Paulo FC.