O dia acima citado só aconteceu  pelo gol de Mario Tilico contra o Bragantino

no Brasileiro de 1991. Terminamos aquele ano com mais um Campeonato Paulista e

com 8 jogadores na Seleção brasileira.

1992 prometia, íamos disputar uma Copa chamada Libertadores e havia um projeto

chamado Tóquio. Mas começamos muito mal o Campeonato Brasileiro e Telê Santana escalou

o time com 8 reservas na estreia do torneio continental, numa sexta-feira contra o Crici√ļma. Lembro

que Jairo Lenzi acabou com o jogo e 3 ficou barato. Dois dias depois fomos goleados por 4 a 0 no Morumbi

pela SEP e o mundo queria a cabeça de Telê. Felizmente, os dirigentes da época seguraram a pressão

e o Eterno Mestre ficou.

No jogo seguinte, um jovem chamado Palhinha, não sentiu o efeito dos 4 mil metros de altitude e marcou

3 gols. No fim do giro boliviano, contra o Bolívar, Raí em cobrança de falta aos 35 do segundo tempo

nos deu mais um precioso ponto. No returno devolvemos com juros a goleada contra o Crici√ļma e garantimos

a classificação com um empate contra o San José e uma vitória contra o Bolívar.

Nas oitavas de final, enfrentamos o tradicional Nacional do Uruguai. Foi um jogo tenso, com Zetti expulso e

vencemos com gol de Eliv√©lton. Na volta os zagueiros Ant√īnio Carlos e Ronald√£o fizeram os gols da vit√≥ria

que selou a classificação. Vale destacar a participação do saudoso goleiro Alexandre, que em 2 jogos mostrou

segurança e não tomou gol.

Nas quartas um reencontro contra o Crici√ļma. Pressionamos o tempo inteiro e fomos premiados com

belo gol de Macedo no fim do jogo. Na volta, com o estádio  lotado contra, Raí fez o gol que nos

levou a semi. O juiz era Marcio Rezende de Freitas, corremos muito risco nesse jogo.

Encaramos o Barcelona do Equador e fizemos um primeiro tempo avassalador, gol gols de Muller, Palhinha e

Rinaldo. No segundo tempo perdemos a chance de aplicarmos uma goleada histórica. No Equador, o jogo

era difícil, mas controlado. Eu como tinha aula cedo, dormi. Minha mãe me sacudiu e avisou que

Zetti tomara um frango. Foi uma press√£o absurda mas escapamos, rumo a sonhada final.

Tenho poucas lembranças da derrota por 1 x 0 no jogo de ida em Rosário. Lembro que o pênalti dado

contra foi rid√≠culo. Alguns personagens do Newell’s old Boys fazem muito sucesso Tata Martino, Maur√≠cio Pochettino

e Marcelo Bielsa. Lembro do goleiro Scoponi e do zagueiro violento Gamboa.

No jogo da volta, no inesquecível 17/06/1992, véspera do meu aniversário, eu não pensava em presente, bolo, eu

só queria que o jogo tivesse o seu início. Lembro que o jogo passou no canal 11 OM/Gazeta, narração do Galvão Bueno,

coment√°rio do Avallone, numa tv Sharp de 20 polegadas com controle remoto. √Ās 18 hs, meu pai chegou do servi√ßo com

o Diário Popular e logo peguei a parte de esportes pra ler as notícias, a provável escalação.

Um jogo nervoso, catimbado, com v√°rios recuos de bola dos zagueiros para Scoponi fazer cera. Muller teve uma

atuação apagada e o time argentino levava perigo no contra ataque. Uma coisa engraçada na narração

era Galvão anunciar a todo momento que no sábado a emissora passaria a primeira parte do filme Calígula.

Aos 20 do 2¬į tempo , Tel√™ tira Muller e coloca o talism√£ Macedo. Em sua primeira jogada, um p√™nalti cavado. Ra√≠,

diante de uma enorme pressão, teve competência e venceu Scoponi. O jogo ficou arrastado e foi para os pênaltis.

Era perto da meia-noite e só havia ficado acordado até tarde para ver as corridas de F1 e as lutas do Mike Tyson.

Berrizo chutou na trave, Raí converteu, Zamora empatou, Ivan chutou com força e fez, Llop acertou com

categoria, Ronald√£o chutou em cima do goleiro, Mendoza, isolou, Cafu, acertou.

Faltava uma cobrança para cada. Era a hora do Zetti brilhar. Um goleiro que começou como promissor

e que teve a carreira dada como acabada ao quebrar a perna. Que ”pulou” o muro, chegou com desconfian√ßa

e virou o dono da meta com milagres e uma pitada de sorte.

Veio o lance mais importante da hist√≥ria do futebol¬†pra mim. Gamboa bateu …………Zetti!Zetti!Zetti!

Galvão começou a chorar, a torcida invadiu o gramado  e este que escreve acabava de receber o maior presente

de anivers√°rio da sua vida.

O polêmico filme Calígula teve sua transmissão proibida pela justiça, a OM/Gazeta virou CNT/Gazeta e hoje é Gazeta.

O Diário Popular é hoje Diário de SP. A Sharp do Brasil faliu.

Obrigado, presidente Pimenta, saudoso Marcio Aranha, Fernando Casal del Rey, Kalef Jo√£o Francisco, Alexandre, Cafu,

Ant√īnio Carlos, Ronaldo, Ivan, Sidnei, Su√©lio, Ad√≠lson, Pintado, Ra√≠ o terror do Morumbi, Palhinha, Eliv√©lton, Rinaldo,

o talismã Macedo, Catê, Ronaldo Luis, aos demais jogadores inscritos e integrantes da comissão técnica.

Um obrigado especial ao maior goleiro que vi jogar, Zetti e um obrigado ao MESTRE, ao MAIOR DE TODOS: TELÊ

SANTANA DA SILVA.

No dia 18 completarei mais um anivers√°rio e como em 1992 n√£o quero presente, nem bolo. Irei comemorar na nossa

Meca, na nossa casa sacrossanta, na arquibancada azul.

O SP precisa de mim, mas na verdade eu preciso ainda mais do SP .

Torcer para esse clube é acima de tudo uma demonstração de fé, acreditar no impossível.

S√£o Paulo Futebol Clube, eu te amo.

Rafael de Albuquerque

twitter: @rafa_sjc1930