São Paulo, que se entrega com Aguirre, tem que entregar mais gols

Não dá para negar que a vitória do São Paulo sobre o Santos tenha sido “convincente”, como disse Diego Aguirre após o 1 a 0, na tarde de domingo. O placar é que não foi.

Os mais de 40 mil torcedores tricolores que foram ao Morumbi viram um time aguerrido – sem trocadilho com o nome do técnico –, desta vez do começo ao fim do jogo. E devem comemorar isso, porque a dedicação dos jogadores, principalmente na marcação, foi mesmo impressionante.

Só que a segunda vitória em seis jogos do único invicto do Campeonato Brasileiro correu risco de virar empate no fim. Contra isso, é este o próximo passo que Aguirre quer ver o São Paulo dar: finalizar melhor, fazer mais gols.

No mundo ideal, além do gol decisivo marcado aos 10 minutos do segundo tempo, Diego Souza teria feito outro, logo no primeiro minuto de jogo.

No mundo real, o São Paulo iniciará nesta segunda-feira a última semana reservada totalmente a treinos antes de encarar mais seis jogos pela competição nacional, sempre nos fins e meios de semana, até a parada para a Copa do Mundo. Então, Aguirre terá a intertemporada para mostrar onde o Tricolor pode chegar no fim do ano.

Primeiro tempo

O início do São Paulo foi alucinante. Jogando no campo de ataque, com e sem a bola, pressionou o Santos, que não conseguia passar do meio de campo. O domínio era tanto que até laterais e volantes participaram da blitz.

Quando a bola era perdida na frente, os jogadores do São Paulo não desistiam da marcação. Na imagem abaixo, quatro cercaram o adversário com a bola, enquanto outros dois bloqueavam as opções de saída:

Por causa dessa presença ofensiva, quando recuperava a bola, o São Paulo chegava a ter quase o mesmo número de jogadores na frente em relação ao Santos – o que não é comum, a não ser em contra-ataques. No lance abaixo, eram seis de linha do Tricolor contra apenas um a mais do Peixe:

A ideia foi bem executada, mas o resultado não apareceu no primeiro tempo por um problema recorrente neste São Paulo: a tão falada última bola, seja passe ou finalização. Perto da área, Diego Souza e Militão perderam chances claras e Marcos Guilherme e Everton foram mal nos cruzamentos. De longe, Nenê e Reinaldo até que arriscaram bons chutes.

Outro problema, este inevitável, foi a questão física: obviamente, não dá para jogar no campo do adversário o tempo inteiro. Compare os números da natural queda de desempenho:

Primeira metade do primeiro tempo:

  • Finalizações: São Paulo 6 x 1
  • Posse de bola: 61% x 39%

Segunda metade do pimeiro tempo:

  • Finalizações: São Paulo 3 x 1
  • Posse de bola: 52% x 48%

Segundo tempo

O Santos saiu mais na etapa final, equilibrando o clássico. Mas o São Paulo fez algo diferente para abrir o placar: aos 10 minutos, Everton caprichou no cruzamento, e Diego Souza cabeceou com precisão. Básico? Não para uma equipe que, após seis rodadas no Brasileirão, tem sete gols pró e cinco contra.

O que não mudou, e que também ajuda a explicar a vitória tricolor, foi a dedicação de todos os jogadores na marcação. Se a pressão não foi mais exercida em bloco – até porque ninguém aguenta aquele ritmo do começo do jogo –, ela continuou de forma individual, como com Hudson.

Por causa da vantagem e do cansaço, o São Paulo recuou. Mas, ao contrário de partidas anteriores, a aplicação tática e o esforço individual continuaram em alta. Mesmo marcando com o time quase todo atrás do meio de campo, como na imagem abaixo, o time perdeu duas chances de matar o jogo em contra-ataques, com erros de Everton e Nenê.

O Santos perder boas oportunidades de empatar, e Anderson Martins foi expulso pela segunda falta cometida para cartão amarelo. A partida terminou com o São Paulo ainda na frente nas finalizações (13 x 7), mas com quatro chances reais de gol para cada lado. Na posse de bola, uma virada: 58% para o adversário.

Entregar tudo em campo, como Aguirre exige, pode não ser sempre suficiente para vencer. No domingo foi. E a “vitória convincente”, depois de quatro empates no Brasileirão, pode ser um “ponto de partida”, segundo o próprio uruguaio. Se o São Paulo fizer o segundo gol – é evidente, até para o técnico, que é preciso finalizar melhor –, o caminho pode ser mais tranquilo.

GE

14 comentários

  1. Assim como o “se” não ganha jogo, o “se” também não perde. Então não tem essa história de “se o Santos empatasse”. Prefiro ser campeão ganhando de 1×0, 2×1 (assim como o Corinthians vem fazendo a anos) do que fracassar como fazemos a anos.

  2. É verdade, tem que fazer gols! E tem também que evitar expulsões, porque isso perde jogo.

    Alguém tem que explicar e falar duro aos jogadores que intensidade e disputa de bola são uma coisa, enquanto carrinho, solada no peito e botina no adversário são outras muito diferentes. As primeiras levam a ganhar o jogo, as segundas à expulsão e à perda da partida.

    Rodrigo Caio, Cueva e Petros foram expulsos contra o Rosário Central, lá e aqui, enquanto Anderson Martins foi contra o Santos. As quatro expulsões poderiam ser evitadas se houvesse mais controle emocional e mais futebol.

    É muita expulsão, muito jogador suspenso e muita lesão. Se continuar assim, vamos ficar em desvantagem e perder jogos importantes por ter jogador a menos em campo. O bom jogador tem que ter também controle emocional e jogar futebol – isso faz a diferença e ganha jogos. Aguirre – instrua a moçada!

    • Acho que isso é fruto da pressão emocional que estes jogadores estão vivendo, carregando o peso da derrota de elencos anteriores. SP está jogando muitos jogos no seu limite, como se fosse uma final. E quando estão ganhando por diferença de apenas 1 gol, bate aquele desespero misturado com cansaço devido aos traumas sofridos contra as gaivotas no paulista, poodles na copa do brasil e flor no brasileirão.

  3. Vejo que o Aguirre faz o que ele crê que é o melhor para a vitória, não acho ele um técnico ruim, mas acho que o são paulo precisa ter um preparo físico melhor pra apresentar o que ele pede. (E JAMAIS vou ficar feliz quando ver o são paulo entrando em campo com 3 volantes kkkk).

  4. O Diego Souza é um grosso e a prova disso foi no gol perdido no início da partida, mas infelizmente não temos banco. E o Sidão eu queria saber o que faz dele titular desse time?

  5. O são paulo mais que brigar por um titulo ou fazer grandes jogos . busca um retorno para o posto do grande clube que e . e esse novo trabalho esta se mostrando um ótimo ponto de partida . Não espero que seja tudo perfeito porque o caminho e difícil . vamos ter vitórias e derrotas .mais espero que o time continui a trilha e seja firme nessa jornada que começou com aguirre e que as coisas continui entrando nos eixos e evoluindo . e ter paciência e apoiar .

  6. Se tivessemos mais sorte (ou competência) teriamos feito mais gols. Se tivessemos tido menos sorte (ou o adversário mais competente), o santos teria empatado no final, num lance de falha do Sidao (num dos lances, neh?)
    Mas se isso ou se aquilo nao ganha jogo e nem vale de nada. Entao foi vitoria e nada mais.
    Diferente do q foram todos os programas esportivos q eu tive o desprazer de ver hj, precisamos olhar muito mais os meritos de nossa vitoria do que os problemas e motivos q fizeram o Santos perder.
    Nada está o ideal ainda. Mas quem sabe, olhando sempre pra nos e nao pros outros, nao chegamos no ideal? Eu acredito. Sempre!!!

Deixe uma resposta