Rogério Ceni está orgulhoso apesar do empate de ontem: 7 jogos na temporada, 4 vitórias, 2 empates e apenas 1 derrota.  17 gols feitos e 13 sofridos. O São Paulo de Ceni vem se mostrando conceitualmente rico: tem a posse e sabe o que fazer com ela. Ataca no campo rival, tem a bola e quer sempre mais gols. Por se expor tanto, busca o equilíbrio para traduzir nos resultados o desempenho em campo.

O Tricolor atua sempre no 4-1-4-1 com Ceni. A bola rola e o esquema “se desmancha”, prevalecendo os conceitos que Rogério foi buscar: triangulações, laterais sempre abertos, zagueiros construindo junto aos meias e ocupação inteligente do terreno adversário, com linhas avançadas, para tocar a bola perto do gol. É um time que não apenas propõe o jogo, mas dita o ritmo da partida e sempre se impõe. VEJA O VÍDEO:

No futebol (e na vida), é mais difícil criar do que destruir. E o São Paulo cria a todo momento, começando por Maicon e Rodrigo Caio, muitas vezes carregando e dando um passe mais vertical no campo de ataque. Cícero e Thiago Mendes recuam e dão apoio aos zagueiros na saída de bola, com Cueva e Luiz Araújo também se movimentando para construir as jogadas. Todos participam das triangulações do São Paulo: recebe, toca e infiltra. Difícil de marcar assim.

Esse volume de jogo faz o time pisar na área o tempo todo, construir chances, perder gols…e também se expor ao contra-ataque adversário. Aí entra o ponto no qual o Tricolor ainda busca o equilíbrio: aliar sua riqueza ofensiva a uma proteção maior de seu gol. E isso não significa que os zagueiros precisam ficar atrás, ou que falta um “volante de contenção”. Falta condições físicas e maior assimilação do “perde-pressiona”: perdeu a bola? Quem estiver mais próximo pressiona até o fim o adversário que recuperou ela.

Contra o São Bento, o time rival  recuperava e o São Paulo deixava a bola sair com tranquilidade, obrigando os zagueiros a fazer o movimento de pressão e cobertura. Assim nasceu o escanteio que abriu o placar e outras chances do adversário. Nada que não possa evoluir com a temporada e os treinamentos. Tanto que Rogério, ontem, corria na área técnica para mostrar como o “perde-pressiona” pode tornar o São Paulo mais equilibrado.

7 jogos são cedo para avaliar e o São Paulo tem margem de evolução. Se depender de Ceni, ele e os são-paulinos terão ainda mais motivos para estarem orgulhosos em 2017.

Leo Miranda