Nascido em dia de conquista tricolor.

Sobrinho de jogador do mais querido.

Torcedor de arquibancada, frequente como poucos.

Costumava pegar ônibus na praça da Bandeira na região central de São Paulo.

Outras vezes, meu primo me pegava no metrô Liberdade e me dava carona.

Alguns anos depois, já de carro, arriscava estacionar nas ruas próximas ao Morumbi.

Na grande maioria das vezes, muito mal acomodado.

Sem condições de comer e sequer de ir aos banheiros, de tão precários.

Em diversos momentos vivi intensamente meu tricolor.

Na grande maioria deles em momentos de conquistas, ou, ao menos, de luta para elas.

Isto não me fez mais tricolor que qualquer outro que jamais sequer entrou ao estádio.

Depois de muitos anos, décadas, deixei de ser o torcedor frequente de arquibancada.

Violência, valores exorbitantes e desrespeito ao que se dispoem a sair de sua casa.

Foram apenas alguns dos motivos que me fizeram afastar da presença física.

Isto não me faz menos tricolor que qualquer outro que vai a todos os jogos do tricolor.

O que faz um torcedor mais ou menos tricolor?

A ambição.

Nos últimos anos o clube tem criado um costume equívocado com a nossa história.

A cada ano mais distante das conquistas.

Próximo a alcançar nosso maior tabu sem conquistas estaduais, 13 anos.

Torcedores têm batido recordes de público, em jogo para ‘escapar do rebaixamento’

Temo que se continuarmos assim, ele, infelizmente, virá.

Se não este ano, logo logo…

Quero muito estar enganado sobre esta previsão.

Mas o fato, irrefutável é que estamos nos acostumando a viver na parte de baixo da tabela.

Aliás, o próprio presidente do clube, ressaltou em entrevista dada recentemente  Casagrande, que enaltece a nossa torcida, mas o clube tem feito a sua parte em reduzir o valor do ingresso. Sim ele falou isso.

Ao que parece, é esta a mensagem que o clube está recebendo da arquibancada.

Uma pena.

José Renato Santiago

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