Só marca, quem chuta!

Amigos tricolores.

O São Paulo está caminhando para o titulo do Brasileirão de 2018. Não será fácil, mas como torcedor apaixonado eu acredito até o último minuto do último jogo. Se há 1% de chance, haverá 99% de esperança. O time encaixou, apesar das principais peças estarem devendo, mas não falta raça. Nem todos os jogos, jogaremos bem, tal qual nem sempre que jogarmos mal vamos perder, como nem sempre que jogarmos melhor que o adversário vamos ganhar. Isso é a lei do futebol. Nada que possamos fazer.

Porém, nos últimos jogos, o São Paulo não tem jogado bem. Aguirre tenta, muda o time, faz mudanças, durante o jogo que quase sempre dão certo, porém haverão jogos em que nada dará certo. Por exemplo, eu tive a honra de conversar por diversas vezes com o Dr. Sócrates, enquanto esse era cliente, da uma empresa que eu era gerente de marketing. Ele sempre me dizia, que em 1982, Brasil X Itália, se o jogo durasse mais 3 meses, o Brasil não venceria. Coisas do futebol impossíveis de serem explicadas, mas é algo que “os Deuses do Futebol” preparam para ter “aquela emoção”.

Não podemos ser campeão no 1X0

O São Paulo não é time pequeno e corrupto que vence campeonato ganhando jogos por 1X0. Somos um time que tem as 2 maiores goleadas em finais de Libertadores, só por isso, já temos que entender que o São Paulo é time para ser campeão jogando bem e fazendo muitos gols. Na década de 40, por exemplo, o São Paulo era conhecido como “Rolo Compressor”. Comandado por Leônidas, Remo, Teixeirinha em 1944 aplicou a sonora goleada de 9×1 frente ao Santos e outra, em 1946, de 5X1 frente ao time da Marginal sem número e sem estádio. Meu avó dizia que a torcida sabia que o São Paulo faria 4 gols por jogo, não importando quem era o adversário. E o Sr. Severino, viveu essa época, ia aos estádios, torcia pelo nosso Tricolor.

Futebol de hoje não é o mesmo…

OK, isso todos nós sabemos. Quando temos como grande nome do futebol nacional, Neymar, não projetamos um futuro promissor ao futebol, quando em nossa seleção há Cassio, Fagner, William, Renato Augusto, Malcom, deixando de lado Hernanes, Lucas Moura, David Neres, Fábio e Wanderley, sabemos que não há mais tanto talento como tínhamos há alguns anos, onde poderíamos montar um ataque, da seleção, por exemplo, com Muller, Edmundo, Djalminha e Romário.

Triste realidade. Isso, só fez com o nosso futebol tenha perdido a graça e talento. “Moleque” se destaca, é vendido com 16, 17 anos. Lucas Moura, Lucas Evangelista, Luiz Araújo, David Neres, isso para citar apenas o São Paulo, mas ainda há os casos do Vinicius Jr e Rodrygo também. O futebol tem perdido seu glamour, talento e está esse futebol de resultados que vemos hoje. Infelizmente, ganhar de 1X0 está virando goleada, mas eu, como torcedor apaixonado, que vi grandes craques em campo, ainda sonho com um futebol melhor para o meu São Paulo.

Insatisfeito com o que vejo

Podem me xingar, criticar, dizer que eu sou modinha, mas para mim, modinha é quem não tem opinião. O São Paulo tem vencido os jogos, está entre os primeiros da competição a diversas rodadas. Esse resultado, indiscutível, até porque se trata de uma reação de um time, que há exato 1 ano atrás, estava correndo para não cair, que cantava nas arquibancadas “Time grande não cai…” e realmente não caiu.

Nesse quesito, a superação foi linda e, se Deus quiser, e tudo der certo, será coroada com o nosso 7o título nacional, em 2018, porém, os 90 minutos do São Paulo, ultimamente, tem sido sofríveis. Respeito quem não concorda comigo, mas essa não é uma isolada opinião.

Eu sempre assisto aos jogos de olho nos grupos de WhatsApp que participo. Eles me ajudam a entender o sentimento do torcedor, assim como, às vezes, quando não posso estar na frente da TV ou no estádio, acompanho por ali, com os torcedores dando a sua opinião sobre o jogo. Nos últimos 3 jogos, era quase unânime: está feio ver o time, dá sono!

Time não está completo

Até concordo. Por exemplo, escrevo esse artigo logo após o empate com o América-MG. Quase 45 mil torcedores no estádio. Sábado de sol, de muito calor, dia ótimo para ir ao estádio. Dei aula até 15h, cheguei em casa no começo do jogo. Assisti inteiro e confesso, deu muito sono! O São Paulo é só toque de lado, não tenta um drible, uma jogada diferenciada, um chute. É toque de lado e cruzamento, toque de lado e cruzamento. Quando não é isso, são sustos que passamos com o nosso “goleiráço Sidão-seleção”.

Não tivemos Bruno Peres, Rojas e Everton, verdade, Rodrigo Caio voltou ao time – e até que bem – Lizieiro jogou ao lado de Reinaldo, que foi mais um ponta. Contra o time da Lava Jato isso deu certo, hoje nem tanto. Faltou velocidade, essa dada por Rojas e Everton. O Everton Felipe, tentou, mas esse ainda não mostrou a que veio. Vamos dar mais um tempo a ele.

Quem não chuta, não marca

O fato é que o São Paulo precisa agredir mais, tentar mais, investir mais no ataque. A famosa “chapada do Nena” que virou uma sadia brincadeira da torcida – eu mesmo brinco direto com a minha filha que o gol sairá da chapada – não a vemos mais. Ninguém chuta! Ou quer entrar dando trombada com a defesa, como o Diego Souza, ou fica nos cruzamentos, que de a cada 10, cerca de 1 ou 2 caem na cabeça do Diego Souza, o resto é tudo para consagrar a defesa adversaria!

Nenê e Diego Souza tem um “pé calibrado”. Mas cadê? Até as faltas o Nenê está errando! Hudson, Reinaldo, Rojas, ninguém chuta ao gol. O que eu conheço de futebol é que só se faz gol, se chutar. Eu me lembro, em 2005, o técnico era o Leão e ele dizia que o São Paulo tinha meta de chutar 20 bolas ao gol por jogo. Se eu fosse o Aguirre eram 30 chutes, média de 1 chute a cada 3 minutos de jogo. Se dos 30 chutes, 30%, ou seja, 9 forem no gol, o São Paulo marca 2 a 3 gols por jogo. Depois é torcer para Sidão não deixar entrar nada e a vitória vem, com a cara do São Paulo, jogando bem, para frente, goleando

Acabo de ler uma mensagem no Twitter do Luiz Megale, jornalista da Rádio Bandeirantes que não esconde sua paixão pelo São Paulo e que está sempre postando fotos nas arquibancadas do Morumbi “Faz umas seis rodadas que o SPFC não faz um bom jogo. Uma hora algum adversário vai ganhar duas seguidas e pimba!, já era o hepta”. E infelizmente, ele está certo!

*Felipe Morais. Publicitário, apaixonado pelo São Paulo Futebol Clube. Sócio da FM Planejamento, Palestrante sobre marketing digital, comportamento de consumo e inovação. Autor dos livros Planejamento Estratégico Digital (Ed. Saraiva) e Ao Mestre com carinho, o São Paulo FC da era Telê (Ed Inova) – www.livrotele.com.br – facebook.com/plannerfelipe e @plannerfelipe

 

 

20 comentários

  1. Onde assino?!… Muito bom texto do Felipe Morais… Expõe, cirurgicamente, as mazelas do futebol (???) praticado pelo SP, nos dias atuais (e isso vem de há muito tempo…)… Nem tenho muito a acescentar… O retrato nu e cru do nosso futebol… Não só do SP, frise-se… Esse marasmo sem fim predomina em todo o futebol brasileiro… Jogos de dar sono… Vendo Liverpool x Chelsea, esta semana, pela Copa da Liga Inglesa, na ESPN, ocorreu uma defesa daquelas “impossíveis” de um dos goleiros, e este levantou de imediato, vibrando feito doido, festejado pelos seus companheiros, o escanteio já prestes a ser cobrado… Sabem o que ocorreria, se o mesmo lance ocorresse por aqui?!… O goleiro teria uma “contusão fantasma”, fruto da queda ocorrida após sua defesa, rolaria pra cá, rolaria pra lá, pediria que o massagista entrasse em campo, jogasse aquela “água mágica” em sua panturrilha, faria “cara de coitado”, enfim, lá se iriam, com certeza, 3 minutos de jogo perdido, fruto da visível cera… Tempo computado para acréscimos, pelo árbitro?!… 30 segundos, se tanto… Mais do que tudo, é já um problema “cultural”, impregnado em todo o nosso futebol… Técnicos que não colaboram, um querendo ser “mais esperto” que o outro… Todo mundo jogando atrás da linha da bola, dando “rabos de arraia”, uns nos outros, à espera de uma “bola bandida”, que lhes proporcione o 1 x 0 no placar… O qual, quando ocorre, é defendido como se fosse já uma goleada… Então, é um festival de “0 x 0”, “1 x 0” e “1 x 1” predominando em praticamente todos os jogos… Daí, vemos os jogos da Liga Inglesa (qualquer um…), e dá até vontade de chorar, ao assistir um jogo do nosso futebol tupiniquim… Ou, como diria o Gerson “Canhotinha de Ouro”, assistir pela octacentésima vez à mais uma exibição de “O Poderoso Chefão”, enquanto o jogo, supostamente, rola… Para melhor ilustrar, transcrevo, abaixo, parte do texto, por mim publicado, ontem, na matéria que versava sobre a possível negociação, por parte do Porto, do Militão, já em vias de ocorrer:

    “Assistiram ao Linha de Passe, ontem, na ESPN Brasil?!… Eu assisti a uma pequena parte, mas o suficiente para ver, e ouvir, o Juca Kfouri dizer exatamente o que venho dizendo, há, pelo menos, uns oito anos, por aqui… Também sou do tempo em que o Hazards, os Messis, os Cs. Ronaldos desfilavam seu futebol por aqui, em campos tupiniquins… Vi, ao vivo e em cores, Pedro Rocha, Rivelino, Ademir da Guia, e o estratosférico Pelé, que seria até covardia compará-lo a quem quer que seja… Isso só para citar alguns… Vi times belíssimos… A Ponte Preta do início dos anos 70, a Lusa de Enéias e Cia., a máquina do Flu de 75 / 76, o Corinthians (porque não?!) de 77, alcançando o título paulista, na raça, em cima da Ponte Preta de Oscar, muito mais time, assim como o SP o era, em 1990, na disputa do Brasileirão daquele ano… Veio o SP de 91 a 93, cheio de craques, mas também “recheado” de carregadores de piano, o time jogando por música, sob a batuta do grande e inesquecível Telê… O time não era só craques… Os tinha, mas tinha dois ou três um pouco acima da média, mas também outros medíocres, mas lutadores, como Adilson, Ronaldão, Pintado… Enfim, um time, azeitado, gostoso de se ver jogar… Como a Lusa de 73, a qual meu pai gostava de ver, e chegou a me levar para ver, com ele… Ambos, nós, sãopaulinos, lógico… Lusa x Ponte era um jogo mágico, lindo de se ver, ainda mais para quem não torcia para nenhum dos dois times… Onde eu quero chegar?!… À mesma conclusão do J. Kfouri, ontem: quem viu o que eu vi, em termos de futebol brasileiro (com especial predileção pelo SP, óbvio…), não pode, e não vai, se conformar em ver a esse futebol “chinfrim”, que vemos, nos dias atuais… Repetindo algo que já disse, também, por aqui: depois de eu me acostumar a degustar presunto serrano cru, não tem como me habituar a esse trivial pão com mortadela, por mais saboroso, reconheço, que este seja… Fazer-se o que, se “há gosto para tudo”…”… SMILE TADEU.

  2. Caraca se tivéssemos o Neres e o L. Araújo na reserva do Rojas e do Everton hoje, teríamos disparado na liderança. Que pena esses meninos fora do SPFC sem ter tido o mínimo de história aqui, estão voando lá fora.

  3. O Pelé se tivesse aparecido este ano no SFC, só jogaria uma temporada. Nada de sua história no clube. É a lei Pelé. O ex-prodígio criou uma lei para os clubes não poderem usufruir de suas revelações.

  4. Momento PVC: os próximos 02 jogos fora de casa serão contra adversários que não vencem a gente, em seus domínios, desde 2012. É mais um tabu para se manter.

  5. O time do SP está sendo reconstruído. O elenco do SP está sendo reconstruído. O Futebol do SP está sendo reconstruído.

    A reedificação do modelo de organização e exemplo de gestão de outrora, transpostos os desmandos das recentes e nefastas gestão vividas, é sabido, vem ressurgindo apenas e tão somente em decorrência do Projeto de Reconstrução adotado nesse novo momento que vivemos.

    Pouco tempo de mudanças e reposicionamentos implementados por essa nova e responsável diretoria de futebol liderada pelo Raí.

    Que equipes tem se destacado com um nível de futebol muito superior, de qualidade e bem mais vistoso e empolgante que o nosso?

    Claro que também não nos contentamos com os desempenhos e qualidade dos jogos que temos visto.

    As próprias carências e também as deficiências do elenco e time, a falta de talentos de criação, de alternativas e opções para as laterais e setor ofensivo para suprir as ausências disciplinares e físicas em um elenco ainda em formação precisam ser consideradas.

    Ainda estamos na liderança, a despeito de tudo e de todos.

    Tivéssemos vencido o América, o Paraná e o Fluminense (a despeito do erro absurdo da arbitragem), somaríamos mais seis pontos.

    Sete pontos a mais que o Palmeiras e o Internacional, nove a mais que o Flamengo, dez a mais que o Grêmio, quinze a mais que o Atlético MG.

    E é dessa forma que devemos enxergar o copo quase cheio.

    • Convenhamos, Carlos, que, sem esses seis pontos, citados por você, é difícil enxergar o “copo quase cheio”… Abraço!… SMILE TADEU

  6. Esse centroavante “Se” deve ser da mesma linhagem do Careca, cairia como uma luva no nosso time. O time caiu de produção após o final do 1º turno e agora está sem muita confiança, pra recuperar, seria necessário umas duas vitórias nos próximos jogos e jogando bem.

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