A¬†coluna de hoje √© curta. √Č apenas uma p√≠lula de coragem.

O S√£o Paulo √© o clube da f√©!¬†√Č o time da moeda que cai em p√©! Clich√™? Sim. Mas preciso escrever. √Č um chamamento!

Pensando bem, as duas afirma√ß√Ķes, com suas respectivas exclama√ß√Ķes (voc√™ as ver√° aos montes hoje)¬†constituem um alerta. Antes, deveriam ser direcionadas aos nossos advers√°rios, hoje deve vir primeiro para n√≥s, torcedores. Culpa deste tempo tenebroso que vivemos (oxal√° viv√≠amos!), desta quase d√©cada perdida que fez erigir no¬†cora√ß√£o do Morumbi uma¬†usina¬†de consuma√ß√£o de esp√≠rito. Do nosso, no caso, que se esvaia como fuma√ßa branca a cada derrota.

O sofrimento caleja. E o calo √© o desd√©m, o desinteresse, o tanto faz. Eis que¬†por vezes me vi assim: desinteressado por estar cansado de tanto apanhar. E quando percebi a presen√ßa destes sentimentos, os esconjurei e os expulsei, exorcizei, como se o “eu” dentro de mim gritasse:¬†aqui, n√£o! F√©! Somos o clube da f√©! O¬†“eu” de¬†voc√™s¬†grita tamb√©m? O meu grita feito um condenado!

E toda tarde ou noite em que onze se perfilarem para entrar naquele gigante de concreto, que as m√°quinas¬†parem, que¬†o¬†mundo pare. E quem estiver presente, que tire os sapatos¬†de seus p√©s pois √© santo aquele lugar! E que tome posse da grandeza daquele momento,¬†do privil√©gio que √© ver aqueles sujeitos ostentando no peito o diamante que ri! √Č um alerta, de modo que eu n√£o estou falando, eu estou gritando!

Sobretudo porque h√° algo sendo constru√≠do, homens de verdade¬†trabalhando. Perder e ganhar s√£o ossos do of√≠cio,¬†entretanto¬†o modo como os fatos se sucedem definem a an√°lise. E at√© nossos √ļltimos revezes carregaram mais positividade do que¬†boa parte de nossas vit√≥rias nos √ļltimos anos.¬†Num¬†deles, vi dois dos nossos sentados na escadaria dos vesti√°rios, desolados, contritos, sentindo a dor da perda. N√£o era mais apenas os jogadores, √©ramos¬†n√≥s ali!

O S√£o Paulo hoje √© um time que sofre, no sentido mais ben√©fico que essa¬†express√£o possa ter. E isso tem me causado orgulho, esperan√ßa. Ainda mais em tempos ef√™meros, onde o “ol√°” j√° quer dizer “adeus”, sem apego, sem obras,¬†sem olhar pra tr√°s.

Ah, meus iguais… Quando nossa gente pegou a Av. Get√ļlio Vargas, em Curitiba, e foi em dire√ß√£o ao solo inimigo onde jamais triunfamos, numa cidade em que h√° trinta e seis anos ‚Äď EU DISSE TRINTA E SEIS ANOS!!! — n√£o ganh√°vamos, pela primeira vez a minha f√© foi maior que o meu medo. Meu pai me ligou antes da partida, como faz todas as vezes. E uma frase dele me impactou: “Eles n√£o ir√£o nem ver o que os vai¬†atingir.”O¬†termo est√° correto. Atingir! Hoje os onze n√£o s√£o apenas jogadores. Entram em campo com lan√ßas, escudos com espada embainhada, ar√≠ete e sanha por triunfo.

E não viram. Mais de noventa minutos de jogo, intervalo, quase uma semana de debates e eles ainda não sabem o que os abateu. Estão perdidos, desolados. Até os analistas de lá confundem os deles com os nossos, chamam Jesus de Genézio, Maomé de Moacir e Buda de Eduardo.

Eis que no dia 09 de junho de 2018, ante pouco mais de nove mil testemunhas, fomos, vimos e vencemos! E foi a fé dos nossos e a nossa neles! Tomaram aquela fortaleza, cravaram lá a nossa bandeira e colocaram na cabeça de todos algo que havia se perdido em relação ao São Paulo: respeito.

Agora, o alerta começa a mudar de lado: é para todo aquele que tiver o São Paulo pela frente.

Valei-nos, S√£o Paulo!