Os grandes homenageados do São Paulo FC

Amigos tricolores

O último dia 07/08/2018 para mim, foi mágico! Estive bem próximo a jogadores que para mim são Deuses, afinal, a grande maioria que lá estava conquistou o mundo e transformaram o São Paulo Futebol Clube no único tri mundial e sem torneio de Verão para contabilizar! Eterno desespero dos outros times sonharem em ser o tricolor. #Nuncaserão

O São Paulo mostrou a sua grandeza na última 3a feira, criou um projeto que homenageia 100 atletas que fizeram história no tricolor! Alguns como Bellini, Mauro Ramos de Oliveira, Gino Orlando, Poy e King não estão mais entre nós, mas outros, sim: Rai, Zetti, Cafu, Denilson, Lugano, Muller, Pita, Silas, Careca, Mineiro… foram muitos. Técnico apenas Muricy, mas porque foi jogador. Há um outro projeto, que será focado apenas para os técnicos, que em breve será lançado.

 

As fotos você pode conferir na Fan Page do Livro do Telê Santana:

https://www.facebook.com/pg/aomestrecomcarinhotelesantana/photos/?tab=album&album_id=1124191831052104

Placas no chão: respeito!

A mais famosa das calçadas da fama, em Hollywood, possui estrelas no chão com nome e autógrafo dos grandes nomes do cinema. E por que no chão? Porque para você ver é preciso curvar a cabeça, o grande sinal de respeito.

 

No São Paulo a ideia é similar, no centro da estrela, há uma foto do homenageado. Isso até gerou uma brincadeira do sempre piadista Muricy Ramalho, que em tom de brincadeira, reclamou de terem usado uma foto recente e não de quando jogava, “quando ele tinha cabelo”. Obviamente arrancou sorrisos de quem estava a sua volta.

 

Escolha dos ídolos

Em primeiro lugar é preciso dar os parabéns ao São Paulo Futebol CLube pela festa e em especial ao Sr. Itagiba Francez e Sr. Homero Bellintani Filho, conselheiros e idealizadores do projeto, que fizeram sair do papel para ser executado. Parabéns a esses nobres São Paulinos!

 

Segundo Sr. Homero, ele enviou uma lista para ser votado com 151 nomes. Via canais digitais, eu mesmo votei, sócios, diretores, conselheiros votaram. Os campeões de 1992, 1993 e 2005 foram um pedido do presidente, pela importância dos títulos que conquistaram, América e Mundo e claro, pela enorme importância desses “monstros” que honraram o manto tricolor.

 

Alguns torcedores, podem achar que isso vai ferir outros jogadores, já estavam no dia seguinte reclamando de alguns que não estavam na lista, afinal ganhando títulos, ou não, todos que passaram pelo São Paulo tem a sua importância, porém quando se fala de futebol o que importa no final são títulos e claro que aqueles que foram protagonistas de muitos deles como Raí nos mundiais, Rogério Ceni em 2005 ou Careca e 87 por exemplo, tem mais peso junto torcida. Alguns nomes chegam a ser óbvios, como Raí, Zetti, Rogério Ceni, Careca, Müller entre outros jogadores que foram protagonistas de importantes títulos do São Paulo.

 

Estar lado a lado com os ídolos. Não tem preço

Eu tive a oportunidade, nessa terça-feira, de ir na tribuna de honra dos conselheiros estar ao lado de Careca e poder conversar com ele ao lado do meu pai, sobre aquela final de 87. Para mim, que tinha apenas seis anos na época, foi o gol mais emocionante da história de São Paulo. Eu me lembro, de estar na sala ao lado do meu pai e vê-lo pulando e comemorando muito com aquele gol, eu, com seis anos, pouco entendi naquele momento entretanto, quando já começava entender mais sobre o São Paulo e futebol entendi importância daquele gol.

 

Quando o DVD do soberano foi lançado, como São Paulino fanático obviamente eu comprei. Ao rever o gol, não contive as lágrimas, pois naquele momento eu entendi não só o que meu pai sentiu, mas como todos os são-paulinos naquele momento sentiram. Também com meu pai ao lado, tivemos a oportunidade de conversar com Pita e relembrar o golaço que ele fez contra palmeiras driblando seis jogadores e também da final de 86.

 

Não tenho palavras para descrever o que é ficar em uma mesa ouvindo Cafu, Válber, Vitor, Elivélton, Pita Muller, Fernando Casal Del Rey e Kalef João Francisco relembrando histórias de bastidores daqueles times. Ficar ao lado do Sr. Fernando Casal Del Rey e Müller ouvindo, por 40 minutos, histórias do Telê, que infelizmente não foram para o livro, pois eu não tive tempo de entrevistar o Sr. Fernando, assim como tantos outros que, depois do livro lançado, me procuraram com histórias tão legais, que sem exagero, daria um novo livro!

 

Era Telê e Menudos os mais homenageados

Denominamos de 6-3-3 essas duas gerações foram responsáveis pela grande maioria dos títulos mais importantes do tricolor. Em 1977 o São Paulo venceu o seu primeiro Campeonato Brasileiro. Dário Pereyra, na época, era meia esquerda, estava no time. Os outros títulos do São Paulo foram conquistados pela geração dos Menudos com gol famoso gol do careca já mencionado e um pela geração de Telê em 1991 com Ricardo Rocha, Antonio Carlos, Leonardo e Raí.

 

Depois, Muricy, conquistou o Tri Brasileiro com Hernanes, Miranda, André Dias, Aloísio, Rogério Ceni entre outros, que foram homenageados na Calçada da Fama. Aloísio Chulapa estava no evento e sem a menor sombra de dúvida foi uma grande atração pela sua enorme alegria. Quando falamos de Libertadores e Mundial, infelizmente a geração dos Menudos não venceu nenhum desses dois títulos. Em conversa com Pita, ele me disse o que muito São Paulino já tinha certeza que só foi comprovado: aquele time não ganhou a Libertadores porque naquela época a Libertadores não tinha importância para o futebol brasileiro como tem hoje, visto que essa importância só ganhou peso depois dos títulos de Telê

Muller abriu o coração sobre o mestre

O genial atacante foi entrevistado para o livro, claro, mas a conversa foi rápida devido a sua agenda, mas na ultima 3a feira, ele abriu o coração sobre o mestre e com grande carinho foi contando coisas que não pude publicar no livro, por não saber, mas publico aqui. Para ele, Telê não era autoritário, ele tinha autoridade, era respeitado demais pelos jogadores, diretoria e claro, torcida. Conhecia muito de futebol, foi o grande técnico com quem trabalhou e aprendeu. Ele não fazia treino tático, mas sabia extrair o melhor de cada jogador.

 

Para Muller, o mestre Telê tinha uma visão de futebol muito a frente eu sou tempo isso não é, não é segredo pra ninguém, está retratado no livro, mas há uma curiosidade e até inédito, pois em 4 anos de pesquisa e mais de 30 entrevistas ninguém me contou: Zetti perderia a vaga de titular para Alexandre, o ex-goleiro que infelizmente morreu de forma extremamente precoce em um acidente de carro, retratado no livro até como o grande Moraci Santana conduziu tudo.

 

Alexandre chegou ao São Paulo como quinto goleiro. Zetti era o titular, Marcos o segundo reserva, Rogério o quarto e Alexandre o quinto. Se eu não me engano, o terceiro era um goleiro chamado Paulo pelo que Muller falou, mas eu sinceramente, não me lembro deste nome. Em apenas 15 dias, Alexandre já era o terceiro goleiro na hierarquia Zetti primeiro, Marcos segundo.

 

Muller contou que Telê chamou Zetti e disse “daqui quatro a cinco meses o Alexandre será o titular do São Paulo. Zetti o Alexandre é melhor que você”.

 

Todos que entrevistei disseram que Telê era muito transparente, honesto e conhecia como poucos sobre futebol, por isso, era respeitado demais. Quando chamou Zetti e falou isso, claro que o goleiro ficou apreensivo, mas entendeu, pois Telê foi transparente. No livro eu conto, que nos “rachões” Alexandre era escolhido primeiro que Zetti. Muller confirmou.

 

Muller confidenciou que ele nunca tinha visto o mestre chorar, mas no dia em que Alexandre infelizmente faleceu não viu o mestre chorar, mas o viu algumas lágrimas e dizer: “obviamente a família perde um ente querido, uma pessoa de caráter, mas o futebol e principalmente São Paulo Futebol Clube perdem um fenômeno, um dos maiores goleiros que essa desse país teria visto”. Questionei a Muller se Alexandre não tivesse falecido se Rogério teria a carreira brilhante que teve no São Paulo, Muller disse que é muito difícil prever isso mas que com certeza Rogério Ceni não seria titular por tanto tempo uma vez que o próprio Zetti perderia o seu lugar para Alexandre.

 

Ricardo Rocha, respeito ao São Paulo

Um dos jogadores que mais fiquei conversando, foi o “Santo” ex-lateral Ronaldo Luís. Sujeito especial, humilde, brincalhão e bom de papo. Conversávamos sobre a época quando Ricardo Rocha passou nosso lado e o comprimento obviamente foi o momento que eu aproveitei para pegar um autógrafo tirar uma foto daquele que para mim, foi o maior zagueiro que o São Paulo já teve! Ronaldo me disse que no torneio da Espanha onde São Paulo jogou e ganhou por 4X0 do Real Madrid, Ricardo Rocha, que havia acabado de ser vendido não jogou aquele jogo. Anos depois ele confessou simulou uma contusão porque não queria enfrentar o São Paulo sabendo como o time “voava”. Em pleno estádio do Real Madrid, vitória por 4X0 no time titular do Real Madrid.

 

Relembrar é viver…

Foi muito legal ver de novo, lado a lado Antonio Carlos e Ricardo Rocha por exemplo ver em outra mesa Careca, Müller, Pita, Silas e Sidney, poder conversar novamente com Muricy Ramalho mesmo que por pouco tempo, conversar com Válber, Ronaldo Luís, Vitor, Elivélton e Nelsinho ex lateral. Foi sem dúvida uma noite mágica! Poder agradecer a Mineiro pelo gol do tri mundial e de novo agradeço o Alexandre Zanquetta que também estava no evento podemos conversar bastante.

 

Espero que você tenha sentido…

…toda a emoção que foi estar ao lado desses ídolos e como essa paixão pelo São Paulo tem que ser enraizada em nós torcedores porque como o grande Milton Neves fala: “torcer para o São Paulo uma grande moleza” vivemos, sim, uma fase extremamente difícil sem títulos, com ameaça de rebaixamento, com diretoria amadora, mas isso acabou!

 

Espero que a noite de ontem, por mais que nenhum jogador do elenco atual, estivesse presente e é completamente compreensível isso, uma vez que se presentes poderiam ser criticados por não estar em treinando descansando e sim uma festa o que pra mim é bobagem já que a festa era uma homenagem.

 

Espero que espírito que ontem tomou conta do do evento aonde Ricardo Rocha, Lugano e Raí estavam, ser possa ser repassado aos jogadores e que eles vistam a camisa com o mesmo amor e orgulho que os outros vestiam. Muller por exemplo, era o segundo maior salário de um jogador estrangeiro na Itália e abriu mão de muito dinheiro pra estar no São Paulo na sua volta no Torino. O próprio Muller, Sr Fernando Casal Del Rey que foi quem fez toda a negociação e confirmado pelo meu pai que aqui, no Brasil, ajudou na transação uma vez meu pai trabalhava no Banespa e foi o banco escolhido para a transação financeira.

 

Peço que o espírito de ontem faça com que os jogadores vistam a camisa do São Paulo com mais amor porque o que esses caras das eras de Minelli e Telê o fizeram e hoje 30, 40, 50 anos depois de terem se aposentado ainda estão no coração dos torcedores, são homenageados, todos querem tirar fotos. Ontem, por exemplo Terto, que não foi um brilhante jogador, mas foi extremamente importante, recebeu o mesmo carinho de Raí, Zetti Lugano, jogadores mais talentosos e mais vitoriosos, mas que tem a mesma importância para a história do São Paulo, que o faz ser o melhor time do mundo!

 

E por fim, que você, leitor(a) tenha sentido essa emoção, que minhas palavras o levaram a sentir esse espírito de ontem, a magia que foi essa noite!

 

*Felipe Morais. Publicitário, apaixonado pelo São Paulo Futebol Clube. Sócio da FM Planejamento, Palestrante sobre marketing digital, comportamento de consumo e inovação. Autor dos livros Planejamento Estratégico Digital (Ed. Saraiva) e Ao Mestre com carinho, o São Paulo FC da era Telê (Ed Inova) – www.livrotele.com.br – facebook.com/plannerfelipe e @plannerfelipe

23 comentários

  1. Texto emocionante e brilhante, só discordo o tocante ao Terto, onde diz que não foi tão brilhante .Ahhhj meu caro, depois de um jejum de 13 anos Terto foi um Deus, importantíssimo naquela conquista que, até hoje, arrancam lágrimas desses meus olhos toda vez que lembro daquela emoção .Até hoje tenho guardado o exemplar da “Gazeta Esportiva ” e da revista “Placar” publicados no dia seguinte da épica conquista. Naquele dia chorei tanto que quase dedidratei.

    • No jogo da entrega das faixas, 13/9/70, Paraná fez um golaço. Acompanhei pelo meu motorádio, narração do Flávio Araújo da Rádio Bandeirantes. O mesmo Curica que nos tirara o título 3 anos antes, ali estava novamente pra colocar as faixas no peito dos tricolores.

  2. Ta rolando um vídeo do Denilson emocionado agradecendo pelo nome dele na calçada da fama do SP… em uma das partes ele diz: “A sensação que eu tenho é de que está sendo curada uma ferida”

    Não discuto títulos nem números com torcedores adversários, nem vale a pena e só gera aborrecimento, mas se tem algo que o SPFC tem que os outros não tem e que me deixa orgulhoso é a ligação com seus ídolos…

    São muitos e como todos sabemos essa calçada teria que passar dos 200 nomes pra que não houvesse injustiça…

    Valeu Denilson, é um dos meus ídolos independente de qualquer coisa, dentro de campo honrou e destruiu inclusive diversas vezes nossos rivais… só alegria!!

  3. Terto,,, deve uma parte considerável da sua carreira, que o colocou ate na seleção brasileira a Gerson de Oliveira Nunes, o canhotinha de ouro,, o Gerson pegava a bola do Sergio na risca da área do São Paulo e lancava o terto na área adversaria, passes tao açucarados que era so chutar e sair pro abraço.. Lembro que o São Paulo trouxe uma dupla do náutico,, Miruca e Terto,, olha so o nome dos caras de antigamente..Mais e lindo uma festa dessas, resgata a historia, resgata o amor , e isso e o passado, pois hoje o jogador fica um ou dois anos no máximo na equipe, não da tempo de criar esse vinculo todo com o time,,esse tempo se foi. infelizmente.

  4. Seria bom se fizesse também para dirigentes e Homens influentes que ajudaram o SP ser o que é hoje. Muitos como Manoel Raymundo Paes de Almeida, Paulo Machado de Carvalho, Antonio Nunes Galvão, Henry Aidar, Monsenhor Bastos, Homero Bellitani e tantos outros.

      • Valeu mano, me esqueci do Elivelton, ou melhor do nome dele, o rosto me era familiar. Lembro dele em outros times, incluindo no time da minha cidade – São Caetano, mas não cheguei a ver ele jogando pelo São Paulo. Ele saiu em 93 do São Paulo, comecei a acompanhar futebol em 94 :/

  5. Zanquetta, confesso que não tenho muita paciência para ler textos longos… Mas nem percebi o tempo passar lendo histórias tão fantásticas!!!
    Parabéns, queria eu estar no mesmo lugar que você e me encantar com essas histórias.
    Texto perfeito e RICO em histórias.

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