Ronnie Mancuzo - Sub

Reconstruir às cegas?

Cegos.

Cegos de uma cegueira cega que não vê futuro nem logo, nem breve, nem lá longe, nem enquanto respirarem do ar que envolve o Morumbi alguns dos nomes mais infelizes de nossa História.

História orgulhosamente registrada no Hino mais importante do país, que cita as glórias que vêm do passado, num absoluto ato de gratidão àqueles que um dia tornaram o São Paulo Futebol Clube apto a alcançar a singularidade que é hoje, a grandeza máxima do futebol nacional.

E √© de uma l√≥gica mordaz quando facilmente percebemos que os senhores que agem por si mesmos dizendo agirem pelo clube sequer conseguem cantar (isso se um dia cantaram) nosso Hino sem sentir um pingo de vergonha ou dela desviar, como fazem descaradamente em entrevistas e em tratos administrativos de uma gest√£o que se arrasta h√° anos e anos, elei√ß√Ķes e elei√ß√Ķes pilhando o clube.

Cegos.

Cegos para torcer por um time que em campo permanece em constante reconstrução, afinal de contas, quando não se tem um objetivo claro, a desculpa mais perfeita é a de que o que não existe ainda não está pronto.

Da cegueira de n√£o se enxergar um futuro, j√° que sequer √© planejado algum. De uma reconstru√ß√£o que de ‘re’ nada se tem, afinal de contas, os que hoje pegam em ferramentas para reconstruir sequer t√™m ideia do que um dia isso aqui foi.

Ou se fazem de cegos.

Ou a cegueira da gan√Ęncia humana faz com que ajam como peste que mata vagarosamente, sugando ao m√°ximo a energia da entidade, mantendo-a respirando como zumbi de sexta, oitava, d√©cima coloca√ß√£o de campeonatos, hora ou outra chegando em fases eliminat√≥rias de torneios t√£o desejados que um dia fizeram o clube ser ainda maior e mais forte.

Ficamos sem paz, sem tranquilidade para torcer e amar √†s claras, porque, para sermos plenamente felizes em tais circunst√Ęncias, precisamos ser cegos para os constantes acontecimentos vergonhosos de pessoas que sorriem ap√≥s milhares¬†chorarem de vergonha.

Ataíde sorrindo

Depois de deixarem explicitamente claro que entramos numa Libertadores para não vencer, podemos nos assombrar com o tipo de trabalho que é feito pela diretoria. Pode até ser que não tenhamos obrigação de vencer todos os campeonatos (torcedor pode pensar o contrário, claro), mas a passividade de tornar isso hábito, algo corriqueiro num clube como o São Paulo é algo dramático e assustador.

Na atual busca por um novo t√©cnico, temos como ambiente um lugar desfigurado, atormentado, insalubre. N√£o que antigamente t√≠nhamos monges flutuantes que por onde passavam nasciam flores e nossos chutes a gol iam na gaveta de todos os advers√°rios.¬†Por√©m, isso vez ou outra ‘acontecia’. Os monges flutuavam, o Morumbi tomava um brilho intenso e nosso time em campo voltava com trof√©us, conquistas e orgulhos.

As glórias citadas no Hino são referência à razão da construção do clube. Ele chegou onde está (ainda que por vezes sabotado) porque um dia planejaram isso. Pensaram nisso. Tinham como objetivo real o alcance da posição mais alta dentre os times do país.

Em campo surgiu harmonia com o que se tinha fora dele. Tudo trilhou caminho sadio, porque se respeitou a Entidade, sua História, seu Hino. Gratidão.

Hoje, o que querem aqueles que seguram as rédeas? Para onde pensam ir?

Tem horas que é tão clara a visão de que tais pessoas nada querem além do que já têm.

E reconstrução assim termina em escombros.

Quando se fala em incompetência, após verificar que ela é norma, se não extirpada, passa a ser dos superiores permissão para destruir. Ultrapassa os limites de incompetência e se torna usurpação desregrada, condescendente.

Quando se fala em reconstrução, quando não há planejamento algum para isso, quando sequer os construtores se importam com o que está/foi construído, temos desestruturação, inexistência de alicerce, barraco que despencará no primeiro sopro.

Não existe incompetência.

Não existe sequer reconstrução.

 

Ronnie Mancuzo – Sub