Entrevista com o novo reforço no time de preparação do São Paulo!

A diretoria do São Paulo também reforça a equipe fora de campo. Com passagem pela Seleção Brasileira e grandes clubes do país, Altamiro Bottino será o coordenador científico do clube, ligado diretamente à comissão técnica e departamentos médico e fisiológico. O profissional começou o trabalho nesta terça-feira (1º), no CT da Barra Funda, e dentre as principais funções no cargo será colher e confrontar informações de todas as áreas do futebol para uso imediato na melhoria de performance dos atletas.

“A meta é fazer com que todos os departamentos fiquem interligados para proporcionar a melhoria de desempenho do atleta e a performance do clube. As informações são úteis e vitais na tomada de decisão do técnico”, resume o novo integrante da comissão técnica.

Integrante da ISEI (International Society of Exercise and Immunology) e da SBIE (Sociedade Brasileira de Imunologia e Exercício), Bottino é graduado em Educação Física e especialista em Ciência e Técnica do Futebol (UGF) e Performance Humana (LABOFISE/UFRJ).

“Vamos orbitar por todos os departamentos, porque qualquer informação pode ganhar relevância e valor. Então vamos acompanhar este desdobramento em relação a ação e resultados deste processo”, explicou.

O trabalho de Altamiro Bottino será desempenhado em sintonia com as diversas áreas do futebol: física, técnica, fisiológica, médica, nutricional, psicológica e até de logística. Seu trabalho também vai contemplar as categorias de base.

Bottino, que participou das conquistas da Copa do Brasil de 2015 e do Campeonato Brasileiro de 2016 pelo Palmeiras antes de chegar ao Tricolor, também foi Professor de Ciência do Esporte na Trevisan Escola Superior de Negócios, entre março de 2011 e novembro de 2014, entre outros trabalhos acadêmicos.

Site Oficial

Entrevista Publicada por Renato Rodrigues, ESPN

Apesar dos poucos holofotes e um trabalho mais minucioso nos bastidores alviverdes, Altamiro Bottino, Coordenador Cietifíco do clube, foi uma das engrenagens que funcionaram dentro de toda a metodologia de trabalho implantada na Academia de Futebol e que agora colhe mais frutos dentro de campo.

 Graduado em Educação Física e especialista em Ciência e Técnica do Futebol (UGF) e Performance Humana (LABOFISE/UFRJ), além de fazer parte da ISEI (International Society of Exercise and Immunology) e da SBIE (Sociedade Brasileira de Imunologia e Exercício), Altamiro me recebeu durante uma das últimas sessões de treinamentos do Verdão nesta temporada para ajudar explicar uma das grandes características do Palmeiras de Cuca durante a campanha vitoriosa na competição: a intensidade.

Responsável por ser um elo entre diferentes áreas que constituem o Departamento de Futebol do Palmeiras, como preparação física, fisioterapia, fisiologia, nutrição e psicologia do esporte, Bottino também falou da indivualização na preparação dos jogadores, da importância do treinamento praticado no futebol atual e da a necessidade de se compartilhar mais conhecimento no Brasil. Também contou da resistência que profissionais de sua área ainda sofrem no futebol brasileiro, do trabalho específico no futebol cada vez menos usado, da necessidade de se criar um centro de dados para o futebol brasileiro e também do mito chamado “ritmo de jogo”. Confira:

Sem dúvidas uma das grandes características do Palmeiras nesta campanha de título foi o alto nível de intensidade que a equipe conseguiu manter durante as 38 rodadas. Como foi feito todo o trabalho para se chegar a isso? E como manter esse tipo de exigência por várias rodadas?

Claro que existe as exigências do treinador durante o treinamento. Mas isso veio muito por nós construirmos durante a semana uma base compatível com a demanda de jogo. A gente nunca trabalhou excessivamente um componente, a não ser que ele fosse muito necessário na situação de jogo. O grande segredo disso foi tentar gerar volume e intensidade de trabalho rigorosamente compatível à realidade do jogo. O maior perigo sempre está no trabalhar a mais do que você vai precisar, principalmente quando você tem uma comissão técnica com dois ou três assistentes. Porque aí o treinador faz o trabalho, o auxiliar tenta mostrar serviço e faz outro trabalho, aí o outro vem e faz mais um pouco… Daqui a pouco você não tem mais o todo. Você passa a ter apenas partes que você não consegue somar. Fica difícil saber o volume total. Por isso o trabalho integrado exige que se monte o que vai ser feito com o grupo desde o aquecimento até o descanso dos jogadores. Isso precisa ser tudo dimensionado.

Um exemplo é a pessoa que temos para controlar o Catapult (GPS que acompanha todas as ações dos atletas durante qualquer atividade). Ele “tagueia” (acompanhamento fragmentado da atividade) o treino de como foi a roda de bobo, o que foi o aquecimento do preparador físico, o que foi o trabalho do auxiliar de início, do Cuca, do outro auxiliar na volta… E isso tudo vai se somando nos dias. Então a gente já sabe até o que ajuda nestes casos. Quando monta um treino 4 contra 4 em um espaço de 40×40, a gente já sabe aproximadamente quais serão as respostas dos atletas.

Com isso a nutricionista consegue colocar na garrafinha o que cada um precisa. É só olhar que cada garrafa está com o nome de um atleta. Com todo esse trabalho, a gente consegue detectar o que o Zé Roberto precisa, por exemplo. Que é diferente do que o Cleiton Xavier necessita. Imagina um carro flex com três combustíveis: gasolina, álcool e diesel. É exatamente assim que nós funcionamos, com três fontes de combustíveis básicos. Se você exigiu maior velocidade, você vai usar o combustível com maior octanagem. Então o que vai nessa garrafinha? O que exatamente esse jogador gastou! O que tem que criar é isso. O que eu gastar, tenho que repor. Nem a mais e nem a menos. Isso facilita na hora do jogo, já que o atleta tem exatamente o que ele precisa para aquela necessidade expecífica. Quando você trabalha a mais e ainda não repõem, o sujeito não vai conseguir desempenhar em sua plena forma. Se você vai percorrer velocidades mais longas, como um caminhão, vai precisar do diesel. Se precisar de mais velocidade, aí necessita de algo com uma elasticidade maior de combustão. Então é preciso dosar tudo. Por isso é importante explicar do quanto de ciência atrás de todo nosso trabalho nos ajuda.

Falar de intensidade levanta algumas dúvidas importantes em qualquer pessoa que, apesar de saber o que é, por vezes não consegue explicar exatamente, justamente por se passar às vezes como algo subjetivo entre os profissionais do futebol. Para você o que é intensidade?

Olha, se fosse a uns anos atrás eu diria para você que nada mais é que você conseguir fazer o atleta trabalhar na sua performance máxima. Hoje eu já troquei esse pensamento. O máximo nesse caso você talvez não consiga extrair durante os nove meses de uma temporada bem feita. Eu diria que intensidade é você conseguir fazer com que o atleta trabalhe no ótimo da sua capacidade de execução. O ótimo seria o que ele pode fazer continuadamente. Isso implica em, por exemplo, quantos saltos ele consegue fazer próximos do seu limite sem comprometer as articulações e sem que isso demande um tempo longo para se recuperar. E isso pensando já para a próxima vez que ele seja submetido à mesma demanda. Resumindo, é tentar que o atleta trabalhe no maior tempo possível no seu ótimo da performance. Perto do máximo, mas nunca no máximo.

Em cima de tudo que vocês trabalharam e analisaram durante esta temporada, é justo dizer que o Palmeiras conseguiu trabalhar nesse nível ótimo de intensade o campeonato inteiro? Existe alguma queda neste sentido dentro de suas metragens no dia a dia?

Não tenho a menor dúvida que conseguimos manter um nível muito forte durante essa caminhada. E os números comprovam isso. No 1º turno e 2º turno a gente conseguiu manter o mesmo nível de performance física. Inclusive se você olhar gols marcados, gols feitos, momentos de fazer o gol, se você olhar a dinâmica nossa de jogo… Muitos dizem que o futebol ficou mais feio, mas depende da ótica. O que eu acredito é que fomos o tempo todo eficazes dentro da nossa proposta. Eu entendo que o Palmeiras conseguiu durante todo o ano performar na mesma regularidade. Justamente por sempre olharmos o indivíduo como único e trabalhar totalmente essa preparção individualizada dos atletas. Nesta temporada toda conseguimos diminuir muito o número de lesões do elenco.

Como todo esse trabalho individualizado é feito no Palmeiras?

Primeiro a gente pega o cara que acabou de chegar no clube, deixa ele sem treino durante dois dias e testa ele em diversas variáveis físicas. Estuda bem o atleta. Então passamos a ter esses números que chamamos de “de zero”, que é o momento inicial da curva dele do desenvolvimento. Todas as vezes que a gente medir o cara, vai ser sempre comparando com essa tomada inicial, de quando ele chegou. Com isso a gente pode dizer que ele aumentou a força, diminuiu a potência, ele engordou, aumentou massa muscular… Isso a gente faz sempre dele em comparação com ele mesmo. Nós nunca comparamos Zé Roberto com Gabriel Jesus, por exemplo. É Zé com Zé e de janeiro a dezembro. Foi uma das coisas que a gente conseguiu fazer bem em 2016. Quando nós iniciamos esse trabalho aqui em 2015, chegamos com 25 jogadores, cada um chegando de um lugar… Até a gente juntar toda essa informação, formar uma base de dados que nos permite saber quem é o Zé Roberto quando joga, quando treina, quanto tempo precisa para recuperar… Isso tudo levou um tempo. Muito jogador vem de realidades diferentes, alguns do Oriente Médio, outros da Ásia, Europa, terceira divisão… Então, essa história foi construída de 2015 para cá, para que agora conquistemos esses resultados. Essa individualização do trabalho começa desde a primeira pré-temporada, quando a gente pega o cara, fotografa ele internamente (recurso da Termografia, registro gráfico das temperaturas de diversos músculos que pode alertar com relação a riscos de lesão) e vê como ele é descansado e como reage às cargas de treinamento. E é isso que a gente vem monitorando dia a dia. Tendo boas respostas sobre a questão física do atlet, podemos ajudar a comissão técnica a tomar as melhores decisões durante a temporada.

E como fazer com que todo esse trabalho indivializado forme um coletivo forte?

Esse é o maior desafio do treinador e da comissão técnica. Fazer o atleta entender que ele é um indivíduo, mas que ele é uma célula dentro de um organismo maior. Fazer que ele consiga absorver aa importância dele para tal função dentro da situação de jogo. Aí que entra a gente, de prepará-lo da melhor maneira para ele entregar o que é esperado. Para gerar equilíbrio em suas ações. É sem dúvida a parte mais difícil de todo processo. É uma parte quase que invisível. A gente às vezes não consegue enxergar nitidamente algumas situações, tem muito da questão subjetiva.

Como é feito o planejamento semanal entre vocês da comissão técnica? O quanto é importante atualmente trabalhar os jogadores dentro da realidade do jogo?

Pra mim é imperativo se pautar na realidade do jogo. Por que, se você não fizer a distribuição de carga adequada, você corre o risco de colocar uma carga maior na terça-feira com um jogo no domingo. É bem provável que a descendente dessa curva coloque o atleta em uma situação de jogo praticamente destreinado. E se você coloca essa carga efetiva da semana na sexta, é provável que você chegue no jogo cansado, sem tempo hábil de recuperação para poder render o esperado. O ideal é visualizar a semana e conseguir distribuir tudo isso, que haja uma progressão do descanso para as cargas mais altas. Com isso o jogador chega na partida com o músculo pronto, com boa a reserva energética também. Esse é o grande segredo do trabalho.

Atualmente o Palmeiras tem ferramentas muito atualizadas para ajudar vocês em toda essa rotina de trabalho. Como quebrar essa resistência atualmente no Brasil? Como é o papel da diretoria dentro de tudo isso?

Essa resistência existe em vários lugares. Na verdade, todo trabalho que a gente faz, é uma cultura que precisa mudar no dirigente brasileiro. Aqui nós tivemos tudo isso muito bem assimilado pelos nossos dirigentes. Você não pode adquirir um equipamento para monitorar 10 ou 12 jogadores, por exemplo. É preciso fazer um monitoramento do elenco todo, inclusive dos meninos da base que vem treinar com a gente em vários momentos. Para ter um acompanhamento e um histórico desse garoto antes mesmo que ele suba. Para que você possa estabelecer o que cada um deles precisa. Como você vai individualizar um trabalho em um grupo de 30 se você só monitora 10? Vai se perder informações importantes de 20 jogadores. No entendimento de uma necessidade você acaba tendo grandes chances de errar com um desses caras que não estão dentro do acompanhamento. Então a nossa leitura hoje é que, qualquer recurso que você pensa em deixar à disposição para o grupo e monitoramento do treinamento, tem que ser usado em todo atleta que aqui entra para treinar.

Sabemos o quanto é necessário atualmente que todas as áreas do Departamento de Futebol conversem e se entendam dentro de uma metodologia de trabalho. Como fazer toda uma estrutura dessa funcionar?

É um grande desafio fazer tudo isso funcionar. Muito também por ter que lidar com vaidades. Por vários clubes onde passei e mesmo conversando com pessoas que fazem este trabalho em outros clubes, você escuta muita queixa: “Ah, o chefe do departamento médico. É tudo hermético, as informações são administradas por ele e ninguém tem acesso”, “A nutricionista não vê os dados da fisiologia”, “O fisiologista não vê as deficiências clínicas do atleta, os comprometimentos, as intercorrências…”. Aqui a gente já conseguiu fazer com que as pessoas tenham sim suas ambições profissionais e financeiras, mas que nunca atrapalhassem as ambições do grupo. A gente soma todas nossas ambições para conseguir resultados em prol do clube. Tivemos uma equipe transdisciplinar o tempo todo. A interdisciplinidade para mim está ultrapassada. O trabalho feito em feudo não tem mais espaço, embora ainda aconteça muito por aí, infelizmente. Tem clube disputando a Série A do Brasileiro que faz isso. Tem que acabar! Precisamos destruir essas paredes. Não digo as paredes físicas, mas sim as intelectuais. A minha informação é tão importante para mim quanto será para o fisiologista, a nutricionista, o preparador, o técnico… E o papel da gente é fazer com que essa informação se conecte a outras e que elas cheguem com velocidade nas mãos da comissão técnica, para que eles possam tomar as decisões.

Quando os resultados aparecem, o glamour cai muito em cima dos jogadores e treinadores, mas sabemos que um trabalho de sucesso no futebol tem muito mais gente envolvida. Qual a importância hoje de você ter um material humano qualificado nessa estrutura? E o quanto é importante esse profissional ter uma visão sistêmica de tudo, mesmo sendo especialista em uma área em si?

É fundamental. Só assim você diminui a questão da vaidade. Quando o cara percebe que a informação dele é prioridade e relevante, mas ao mesmo tempo também não é mais importante que a do outro colega, as coisas dão certo. E para isso é necessário entender um pouquinho do trabalho do outro para poder perceber que a informação dele não tem valor nenhum se não bem utilizada pelo restante dos profissionais. Acho que passa muito por isso. De você fazer com que todos tenham o entendimento de que o fígado precisa do cerébro, que precisa do intestino, que precisa da boca… A gente funciona assim. Cada um tem sua função a cumprir, mas tudo isso precisa ser orquestrado por um órgão que faça tudo funcionar para o bem do corpo. Aqui a gente tinha o Cuca, que era o cérebro do processo, e cada órgão desse é uma área cumprindo seu papel para fazer o todo funcionar.

Existe todo um planejamento nessa preparação em cima do modelo de jogo que o treinador quer colocar em prática?

Isso é de extrema importância. Esse trabalho passa inicialmente por entender o treinador. Agora está chegando o Eduardo Baptista. De início precisamos entender qual é o sistema de jogo que ele quer incorporar na equipe. Como ele gosta que os laterais se posicionem, até onde ele quer que o lateral agrida, até onde ele vai no campo para fazer isso… A partir disso, do modelo de jogo que ele pensa para ser trabalhado, a gente começa construir as demandas físicas que aquele atleta que vai ter que cumprir em determinada função. Não estou falando do titular ou do reserva. Quem cair para executar a determinada função, tem que estar preparado para isso. A gente vê muito isso nos trabalhos do Tite. E conseguimos colocar em prática aqui. Não importa quem entre em campo, o que se faz dentro dele é o que o treinador exercita e entende ser o melhor para o coletivo. Todo mundo viu que conseguimos fazer isso aqui durante a temporada. É muito necessário saber do treinador a função que ele quer que esse ou aquele execute. Você tem dois volantes, um mais agressivo e outro de mais saída, por exemplo. Nisso a gente vai demandar a carga de trabalho em cima das características do atleta e das suas obrigações em campo, fazendo isso com excelência.

Você tem algum exemplo mais claro de posições/funções que mudam muito de uma para outra nesse trabalho? E no que muda?

Bom, do Gabriel Jesus que vem buscar a jogada para entrar na área, para Barrios e Alecsandro, que jogam mais posicionados para finalizar. Existe uma grande diferença aí. Se o treinador entende que o Gabriel precisa recuar mais, ser o cara do primeiro combate lá na frente, nós temos que dar ao Gabriel no treinamento condições que ele faça idas e voltas sistemáticas a ponto de ele estar preparado para fazer isso em situações de jogo. Você tem volantes como Gabriel e Arouca, por exemplo. Um ocupa mais espaços, fica mais posicionado, e o outro agride mais e sai, como o Jean também. Então, dentro desse tipo de solicitação tática do treinador, nós temos que, rigorosamente nos treinos, estimular e preparar estes atletas para isso, exatamente o que ele vai precisar reproduzir dentro da situação de jogo. A nossa obrigação é mimetizar em treino a carga adequada para que ele realize em jogo tudo que for necessário em termos táticos que o técnico determinou.

Como se sente quando escuta aquela velha frase do “treino é treino e jogo é jogo”?

Cara, essa é uma frase que me incomoda muito quando eu escuto. Por que para mim o treino é jogo e vice-versa. Precisamos quebrar alguns tabus. Toda hora que alguém fala que o atleta está sem ritmo quer dizer que nós fomos incopententes em determinar o ritmo que o jogo exige. Então, se o atleta está sem ritmo, foi porque a comissão não foi capaz de gerar demandas físicas correspondentes com a do jogo. Aí falam: “Mas é o jogo que vai dar condição”. Mas ele acontece duas vezes por semana, às vezes até só uma… Aí você está roubado, cara. Se for um mês de quatro jogos, por exemplo. Você vai ter treinado 24 dias, ter jogado quatro com dois de folga… Então nesse grande período de treino você jogou tudo no lixo? Você não fez o que o jogo pede. Então alguma coisa está errada. Por isso a importância de se treinar dentro da realidade do jogo.

Durante a prospecção de atletas para contratar vocês fazem algum tipo de pesquisa? E como ajudar o treinador a moldar esse atleta que chegou para executar especificamente uma função em campo?

Uma parte já é feita pelo pessoal da Análise de Desempenho na prospecção do atleta. Já são direcionados para buscar perfis com características que o treinador pede e que o clube entende como ser importante para o momento. Isso já é garimpado dentro do processo. A única coisa que a gente ainda tem problema no Brasil é que quando você vai se basear em dados físicos. Você corre o risco de ter uma leitura equivocada por que outro profissional pode ter usado um tipo de protocolo ou equipamento que não tem grande validação, ou ter tido um procedimento diferente do que seria a sua rotina. Aí dizem que o cara é capaz de fazer algo aerobicamente, mas chega aqui para você e sua conclusão é que não é bem isso. A gente não tem no Brasil hoje, apesar de ser a escola de futebol mais vencedora do mundo, uma entidade que oriente os clubes a uniformizarem os protocolos de teste e uso de equipamentos para você falar a mesma língua. O cara vem do Santos para cá ou vai daqui para o Corinthians, por exemplo, e você diz assim: ele é um cara rápido apenas… Por que a gente não tem uma base de dados unificada no país. Isso é uma coisa que, na minha opinião, a CBF deveria fazer. Seria uma das responsabilidades dela. Não podemos exigir que o treinador monte uma equipe para uma partida específica apenas com dados colhidos na última semana. Ele precisa se basear em um histórico mais longo. Quem foi esse atleta nos últimos seis meses por onde ele passou? Quantas lesões ele teve? Qual o tipo de treinamento que ele recebeu?

Recentemente a gente enviou relatórios do Gabriel Jesus, Mina e Barrios, todos que serviram suas seleções. Foram dados da semana de trabalho para que o Fábio Mahseredjian, preparador físico da Seleção Brasileira, por exemplo, soubesse o que o atleta vem fazendo. Aí ele consegue entender o que dosar, contemplar dentro da maneira que a sua equipe vai jogar, em cima do que o Tite gosta que o Cuca não trabalha. Ou quando ele volta de lá, que vamos trabalhar e algo que o Cuca gosta não foi feito com o Tite. Esse fluxo de de informação ainda é muito precário no Brasil. Precisava ser mais valorizado pelas federações e entidades maiores para que a gente tivesse informação uniformizada para todo mundo. É inadimissível que o atleta chege para disputar um amistoso ou jogo de data Fifa e o médico saiba que ele vai ser vetado por algo que já poderia saber por essa base de dados dos clubse. Isso é algo que precisa ser melhorado.

Na Europa se fala muito de clubes trocarem informações, terem arquivos abertos para buscar dados de vários segmentos… O nível de compartilhamento de conhecimento no Brasil ainda é muito baixo?

Isso é surreal aqui no Brasil. Surreal! Você vê que acontece apenas em uma relação não institucional, feita muito mais na amizade, no respeito e consideração por outro profissional. O fluxo de informação da maneira que acontece na Europa não tem. A gente pensou aqui em colocar circuitos no estádio, que é bem caro, e você pudesse oferecer os dados também para o visitante. Você quer as métricas do jogo? Quer que chegue no seu vestiário? Dá para fazer tudo isso. Esquece… O clube não vai querer fazer. Não tem co-irmão nessas horas. O cara acha que informação é segredo de Estado. A informação está ali. Cada um usa da sua forma. Hoje, se você compra um livro de culinária de um dos maiores chefes de cozinha do mundo, você vai fazer a comida do mesmo jeito que ele? Claro que não! Ali tem um passo a passo, mas na hora de colocar um sal, controlar a chama… É outra história. A informação nesse caso não tem valor nenhum se você não criar uma rotina de construção de pensamento e de ação para que tudo isso se efetive. A gente não pode ter medo disso. Você não vai estar dando segredo para ninguém.

No início da nossa conversa você falou muito de não colocar carga a mais e nem a menos no atleta durante o treinamento. É muito por isso que o trabalho específico, tanto na questão física quanto na técnica, tem diminuído no dia a dia de clubes que treinam em alto nível?

Sim. Quando você precisa fazer um trabalho específico está mais aliado a prevenção de lesão. Algum seguimento que o atleta tenha um déficit funcional, como a parte da frente da coxa ser muito forte e a parte posterior mais fraca. Aí ele vem em um horário a parte para corrigir essa deficiência. Aí sim justifica trazer o cara em um contra-turno trabalhando aquele seguimento que foi muito exigido ou que recebeu uma carga menor e que vai criar desequlíbrio. Aí sim compensa trazer para um trabalho segmentar. Na questão do específico técnico, hoje também não se justifica. Temos que partir do pressuposto que o cara chega ao profissional com essas qualidades já trabalhadas. O passe, o drible… Tudo isso assimilado. No tempo de treino, o ideal é fazer o trabalho coletivo, de construção da equipe. Não se entende mais, no alto rendimento, você ter que trabalhar o cara para cabecear uma bola. Um cara de 23 anos no profissional. Se você tiver que trabalhar essa questão específica nessas condições, você vai perder um tempo que poderia estar ajustando a forma de jogar da sua equipe. O cara precisa chegar no alto nível já preparado. O grande segredo do voleibol bem sucedido do Brasil se dá por essa especialização de profissionais que trabalham com a base, entregando o atleta da modalidade tecnicamente pronto para atuar em alto nível pelo profissional.

E ao que você deve essa má formação?

A gente tem no futebol a cultura de colocar o ex-jogador ou alguém que o clube tenha algum tipo de gratidão por algo que ele fez trabalhando na base. Acabam entregando atletas com uma série de deficiências técnicas, que não há tempo hábil, com o calendário que temos, o tempo de treinamento, você ficar corringindo demandas individuais. Tem que chegar melhor preparado no grupo de cima, não tem jeito. Sei de clubes que fazem ótimos trabalhos de base, de construir um atleta mais completo. Mas hoje uma das coisas mais faladas em comissão técnica é quando você vê o atleta batendo na bola e dizer: “Esse cara tem formação no clube X”. “Não teve uma formação correta”… Porque você vê o cara com uma série de deficiências que ele não pode chegar até o profissional, não pode…

ESPN

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138 comentários

  1. Agora falta o Fernando Diniz, pra aux. de Dorival Jr. (eu sei ele já tem o seu filho), Diniz poderia fazer um trabalho em campo ou fora tipo Garimpo de Jogadores (Brasil ou outros Países) Informações sobre futuros adversários etc.

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      • Tomara que você esteja certo. A pergunta que FireHawkBr fez seria uma simples representativa de todos aqui do blog que irão ler esse post. Torço…torço muito para que nossos dirigentes acordem para o momento “atual”, investir onde realmente compensa é o “time” do momento, visto que muitos anos se passaram e nade de novo foi incrementado. Até o senhor da entrevista falou sobre “apadrinhamento” nos clubes, portanto, tomara que isso não esteja sendo feito com esses propósitos. Caso o propósito seja de fato investir nas estruturas dos pilares do Morumbi, ruídos pelo tempo e pela má vontade com os devidos reparos nos mesmos, pode acreditar, me tornarei um super fã incondicional de Leco e Pinotti.

        Como diz o ditado…”pé de mexerica carregado na beira da estrada ou está podre ou tem caixa de marimbondo”.

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    • São Paulo dispensou: Carlinhos Neves,Turibio e o Rosan. Tudo rebotalhos tbm?

      Não todos que são dispensados ou demitidos significa que são ruins ou como queira chamar.

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  2. Parabéns Diretoria, vendemos bem e nos esforçamos melhor ainda.

    Temos uma boa comissão técnica e um elenco de atletas com personalidade.

    As dívidas estão controladas e 2018 promete, até uma LA esse ano se bobear pegamos.

    Lateral direito adiantado nas negociações e um bom goleiro apalavrado.

    Jucilei com grandes chances de permanência.

    Eu sempre acreditei.

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    • O Valquíria saiu do Palmeiras no ano que o cara chegou.

      Geralmente na politicagem brasileira eles tem essa mania de querer desmontar tudo o que o antecessor tinha feito só pra colocar o nome deles no lugar. Nas Leilas pode não ter sido diferente…

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  3. Não conheço o profissional, porem só do fato de estar em busca de profissionais… correndo contra o tempo perdido…

    Agora como tem haters aqui meu Deus… o cara nem chegou e estão questionando, sem nem sequer conhecer o profissional…

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  4. É profissional com alto nível de conhecimento teórico e prático. Gostei muito da contratação. Penso que pode ajudar muito. Eu só teria curiosidade em saber o motivo de ter saído do Palmeiras. Alguém sabe?

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    • A única informação que achei foi do Botafogo RJ . O fisiologista acompanhava Oswaldo Oliveira e saiu, quando o presidente do clube questionou a queda de rendimento do time da Estrela solitária.

      No Palmeiras a diretoria instalou um “Centro de excelencia” e mandou médicos e coordenador embora.

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      • Olá amigão, to de volta, recuperando do acidente.
        Lembra dos tabletes que nossos jogadores usavam durante as partidas para melhorar no desgaste físico ?? Lembro-me bem que Jorge Wagner consumia uns 3 por ser muito acionado durante os jogos. Aí a pergunta: _Quem na época inventou aqueles “tipos” energéticos” ou repositores de “sais” que os jogadores usavam e será que não podem usar mais ou o inventor se foi e levou a formula consigo?? Se os resultados apareciam de fato, por que abdicaram do “negócio” ou por que não patentearam e seguiram usando??? Como diz os boleiros, isso é coisa do futebol…realmente, é cada coisa que acontece no futebol que até “nós” duvidamos quando surge algo novo.

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        • Olá Ronagom.

          Sinceramente desconfio muito dessas “novidades”
          (nem sempre novas/inéditas) …, mas que são “douradas”.

          Lembra dos “balinhas” da mídia …, eu lembro.

          Kkkkkkkkkkkkkkkk.

          Saudações tricolores e abraços fraternos, irmão.

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  5. Esse profissional vai revolucionar o São Paulo.

    Parabéns ao Leco, Pinotti e a toda a diretoria! Eles estão fazendo um ótimo trabalho ultimamente, só falta aumentar a transparência.

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    • Olá Wagner, não seria melhor aguardar para ver se os “frutos” dessa empreitada serão sadios e fartos??
      Respeito seu modo de pensar, mas fico com um, dois…pés atrás. Inventaram o “Rogério Ceni” treinador do “futuro”, olha o que deu. Não sei se todos os conselheiros e diretores querem realmente o bem para o clube, visto que tanta bizarrice tem tomado o juízo de muitos que administram o clube.
      Eu prefiro esperar, mas, claro, torcendo muito para que possamos voltar aos holofotes das mídias tendenciosas, porem, com mais respeito e admiração ao SPFC.

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        • A verdade é que estamos sofrendo a anos por um título de expressão que não vem e tudo que fazem hoje até com boa vontade no que possa parecer, não é bem visto e bem aceito por nós torcedores, viramos “gatos escaldados”. Portanto a crença é muito próxima da descrença e não é culpa nossa…”torcedores”. Quantas vezes vimos a tal “cortina” de fumaça passar a frente de nossos olhos e ofuscar nossa visão?? Também torço muito para que novos rumos sejam tomados pelos que comandam o clube.

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  6. Se não me engano o Palmeiras foi um dos primeiros a aparecer com aqueles coletes de análise que mais parecem um sutiã.

    Só lembro do São Paulo começar a usar isso no campeonato BR do ano passado…

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  7. O SPFC de outrora, àquele do vanguardismo e diferencial competitivo dos idos de 2005, foi construído também frente a paralisia de muitos e a absoluta descrença de todos, mesmo dos próprios São Paulinos, que nunca imaginaram tudo que às duras penas, fora edificado.

    A recriação do nosso amado clube brasileiro e a reconstrução de todo aquele diferencial competitivo, dependem da mesma forma, mais do que da própria crença de nossa torcida, da boa vontade e das ações dos nossos dirigentes.

    Muitos, se não todos nós, lamentamos o desmonte daquela comissão técnica permanente composta por profissionais das mais diversas áreas, organizados dentro de uma estrutura sem igual, com o SP inovando e saindo na frente com o Centro de Treinamento da Barra Funda e o próprio REFFIS.

    Infelizmente, vive-se um momento de intenso desalento, onde a descrença e o pessimismo tem prevalecido.

    Como destacado, a intenção da diretoria aponta para a retomada e implementação de ações voltadas à recuperação do tempo perdido.

    Tudo leva crer que não temos informações e subsídios mínimos para posicionar sobre a validade ou não em se trazer esse profissional, e muito menos avaliar o seu currículo, colocando em cheque, sem nenhum embasamento, a ação adotada pela nossa diretoria.

    É preciso acreditar mais, ser mais otimista ou ao menos, não ser tão pessimista, tão ácido (não refiro-me especificamente a ninguém).

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    • Wagner, o trabalho contemplará a base também……..

      ————

      O trabalho de Altamiro Bottino será desempenhado em sintonia com as diversas áreas do futebol: física, técnica, fisiológica, médica, nutricional, psicológica e até de logística. Seu trabalho também vai contemplar as categorias de base.

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  8. Parece que a diretoria atual do porco ta desmanchando o legado do Paulo Nobre a pedido do Mustafa adversário do Paulo , vale destacar que antes dele 2015 o porco era o time com mais lesão e no ano passado o que teve menor índice Politica portanto

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  9. Há algum tempo aqui o blog noticiou que o São Paulo tinha implantado um sistema ERP para integrar as diretorias. O que esse cara faz é a mesma coisa. Inclusive o software se adaptado às ideias desse cara, um dia o São Paulo poderá não depender mais de uma pessoa específica.
    Muitas empresas tem dificuldade de integrar seus diversos departamentos, este cara com a experiência que tem, poderá resolver isso no tricolor. O meu medo é esse trabalho se perder no dia que esse cara sair.

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  10. Nego não sabe nem o que cara faz direito e já decreta que o cara é refugo, não é competente… Usam o fortíssimo argumento do “se fosse bom o Palmeiras não mandava embora…” Como se o único motivo de demissão na história fosse incompetência. Ainda mais no futebol. Se fosse assim, não existiria treinador de futebol empregado. Seguindo essa lógica o Dorival Jr. é muito incompetente, se ele não fosse o Santos e mil equipes anteriores não demitiria, não é mesmo? E tudo isso depois de contratarmos o terceiro reserva do Cruzeiro e o cara estar jogando muito bem, do ótimo volante Gabriel da galinhada também ter sido “dispensado” do Palmeiras (não quiseram renovar com ele), etc. A diretoria é incompetente pq o preparo físico é ruim, a diretoria é incompetente pq tenta resolver… Vamo deixar o cara trabalhar em paz

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  11. Qual o sentido de criticar a diretoria nessa situação, sendo que eles estão querendo melhorar uma área reconhecidamente ruim do time?

    Do mesmo jeito que é chato criticar o Ceni em todas as oportunidades, também é chato criticar a diretoria em tudo o que ela faz.

    Na minha opinião o Pinotti está fazendo um bom trabalho desde que virou diretor de futebol. Desfez toda a panelinha que havia lá no CT e está contratando profissionais que já fizeram bom trabalho no passado.

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    • Caro Heitor Alves :

      A única área reconhecidamente ruim do clube é exatamente aquela que decide os rumos do próprio clube, e reconhecidamente fez desaparecer nosso futebol …, ou seja, responde diretamente pela exorbitante e estratosferica dívida, que paralisou a gestão e quase inviabiliza o SPFC.

      Mas ainda tem a “cereja” …, a tal empresa, sob o comando dos mesmos.

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      • Boa noite Paulo, td bem?

        Seguindo seu raciocínio, a diretoria q nos trouxe o tri brasileiro, libertadores, muldial, Paulista e sul americana tbm foi esta mesma diretoria. Então ao mesmo tempo q sao ruins, sao bons?

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      • A diretoria do Corinthians é tão ou mais corrupta que a do SP, está devendo fornecedores, jogadores, etc, e o time está na ponta. A diretoria do Palmeiras teve todo o dinheiro do mundo para contratar jogadores e o time está mal.

        Nem tudo é culpa da Diretoria, por mais corruptos q eles sejam.

        Não tem essa do time só estar mal por causa da diretoria. Ela tem sua parcela de culpa, os jogadores têm também sua parcela de culpa. Ceni teve sua parcela de culpa.

        Ao meu ver, eles estão acertando ultimamente, então merecem elogios. Quando fizerem algo errado, merecerão críticas.

        Continuo não vendo sentido em criticar tudo o que ela faz, mesmo quando ela acerta.

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  12. Ngm merece segunda chance? So pq vc andava e pertencia a um grupo quer dizer q todos seus pensamentos e atos serao exatamente iguais ao comandante deste grupo? Ngm nunca errou e evoluiu? Ngm nunca se arrependeu de algo e nunca mais fez igual? Todos sao tao absolutos e tao idôneos a ponto de poderem dizer, nunca errei e nao me arrependo de nada q fiz em minha vida toda?
    Entendo as criticas a diretoria, as pessoas e tudo mais, porem as coisas tbm ja estao passando do limite. Nada presta, nada serve. Errou antes, estara sempre errado, nao importa mais nada.
    Serio, pessoal nao larga o osso em nada. Ta na hora ja de parar. Quando sair balanço, dividas, investimentos, nos avaliamos isto. Quando chegar o final do mandato, nos o avaliaremos tbm. Ate la, avalie cada situação como singular, nao pelo passado nem pelo futuro. Fazer como andam fazendo hj nao eh justo, nao eh legal e so torna tudo muito amargo. O SPFC hj eh Leco, Pinotti, Renan, Jucilei, Pratto e tantos mais, cada um em seu lugar. Sucesso de um, de todos, eh o sucesso do SP. Ngm falara q Leco foi campeão, quem sera eh o SP. Isso vale pras derrotas tbm. Eh muita lamentação e murmuria, num momento, e mundo, q nao precisamos muito disso.

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    • Concordo em partes, caro GMC:

      Mas parece que quem não Larga o osso é quem nunca aparece ou tem seus nomes citados, “as forças ocultas” atrás do Leco …, e que querem continuar no comando do futebol tricolor através da tal “empresa”.

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      • É dificil Paulo. Eu entendo seus dizeres e pensamentos, principalmente este de quem esta realmente por trás do Leco, de quem comanda. Mas, politica é assim em tudo, seja futebol, seja no Brasil ou nos outros paises. Sempre haverao forcas por tras, comandando ou nao, mas sempre a empreita e querendo comandar. O problema da politica, é justamente a política.

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      • Precisamos ser, Nao é mesmo? Torcemos pelo SPFC, nao pelos nomes q compõem esta instituição. Saudosismo nunca é bom, mas sinto falta da epoca q queriamos saber apenas de futebol e nao das finanças do clube. Meu modo de ver e entender futebol nunca foi diretoria, so time e os que estao em campo. Muita coisa mudou mas, quase parafraseando o Paulo Scala, falta saopaulinidade a alguns saopaulinos. Rs

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  13. Olá, Paulo Scala!

    Acompanho seus comentários e concordo contigo em relação a esse continuísmo estabelecido desde os tempos do primeiro mandato do CMA, se arrastando por todos esses anos e com todos os problemas e desmandos, conhecidos.

    Creio que não só você, mas toda a torcida do SP, preferiria que o segundo mandato do JJ não tivesse acontecido, que no clube existisse uma oposição forte e atuante, e que desde aquela época tivesse prevalecido uma devida e salutar alternância no poder.

    Mas Paulo, não foi bem isso que aconteceu, sabemos disso não é mesmo?

    Modificaram o estatuto, o JJ fez aquele monte de lambanças, desmantelando por completo toda a estrutura organizacional que existia. Centralizou por completo o comando e o poder.

    O CMA fez tudo o que fez.

    O mandato tampão caiu no colo do Leco.

    A cultura organizacional viciada e impregnada permitiu que o Leco se reelegesse.

    O Abílio Diniz no meu entendimento, até pretendeu sem sucesso, combater esse continuísmo doentio, embora entenda, tenha conseguido semear importantes sementes que poderão nos tirar desses desarranjos.

    Enfim, a reconstrução não é fácil nem tão simples assim, como pode parecer.

    O Leco, também todos nós torcedores do SP sabemos e entendemos, não é o melhor e nem o mais recomendado gestor, mas é com ele que iremos até 2020.

    Temos então, Paulo, uma linha delineada em que aquele SP do propalado vanguardismo foi às duras penas construído e edificado, e da mesma forma, também nela delineado o completo desmantelamento promovido, com toda a centralização do comando e do poder que marcaram as Gestões JJ.

    Pessoalmente, entendo e vejo o Novo Estatuto e o Novo Modelo Organizacional, em especial o novo formato de Gestão estruturado no sistema de Conselhos, independentemente e a despeito dos sabidos desajustes adotados na implantação até aqui, como um marco, como uma linha divisória da recriação e reconstrução de tudo.

    E é nesse sentido e dessa forma que entendo que independentemente do Leco, o SP vive novos tempos, vive um momento de redenção rumo a um futuro tão brilhante ou mais ainda, que daqueles tempos, tão lembrado por todos.

    Teremos que atravessar esse deserto, meu caro!

    Não adianta viver chorando o leite derramado, pois o futuro é logo ali adiante.

    Particularmente, eu acredito que o SP estará melhor em 2020!

    O SPFC é maior que tudo e que todos!

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    • Eu torço desesperadamente para que o futuro chegue ao SPFC.

      Mas também conheço as forças que atuam nesse sentido …, e desconfio.

      Mas permaneceremos atentos e vigilantes, sempre.

      Saudações tricolores, Takei.
      Sempre brilhante e lúcido em seus posts.

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    • Deixa eu entrar no meio e concordar contigo. É exatamente isso. Leco é a febre q ajuda o organismo a matar a doença q se instalou. Sozinho, pode causar mais danos, mas mesmo assim é peça fundamental no processo de cura.
      E, por mais q tentem nos vender q Leco ja esta um tempao no poder, ele realmente é presidente ha poucos meses, assim como Vinicius assumiu a pouco. O estatuto, q muitos falam q nao serviu pra nada, q esta sendo ignorado, esta em vigor ha tbm poucos meses. As muitas mudanças e adaptações q este estatuto traz consigo sao grandes e necessitam de tempo para serem implementados. Nada acontece de uma hora pra outra. Nem a criação do SP, seu crescimento, seu ápice, sua queda e seu renascimento com a força q tem foram de uma hora pra outra. Paciência é, e sempre foi, a chave do negocio.

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  14. É uma boa ação, mas que na prática o profissional terá vida difícil para trabalhar.

    Ajustar setores que operam de forma irresponsável fará qualquer modelo de gestão dar errado.

    Como um profissional fará ajustes nos diversos setores? A diretoria opera com maquiagem de déficit financeiro através de empréstimos bancários.

    Desmontagem de elenco a cada ano para pagar dívidas pela má gestão financeira. Mal o jogador chega no clube, se ambienta, condiciona-se fisicamente e já pode ser vendido.

    Venda de jogadores jovens sem desenvolvimento físico e técnico.

    Mas, claro. É uma boa iniciativa pra uma gestão responsável.

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  15. GMC
    1 de agosto de 2017 às 20:42 Responder
    Boa noite Paulo, td bem?

    Seguindo seu raciocínio, a diretoria q nos trouxe o tri brasileiro, libertadores, muldial, Paulista e sul americana tbm foi esta mesma diretoria. Então ao mesmo tempo q sao ruins, sao bons?

    _____________________________________

    Pensei a mesma coisa, mas não comentei.

    Quando o time tava mal, a diretoria era a culpada.

    Agora que o time está melhorando, a diretoria não é a culpada. Aí se o time perder, ela volta a ser a culpada.

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    • Fala Heitor, td certo?

      É bem por ai mesmo. Mas as coisas sao sempre assim. Tendemos a lembrar apenas das coisas ruins, mesmo quando existem muitas coisas boas. Dificilmente vejo alguem lembrando q Juvenal ganhou e fez muito pelo SP, mesmo q tenha feita mal tbm. Ele ja foi braco direito de Marcelo P. Gouveia, q se for procurar a fundo, nem de longe foi um santo, mas é tido como um dos maiores.

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    • Não foi este raciocínio.

      Venho analisando o futebol do SPFC (ou sua ausência ) em função das articulações que visam à disputa pelo controle politico do clube / futebol.

      Este rearranjo pontual e momentâneo no futebol tem objetivos muito além do atual momento e diz muito mais sobre o futuro e o poder no clube.

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  16. A matéria apontaria para uma Reconstrução da Comissão Técnica Permanente, e uma informação como essa tem sempre que ser exaltada e comemorada:

    ——————————————————————-

    A diretoria do São Paulo também reforça a equipe fora de campo. Com passagem pela Seleção Brasileira e grandes clubes do país, Altamiro Bottino será o coordenador científico do clube, ligado diretamente à comissão técnica e departamentos médico e fisiológico. O profissional começou o trabalho nesta terça-feira (1º), no CT da Barra Funda, e dentre as principais funções no cargo será colher e confrontar informações de todas as áreas do futebol para uso imediato na melhoria de performance dos atletas.

    “A meta é fazer com que todos os departamentos fiquem interligados para proporcionar a melhoria de desempenho do atleta e a performance do clube. As informações são úteis e vitais na tomada de decisão do técnico”, resume o novo integrante da comissão técnica.

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  17. Ainda sobre o Post do Profeta;

    Mas que aula de vida, hein?
    O cara é Top dentro e principalmente fora de campo!
    Estou bem impressionando e entusiasmado com o Hernanes.
    Se bem que já havia comentado em Posts anteriores, que o Hernanes-17 estaria para o
    SP como esteve o Kaka-14. O ambiente é outro e ele certamente colabora e continuará
    colaborando para isso.
    Além de ser um filho da casa!

    E meu apoio ao Marcio, que já cansou de dar avisos aqui… Rsss
    O assunto em questão todos sabem.

    Mas como disse, para quem é sãopaulino de verdade, deixemos de questões passadas de
    lado e foquemos em apoiar DJ e sua tropa!
    Quinta é logo ali!
    Tem jogo no Morumbi!
    Casa cheia!
    E uma nova vitória (assim espero)!

    Vamos São Paulo!!

    #ProfetaNeles

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  18. Será que esse novo contratado consegue rejuvenescer o Lugano em uns 4 ou 5 anos ;D

    off: Liguei no jogo do Inter e me deparei com Saavedra jogando no Goiás, que fase!!!

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  19. Logo logo o time alcança a folga para o z4
    e quem sabe, almeja uma LA

    nada mais importará.

    O balanço será indecifrável e cheio de *
    haverá planejamento? Dorival será respeitado?

    haverá desmanche? Após o desmanche, serão contratados novos heróis?

    Talvez seja disso que o Paulo esteja falando.

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    • Vejo a disputa política pelo comando do clube / futebol.

      Digo que o arranjo momentâneo do time tem muito a ver com o futuro político do grupo que deseja continuar no comando do futebol.

      E ainda, o modelo de gestão terceirizada que está em disputa, mas sob o controle dos mesmos.

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    • Eu entendo o ponto de vista e é evidente q é passível de se concordar, mas isso depende muito de como se olha as coisas.
      Vale a pena se preocupar, agora, com algo q pode ou nao acontecer? Eu acredito q alguem será vendido(sempre haverão necessidades, isso todos sabem e nao eh so o SP), ou q algum contrato nao sera alongado, mas neste momento isto nao é preocupação. Tudo isso depende de muita coisa, q so sera decidido no final do ano (provavelmente).
      Quando o ano acabar e tivermos real noção do planejamento pro ano que vem, ai se cobra tudo isso e se fiscaliza. Fazer esse exercício de q pode acontecer, é jogar tempo fora.

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      • Não seria apenas “alguém” ser vendido,
        mas o comprometimento cabal do que poderia vir a ser um “projeto” de time.

        Não temos time organizado e competitivo, além de elencos equilibrados há anos.

        O roteiro será o mesmo ?

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        • O alguem ser vendido se resume devido a tentativa de texto curto, mas sao todos afins q envolve um planejamento de time de futebol.

          Eu concordo com vc. Mas o resto da minha opinião eu mantenho, independente disto, pois uma coisa nao depende da outra.
          Eu acho q o time q temos agora, eh melhor e mais equilibrado do que tinhamos no comeco do ano. Eu espero q ele se mantenha, e melhore. Mas agora, sofrer por um futuro desmanche, q pode ou nao ocorrer, eh querer sofrer por vontade propria. Quase que como um sadismo, pois a escolha de sofrencia esta sendo sua, mesmo q la na frente ela se justifique.

          Todos sofreremos se em 2018 venderem os melhores. Alguns sofrerão so em janeiro, outro estao sofrendo desde agora. Eu prefiro sofrer menos.
          Como eu disse antes, Eu entendo o ponto de vista e é evidente q é passível de se concordar, mas isso depende muito de como se olha as coisas.

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            • Somos otimistas caro Paulo. As vezes com certeza ingenuidade, as vezes com certa descrença, mas de certo somos otimistas.

              Nao vou dizer q conheco a politica do SP, pois eh uma coisa q realmente nao me interessa e nao faz parte do meu dia a dia.
              Mas ainda acho q seu realismo, neste momento, é um exercício de raciocínio baseado em fatos passados, nao em possibilidades futuras.
              Nao terei problemas, em 2018, dizer q tu estava certo e eu errado. Mas, neste momento, e isto nada é contra sua opinião e sua pessoa, eu torço para q esteja errado em sua avaliação. Pelo bem de nossa sanidade, pelo bem do SP e pelo bem de nosso amor ao futebol tricolor.

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          • Realmente, um meio campo com Jucilei, Petros e Hernanes faz tempo que nao temos. Vamos desfrutar um pouco dessa boa maré e torcer para que a curva se torne ascendente, como falou o profeta.

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            • Exatamente. Acho q é o time mais equilibrado q temos em anos. E muito bom ofensivamente. Ainda ha carencias na LD, mas não ha nenhum nome q seja solução. Se nao perdermos ngm, a base pode suprir toda carência q tivermos.

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  20. Time engrenando, tecnico e comissão tecnica nova, elenco motivado, excelentes contratações e ótimas vendas, estamos vindo de uma vitoria contagiante, Hernanes nos dando orgulho de sermos São Paulinos, 32 mil ingressos vendidos, ainda não estamos em uma zona confortável na tabela, o time necessitando do nosso apoio…..e……..tem gente falando de gestão e politica do clube…
    Boa noite a todos…

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    • Acompanho ele há um bom tempo,e na vitória do Londrina esse ano lá em Goiania pegou quase tudo. Ta se destacando..

      Ele o inclusive era do Londrina, foi o goleiro menos vazado no PR no ano passado, e no brasileiro o segundo, só atrás do goleiro do Atl GO, que foi campeão. Esse ano tem sido ainda melhor na minha opinião.

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  21. João Vitor Menin @jvitormenin·3 h

    Torcedor São Paulino! Vamos lotar o #Morumbi nesta quinta-feira! Teremos uma surpresa especial para vc em campo. Siga tb o @SPFCBancoInter

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    • Aposto q sua citação preferida foi: -“seu realismo, neste momento, é um exercício de raciocínio baseado em fatos passados, nao em possibilidades futuras.”

      Brincadeiras a parte, respeito o modo de ver de todos. Mas acho o debate saudável, assim como as brincadeiras. Pessoal anda muito nervoso por aqui.

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      • Também parto do princípio que o post é sobre a bela aquisição deste excelente profissional que fará parte da nossa comissão técnica.

        Há muito tempo não via nossa torcida tão empolgada com o time como agora. Vamos no embalo tentarmos fazer nosso São Paulo voltar ao topo, ele nos pertence e não a dirigentes.

        Ficar toda hora com discursos de gestão, gastos, salários, balanço, dívidas nesse momento atual é inoportuno. Devemos cobrar sim, mas tem o momento certo.

        Claro que quem comenta isso também está em seu direito, esse belo espaço é um ambiente democrático, respeito sempre.

        Se quando eu exagerava para muitos malhando o Ceni treinador, que ao meu ver é o maior culpado da atual situação do time, vendeu uma imagem de que estava preparado para o cargo e assumo que exagerava, esses papos de politica ao meu ver também já cansou.

        Pau que bate em Chico, bate em Francisco.

        E no fundo, somos todos São Paulinos…

        Um fraterno abraço a todos.

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  22. Aposto q sua citação preferida foi: -“seu realismo, neste momento, é um exercício de raciocínio baseado em fatos passados, nao em possibilidades futuras.”

    GMC eu digo…top D+

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  23. Meu deus…..
    Quanta papagaiada dessa galera.
    Parece o programa café filosofico.
    “parece que a gestão advinda do passado recente de um futuro utópico desmantelou a estrutura biológica do clube”
    “concordo caro fulano. Aliás quando Dom Pedro fundou o clube dos treze que eram sete, pode discernir e discorrer da insentatez embrionária instaurada por Juvenal”
    Muito mimimi…. Muito eu acho, eu penso.
    Tudo o que aconteceu, acontece ou vai acontecer, em nada vai mudar com as palavras dos Srs ilustres que estão aqui.

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