Líder do campo e da resenha, Nenê preenche vazio deixado por Hernanes

Parecia uma missão impossível, mas Nenê tem conseguido fazer o que o São Paulo esperava quando o contratou no início do ano: preencher a lacuna deixada pela saída de Hernanes, que retornou ao Hebei China Fortune após ser o craque do time do time no Brasileirão de 2017.

Ele é referência dentro e fora do campo, tem a confiança da comissão técnica e da diretoria, é são-paulino desde a infância, é o homem das bolas paradas… Os adjetivos que valiam para Hernanes valem também para Nenê. A preocupação que o torcedor tinha com o ídolo de 32 anos também tem se repetido com o camisa 7, que tem 36: será que vai aguentar a maratona de jogos? No que depender dele, que participou de todos os jogos do Brasileirão até agora, não há motivo para pânico:

– As pessoas nem imaginavam que eu estaria jogando como estou. Falo fisicamente, não falo nem em termos técnicos. Se eu poderia aguentar um jogo inteiro, dois jogos, quantos jogos seguidos eu poderia jogar… Eu gosto de demonstrar que as pessoas estão equivocadas. Parte da imprensa, da torcida, algumas outras pessoas… Graças a Deus estou demonstrando isso jogo a jogo e pretendo jogar os 38. O treinador que vai decidir. Claro que haverá jogos muito desgastantes, três jogos na mesma semana, mas por enquanto está tudo bem. Estou me sentindo bem, não estou sentindo nenhum desgaste fora do normal – disse Nenê, à ESPN.

Abaixo, entenda como o meia tem conseguido fazer a torcida lamentar menos a falta de Hernanes.

O craque do time

Acostumado a frequentar o banco de reservas com Dorival Júnior, Nenê consolidou-se como peça-chave do São Paulo com Diego Aguirre. Não à toa, participou dos 15 jogos do time com o uruguaio. Mesmo quando ficou no banco para descansar, entrou – contra Ceará e Paraná.

O Tricolor marcou 17 gols nestas partidas, sendo nove com alguma participação de Nenê. Ele marcou quatro (um contra o Corinthians, um contra o Atlético-PR e dois contra o América-MG), deu assistência para dois (Valdivia contra o Atlético-PR e Tréllez contra o Bahia) e iniciou as jogadas de outros dois (Diego Souza contra o São Caetano e contra o América-MG).

O aproveitamento do time nestas 15 partidas é de 53,3% (seis vitórias, seis empates e três derrotas). Considerando toda a temporada, Nenê participou de 25 jogos, com seis gols, três assistências e aproveitamento de 57,3% dos pontos (12 vitórias, sete empates e seis derrotas).

Hernanes disputou 19 jogos em 2017, todos pelo Brasileirão. Foram nove gols, três assistências e aproveitamento de 50,8% dos pontos (oito vitórias, cinco empates e seis derrotas). Esse índice, suficiente para livrar o time do rebaixamento, é inferior ao obtido por Nenê e companhia no Brasileirão atual: 61,9% (três vitórias e quatro empates).

Homem da bola parada

O torcedor do São Paulo não comemorava um gol de falta desde 9 de setembro do ano passado, no empate por 2 a 2 com a Ponte Preta. O autor foi justamente Hernanes, que também marcou desta forma diante do Cruzeiro. Nenê quebrou o jejum com o golaço que anotou diante do América-MG. O camisa 7 também converteu os dois pênaltis que cobrou no ano (contra Bragantino e América-MG). Hernanes fez três gols de pênalti em 2017.

O rei da resenha

Hernanes não foi só um líder técnico no São Paulo de 2017. Foi também uma referência fora de campo, como capitão. Nenê não se arrisca a filosofar como o Profeta, mas fala a língua dos boleiros como poucos no futebol brasileiro.

Ele é um dos maiores responsáveis por manter o ambiente do CT da Barra Funda, tão conturbado em diversos momentos dos últimos anos, sempre leve. Ao lado de Diego Souza, Reinaldo e Everton, ele é o rei da resenha são-paulina. Basta ver as comemorações dos gols de domingo – e os frequentes posts dos atletas nas redes sociais – para entender.

É são-paulino desde Nenê

Se Hernanes vivia mostrando uma foto em que aparecia, ainda bebê, deitado em um travesseiro com o escudo do São Paulo, Nenê nunca escondeu que era torcedor do clube na infância em Jundiaí. Ele já disse que um dos momentos mais especiais de sua carreira foi gravar uma matéria com Raí quando defendia o PSG, clube pelo qual o ídolo e atual diretor são-paulino também brilhou.

E faz profecia

Ao ser questionado sobre a responsabilidade de substituir Hernanes, logo em sua apresentação, Nenê se arriscou a fazer uma profecia.

– Profetizo aqui que será ano maravilhoso e darei máximo para suprir e fazer o que sei melhor.

Vai se concretizar?

L!

12 comentários

    • Pra quem duvidou, já está dando resposta. O futebol dele é esse aí.. bem responsável, sem se esconder e muito bom técnicamente. As assistências dele parecem passes com as mãos.
      Não é craque, nem goleador, mas pode ver que não vai oscilar.

  1. Espero que isso reflita para o, crescimento em Lucas Fernandes, Shaylon, Araruna, Boia, Bissoli, Brenner e nos demais garotos da base.

    • Ele foi bem na primeira passagem pela Ponte, foi campeão paulista pelo Ituano, mas a sua vinda para o Tricolor, pelas circunstâncias que aconteceu, com certeza, foi um erro para o clube, e tb para ele, que nunca mais teve um trabalho digno de nota…

  2. Li várias coisas pertinentes mas elas já deveriam ter sido ditas a mais tempo, quando em campo o time não estava correspondendo as críticas as contratações de Raí foram duras demais, futebol não é coisa simples e duvido muito que a maioria aqui entenda de gestão, o fato é que mesmo com seriedade e honestidade futebol é algo muito mais ligado a tentativa e erro do que algo cartesianamente factível! No meu pensamento torcida torce, fiscaliza e tem paciência, diretoria cria instrumentos para diminuir a quantidade equívocos com gestão séria, honesta e experiente e nessa seara comissão técnica e jogadores são os que realmente resolvem criando assim um ciclo virtuoso!

  3. RESPONDER
    jack27bcss
    29 DE MAIO DE 2018 ÀS 17:09
    Ciclo esse que envolve criação de conceito de futebol que marcará na prática o jeito de jogar do profissional e a divisão de base fundamentado na história do clube e no que a arquibancada entende como identidade do clube, pois a comunidade são paulina é tão importante quanto o clube, tirando o fato que somos brasileiros, impacientes e mal educados somos São Paulinos a vanguarda no futebol, sempre fomos assim, estádio, ct, tecnicos estrangeiros que modificaram o futebol brasileiro, projeto Tokyo, enfim letrados em ser primeiro mas sem soberba! Soberanos não! Desbravadores!

  4. Nene tem representado muito bem desde o jogo contra as frangas no Morumbi, hoje é o grande nome do SP, más a ausência do Hernanes não é suprida facilmente.
    Bom seria os dois juntos, ai sim, a Sul Americana seria muito mais provável de ser conquistada, espero que ele volte após a Copa.

  5. Só comentando o assunto anterior, é bem improvável essa do Militão. Enquanto ele é seguro na defesa, no ataque ele é horrível. Substituir Daniel Alves é piada. Se for é de Zagueiro ou volante.

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