O t√©cnico Rog√©rio Ceni se mostrou solid√°rio aos torcedores do S√£o Paulo depois do empate em 1 a 1 com o Fluminense, neste domingo, no Morumbi. Irritada, a torcida vaiou o time durante a partida. Depois do jogo, parte dela protestou na porta do est√°dio e chamou os jogadores de “pipoqueiros”, devido √† sequ√™ncia de maus resultados do Tricolor ‚Äď a equipe n√£o vence h√° cinco jogos no Campeonato Brasileiro e terminar√° a 10¬™ rodada na 16¬™ posi√ß√£o, a primeira fora da zona de rebaixamento.

‚Äď Como torcedor, tamb√©m estou me xingando por dentro, tamb√©m sinto isso. Mas vou trabalhar todos os dias e n√£o vou me entregar ‚Äď disse o ex-goleiro, que come√ßa a sentir a press√£o pelo desempenho ruim do S√£o Paulo na temporada: al√©m da situa√ß√£o delicada no Brasileir√£o, o time foi eliminado de tr√™s competi√ß√Ķes: Campeonato Paulista, Copa do Brasil e Sul-Americana.

No Morumbi, foi o segundo trope√ßo consecutivo. Al√©m do empate com o Fluminense, o time de Ceni havia perdido para o Atl√©tico-MG (2 a 1) no encontro anterior com seus f√£s. Coincidentemente, foi em seu est√°dio que o Tricolor conquistou seu √ļltimo resultado positivo – 2 a 0 sobre o Vit√≥ria, no dia 8 de junho.

‚Äď Torcedor paga ingresso para ver o time vencer. Futebol √© muito impulsivo, imediatista. Sai frustrado do est√°dio. Talvez, amanh√£, n√£o pense isso. Mas √© o principal patrim√īnio e temos de traz√™-lo para o nosso lado. √Č natural que saia frustrado, s√£o dois jogos sem vencer aqui ‚Äď falou o treinador.

Questionado se vivia um de seus piores momentos em toda a trajetória pelo São Paulo, foi enfático na negativa. Em seguida, até se desculpou caso se alongasse demais na resposta, mas contou um relato de sua história pelo clube do Morumbi desde o início da carreira como jogador para justificar que já havia passado por perrengues bem piores.

¬†‚Äď Eu tinha o sonho de jogar pelo S√£o Paulo quando era jovem e realizei esse sonho em 1990. Tinha o sonho de ser campe√£o pelo S√£o Paulo como atleta e fui. V√°rias vezes. Passei dificuldades morando embaixo das arquibancadas, coisas muito dif√≠ceis, e cresci como homem. Tinha o sonho de virar treinador do S√£o Paulo e atingi. Assinei contrato de dois anos e sabia que teria dificuldades neste primeiro ano ‚Äď disse Ceni.

Em seguida, ele comentou a respeito do planejamento que havia traçado quando decidiu aceitar o desafio de ser treinador do clube. Deixou transparecer que 2017 seria um ano para plantar. A colheita, de fato, ficaria para o ano que vem.

‚Äď Em janeiro, me explicaram as dificuldades financeiras e vem sendo um grande desafio. Vim apra fazer um primeiro ano com muita dificuldade, mas para melhorar a condi√ß√£o financeira, promovendo garotos. Tinha como objetivo o t√≠tulo paulista, que n√£o veio, e, nos pontos corridos, esperava posi√ß√£o melhor. Mas tenho ainda muita confian√ßa de que faremos um S√£o Paulo com uma temporada pr√≥xima muito melhor. Espero estar aqui no ano que vem. Claro que a decis√£o n√£o passa por mim, mas acredito muito que faremos um ano de 2018 como programei, sem deixar de lutar agora, porque 2018 depende de 2017.

Sobre a paciência da torcida com ele
‚Äď Se eu tivesse bola de cristal para falar isso… Mas o torcedor est√° ligado aos resultados. Ele pode at√© ver bons jogos, chances de gol, bom dom√≠nio de jogo, mas, se n√£o v√™ resultado, n√£o v√™ a figura de quem est√° no banco, v√™ resultado. O torcedor me v√™ como treinador e protesta. O torcedor e eu desvincularam minha imagem de goleiro, voc√™s (imprensa) que precisam desvincular. O que precisamos √© apresentar placares superiores. √Č natural e aceit√°vel que a press√£o caia sobre mim e o torcedor xingue. Ele quer a vit√≥ria e eu quero mais do que qualquer um deles, trabalho para isso. N√£o √© poss√≠vel que isso n√£o vai virar pelo que todos est√£o fazendo, uma hora as coisas ter√£o de mudar. A responsabilidade √© minha, mas n√£o √© poss√≠vel que n√£o ven√ßamos.

An√°lise do empate com o Fluminense
‚Äď Foi um jogo bem parelho, com finaliza√ß√Ķes dos dois lados, mas Fluminense finalizou mais no gol. O Fluminense cresceu na metade do primeiro tempo, mas dominamos no segundo e n√£o conseguimos criar chances claras. Mudamos o sistema para ter mais gente pr√≥xima do Pratto.

Sobre a sua vivência como técnico
‚Äď Tento motiv√°-lo todos os dias e, mais do que isso, treinando circunst√Ęncias do jogo, montando a equipe de acordo com o advers√°rio. Se tivesse acabado 1 a 0 ou tiv√©ssemos vencido, talvez n√£o me perguntariam sobre viv√™ncia. A gente trabalha, luta, desenvolve treinos cada vez melhores e os jogadores se empenham, mas o Fluminense tamb√©m tem bons jogadores e n√£o estamos aproveitando nossos momentos de superioridade para matar o jogo e ter tranquilidade. Estamos sempre no 1 a 0, contra ou a favor.

Ceni fala sobre sequência no Brasileiro
‚Äď
Fico preocupado, mas eles (advers√°rios) tamb√©m se preocupam. Todos se preocupam neste campeonato, n√£o h√° favoritos absolutos. √Č um campeonato muito equilibrado. Mas Flamengo e Santos s√£o jogos dif√≠ceis e, depois, temos dois jogos em casa. Vamos trabalhar e treinar todos os dias. Como √© dif√≠cil a gente vencer o Flamengo no Rio, tamb√©m ser√° dif√≠cil para eles nos vencerem no Rio.

GE