Inter e São Paulo se enfrentam às 16h deste domingo, no Beira-Rio, em um confronto direto pelo topo do Brasileirão. Os dois times, porém, levam a campo semelhanças que vão além da proximidade na tabela: com estilos de jogo parecidos, ambos superaram as expectativas de suas torcidas e agora buscam retomada para seguir na briga pelo título.

As duas equipes chegam à 29ª rodada colados na classificação – o Colorado é vice-líder com 53 pontos, enquanto o Tricolor é quarto, com 52. Consolidadas na parte de cima, ocupam postos um tanto surpreendentes, dadas as expectativas alimentadas no início do ano. Mas também já viveram momentos melhores. Antes líderes, Inter e São Paulo tiveram momentos de oscilação na competição.

A similaridade também ecoa nos estilos de jogo das equipes de Odair Hellmann e Diego Aguirre, com características de combatividade e intensidade na marcação e nas transições ao ataque, além da construção de jogadas ofensivas. Dois números evidenciam as semelhanças:

Roubadas de bola:

Inter: 537 (média de 19,1/jogo) – líder no quesito
São Paulo: 519 (média de 18,5/jogo) – 3º no quesito
Bolas levantadas:

São Paulo: 490 (17,5/jogo) – líder no quesito
Inter: 426 (15,2/jogo) – 4º no quesito
O Colorado abriu a temporada de retorno à elite nacional com investimentos reduzidos e foco total em garantir a permanência na Série A e, a partir daí, tentar buscar coisas maiores, como a vaga na Libertadores. O primeiro semestre com eliminações no Gauchão e na Copa do Brasil reforçou este sentimento, contornado “jogo a jogo” pela equipe.

O Inter até patinou nas primeiras rodadas, com quatro pontos em quatro jogos, e fez o treinador balançar no cargo. A guinada colorada para brigar pelo título começou a tomar forma no empate por 0 a 0 com o Grêmio. A partir de então, o clube gaúcho consolidou o estilo de jogo combativo que o alavancou ao topo da tabela.

A equipe chegou a um total de 10 jogos seguidos de invencibilidade, entre a 6ª e a 14ª rodadas, e deixou as cercanias do Z-4 para se consolidar no G-4. Nem a derrota para o América-MG, no Independência, freou a equipe, que se recuperou e enfileirou mais nove partidas invictas até tomar a liderança do São Paulo na 23ª rodada. O reinado foi estendido com vitória por 1 a 0 no Gre-Nal, mas durou pouco.

Assolado por desfalques recentes de peças-chave como Rodrigo Moledo, Víctor Cuesta e Edenílson, o Colorado oscilou nas últimas quatro rodadas, com apenas quatro pontos. O retrospecto fez a distância para o líder Palmeiras subir para três pontos. Mas o contexto fica fora das projeções de Odair para o confronto direto.

– Se São Paulo ou Inter precisam de elemento a mais para entregar a vida, está tudo errado. Precisamos de elemento nenhum a mais. Vamos ter o mesmo comprometimento, a mesma entrega, o fervor do Beira-Rio em todos os jogos. É isso que a gente precisa repetir. É clássico de times grandes. É vida, meu irmão. Até o juiz apitar, não vamos parar de correr para buscar a vitória. Independentemente do último jogo – afirma Odair Hellmann.

Aguirre quer reação imediata

A trajetória é semelhante do lado rival colorado. O começo de temporada irregular, com eliminações no Paulistão e na Copa do Brasil, manteve o São Paulo longe da lista dos favoritos ao título do Brasileirão. Os mais otimistas até colocaram o Tricolor como aspirante a uma vaga na Libertadores, mas nunca com chances de ser campeão.

Rodada a rodada ou “jogo a jogo”, como gosta de dizer o técnico Diego Aguirre, o São Paulo mudou de patamar. Engatou uma sequência de empates no primeiro turno, mas antes da pausa para a Copa do Mundo mostrou que poderia fazer frente aos principais concorrentes.

Rodadas na liderança

Inter: duas (23ª e 24ª rodadas)
São Paulo: oito (17ª, 18ª, 19ª, 20ª, 21ª, 22ª, 25ª e 26ª rodadas)
Nas 12 rodadas realizadas antes da Copa do Mundo, o Tricolor teve bom desempenho e conseguiu terminar essa etapa com 23 pontos, na terceira colocação. No retorno após o Mundial da Rússia, o São Paulo teve sua sequência mais difícil, mas também mais vitoriosa. Venceu o então líder Flamengo, o rival Corinthians, perdeu do Grêmio, é verdade, mas se recuperou rapidamente contra o Cruzeiro e deu uma arrancada para a liderança, conquistada na reta final do primeiro turno.

Só que veio o returno, e as coisas mudaram. Assolado por desfalques, em especial o de Everton, destaque do time no primeiro turno, o Tricolor caiu muito de rendimento. De 71,9% de aproveitamento na primeira etapa, o São Paulo caiu para 40,7%. Em nove partidas, são apenas duas vitórias – mais cinco empates e duas derrotas.

No ambiente interno do clube, todos ainda acreditam na recuperação do time. Mas a partida contra o Inter, um rival direto nas primeiras colocações, é tratada como fundamental para uma reação para seguir na briga pelo título.

– Estamos em um momento de resultados que não são os que esperávamos. Temos que rapidamente voltar a treinar e depois olhar para o próximo jogo, que é importantíssimo, em Porto Alegre, com o Inter. É tentar ganhar, isso é imediato – disse Aguirre.

Além do confronto direto, Inter e São Paulo unem forças para “secar” o líder Palmeiras contra o Grêmio, atual quinto colocado, no mesmo dia e horário, no Pacaembu. Se o Verdão vencer, a equipe que sair derrotada no Beira-Rio pode se distanciar de vez do topo, com seis pontos de desvantagem no caso colorado e sete no caso paulista. Uma vitória somada a um tropeço palmeirense, porém, acirra de vez a briga pela taça.

GE