Amigos tricolores

O São Paulo, sem dúvida, é o time que melhor se adaptou ao esquema 3-5-2 no futebol brasileiro. Muricy Ramalho, nos deu um tri-campeonato brasileiro nesse esquema e Paulo Autuori um mundial. Claro que na época a qualidade dos zagueiros era melhor, tínhamos (de 2005 a 2008) Miranda, Lugano, André Dias, Rodrigo e Fabão. Até o limitado Edcarlos não fez feio em Toquio, por exemplo. As duplas Mineiro e Josué e depois Richarlysson e Hernanes, davam uma proteção a defesa que ajudava demais.

Porque imitar os Europeus?

Renato Gaúcho, pode ter diversos defeitos, mas ele não foge a perguntas e está sempre pronto para expor a sua opinião e uma delas é real: Se o Brasil é o país que mais tem títulos mundiais e revela os principais jogadores, porque o futebol Europeu tem que ser o modelo? O campeonato Brasileiro é o mais difícil do mundo, é o único que tem 12 times potenciais campeões logo de inicio, coisa que na Espanha tem 45% de chance do Barcelona e 45% de chance do Real Madrid ganharem o campeonato. O resto é dividido em outros times. O Brasil imita a Europa, mas qual o motivo?

Números que confundem

É um tal de 4-3-3. 4-4-2. 4-1-4-1.4-5-1.3-5-2.3-4-3. E por ai vai. Muricy Ramalho, brinca, que isso não é tática e sim linhas de ônibus! E ele tem razão. Cada dia, a imprensa inventa uma sigla para ficar bonito. Teve até o “1” do Zagalo que jogava no 4-3-1-2 na sua seleção de 1998, se não me engano. E tudo isso para que? Sócrates, com quem tive a hora de almoçar por quase 2 anos seguidos, pelo menos 2 vezes por semana, me dizia que craque joga em todas as posições, para ele, era mais fácil colocar o goleiro e mais 10 e falar para os caras “joguem bola”.

 

Telê Santana, no seu 4-4-2, sem centroavante, ou na seleção sem os pontas que a imprensa inteira pedia, ganhou quase tudo e foi eleito, por muitos, o maior técnico de todos os tempos. Precisamos mesmo de tantos esquemas, siglas e copiar a Europa?

Por que mudar o que está indo bem?

Coincidência ou não, o São Paulo começou a regredir quando, em 2009, após ser eliminado pela 3a vez seguida na Libertadores, Muricy Ramalho saiu do São Paulo para a chegada do Ricardo Gomes. Ele até fez um bom trabalho, o São Paulo não foi tetra campeão seguido, porque naquele ano, ficamos a 2 pontos do campeão Flamengo. Ricardo, quis colocar a sua filosofia de jogo, mudando o São Paulo para o 4-4-2, algo que foi repetido depois, no máximo uma variação para o 4-3-3. Pode ser apenas uma coincidência, como disse no começo, mas é algo a se pensar.

Depois de Gomes, vieram quase 15 técnicos, até mesmo Muricy Ramalho voltou, mas nunca mais jogamos no esquema 3-5-2 e de 2008 até hoje, tirando a Sulamericana de 2012, não disputamos mais nada e podemos até agradecer o vice-campeonato de 2014 com um time, que se mantido e entrosado, em 2015 daria muitas alegrias: Kaká. Pato, Luis Fabiano, Ganso, Rogério Ceni. E Muricy no banco!

Em time que está ganhando, se mexe.

Muitas coisas ocorrem no futebol nacional que precisam fazer com que os técnicos mudem o tempo todo. Renato Gaúcho fala, que na Europa é mais fácil treinar um time, o técnico pede 4 ou 5 caras “fora de série” e os times – que tem grana para trazer e manter – buscam. No Brasil, um jogador começa a se destacar e já é vendido. David Neres que o diga.

Na Europa, o time começa com 11 jogadores e – salvo contusões – acaba com os 11. No Brasil o time do Campeonato Paulista é um, do Brasileiro é outro! Na Europa, o técnico fica anos no time, no Brasil, ficam jogos. Não tem sequencia de trabalho, e por mais que já esteja provado a importância de sequencia, perdeu 2 jogos, está na corda bamba. E isso ocorre em todas as divisões, um amigo, que treinava um time da série C, foi demitido com 2 derrotas em 2 jogos. Inicio de campeonato. Vai entender…

Torcedor-técnico

O que o Brasil mais tem são torcedores-técnicos. Aqui nesse blog eu me divirto vendo algumas brigas nos comentários dos posts de diversos leitores elegendo o melhor time do São Paulo. E está certo, o Brasil é o país, que tem 200 milhões de técnicos, que em época de Copa do Mundo, isso fica ainda pior, por isso, não posso perder a oportunidade de escolher, dentro do elenco de hoje, qual seria o meu time ideal para esse esquema de 3-5-2

Sidão

Arboleda, Rodrigo Caio e Bruno Alves

Régis, Jucilei, Reinado, Valdivia (Cueva), Nenê

Everton e Diego Souza (Brenner)

Forma de atuar

Sidão: Para mim, ele não é o goleiro ideal, mas ele não tem tanta culpa assim dos gols sofridos pelo São Paulo. Ele tem culpa em alguns, mas não em todos. O São Paulo perde e a culpa é sempre dele!

Rodrigo Caio: Muito criticado pela torcida, mas não vejo, também, ele o grande culpado de tudo. Está em uma fase ruim, mas acredito que seu estilo de jogo ele seria um bom líbero, pois tem uma boa saída de jogo e toque de bola.

Jucilei: Seria o “cão de guarda” da defesa, deixando Valdivia/Cueva e Nenê mais a frente, chegando mais perto dos atacantes

Valdivia, Diego Souza ou Cueva: Diego não é 9, mas quer jogar assim, pelo menos enquanto houver esperanças dele ir para a Copa do Mundo. Depois, ele pode cair na real e ver que seu papel é como meia, podendo, ao lado de Nenê exercer essa função mais pela direita. Por hora, o coloco onde ele quer jogar. Validiva e Cueva, no momento eu colocaria o Valdivia, Pokolindo, muito mais pela sua vontade frente a não vontade de Cueva, que sem dúvida, tem mais talento.

Enfim, eu acredito que o São Paulo possa voltar ao 3-5-2, que Aguirre tem até apostado, mas melhor do que jogar no 3-5-2, 4-3-3 ou 4-1-4-1 é voltar a termos títulos!

*Felipe Morais. Publicitário, apaixonado pelo São Paulo Futebol Clube. Sócio da FM Planejamento, Palestrante sobre marketing digital, comportamento de consumo e inovação. Coordenador do MBA de Marketing Digital e do MBA de Gestão Estratégica de E-commerce da Faculdade Impacta de Tecnologia. Autor dos livros Planejamento Estratégico Digital (Ed. Saraiva) e Ao Mestre com carinho, o São Paulo FC da era Telê (Ed Inova) – www.livrotele.com.br – facebook.com/plannerfelipe e @plannerfelipe