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O assunto do Blog é, em síntese, futebol. Precisamente, sobre o São Paulo Futebol Clube, nossa paixão.

Mas deixemos esse assunto um pouco de lado. Cedo o espaço ao “espírito do Natal”, como dizem. E nas próximas linhas proponho uma reflexão. Se quer ler sobre a bola, sugiro “pular” este espaço hoje. Peço desculpas, mas vocês já sabem: só acredito nas coisas que faço porque preciso. Já escrevi sobre aquela voz interior que grita com a gente sobre algo? Já né. Então…

Já discuti a teoria do “Solstício do Inverno” na minha juventude rebelde (que nem ficou tão longe assim). Já me embrenhei em debates acalorados com muita gente sobre o fato de Jesus, segundo registros históricos, possivelmente ter nascido em abril e não especificamente no dia 25 de dezembro. Sem contar nas discussões ferozes sobre religião, onde hoje vejo que todos têm razão por suas crenças, mas no mesmo tempo a perdem completamente ao brigarem por isso, dando luz a um estranho paradoxo: religião e divisão. Lembro aos incautos recorrentes da tese do “meu deus é melhor que seu”, que diabo vem da palavra grega “diabolo”, que significa divisor.

Pois vejam vocês que até já discuti sobre o fato de o Papai Noel – oriundo da figura de bom velhinho chamado Nicolau, um bispo que viveu na Turquia por volta de 300 d.C. e tinha bom coração, sempre ajudando os pobres e necessitados deixando saquinhos com moedas próximas às chaminés das casas – ter “nascido” de roupa verde, que depois ficou vermelha por força da propaganda eficaz da Coca-Cola.

Já levantei bandeira de que tudo isso não passa de uma convenção criada por capitalistas sanguinários e opressores cujo ofício é tragar o ” tão desaquinhoado estipêndio” (como disse minha primeira-dama Lady, no discurso de formatura da turma do 3º colégio, naquele dezembro de 1998) nosso de cada mês. Sim, tive crises agudas de “sabereta juvenil”, aquela doença do “eu sei tudo sobre isso porque eu já estudei completamente o assunto” e que “é tudo culpa do sistema” que insiste que a fórmula para a felicidade está na equação: prateleiras vazias + conta bancária bancária no vermelho x casa entulhada = sujeito feliz.

Sei que já quis impor ao “mundo” essa minha verdade. E goela a baixo, intolerantemente, com requintes de crueldade inclusive. Porque eu havia visto isso nos livros, ora bolas! (naquela época ainda não havia Google).

Contudo, desconsiderei aquele que talvez seja a maior invenção de Deus: o tempo. E trata-se de um fato estranho, outro paradoxo por assim dizer, afinal tempo é o que mais temos quando somos jovens e, quando jovens fazemos tantas bobagens… E ele, o tempo, tem um método bastante eficaz de transformação. Homeopaticamente, vai oferecendo a todos nós oportunidades e experiências que aguçam nosso discernimento e trazem o amadurecimento necessário para tratar de questões complexas e ao mesmo tempo simples, como a fé, por exemplo.

Tal amadurecimento me trouxe, além da fé, o discernimento de que o Natal – seja ele em dezembro ou abril – é uma dessas oportunidades que o tempo, criação de Deus (ou do universo, ou de Krishna, ou do Big Bang… Ok, você entendeu!) nos concede todos os anos, pelo menos. Já escrevi sobre isso ano passado. Torno a escrever: é uma oportunidade para a reconciliação sem impor condições. Para pai e filho que não se entenderam o ano todo. Para marido e mulher que não se toleram mais porque acham que o amor acabou. Para vizinhos que brigam por causa do lixo. Para irmãos que se desentenderam por causa da herança dos pais que se foram e eles não se deram conta de que são, uns para os outros, o único elo com o passado.

O que quero dizer é que todos esses têm, nessa data, uma boa desculpa para a reconciliação, um bom motivo para reconstruir a ponte através de um simples “Feliz Natal” sem se preocupar com a vaidade humana e o maldito orgulho de “dar o braço a torcer”, sem se preocupar em ser o “fraco”, o “perdedor da contenda” por dar o primeiro passo.

Tenho convicção de que essa é a minha verdade. Mas é só minha, sem querer impor a vocês. Se amanhã vocês chegarem à conclusão de que ela pode ser a verdade de vocês também, fiquem à vontade para tomarem posse disso. Mas peço que façam sem querer impor. Porque o mundo já impõe demais. Se alguém lhes perguntar sobre isso, digam o que pensam, tomando o cuidado para, em seguida, fazerem essa mesma ressalva que fiz acima. Deixem-no procurar a verdade dele. Melhor dizendo: deixe que o tempo se encarregue disso.

Agora vou contar o principal benefício que isso trouxe para mim: leveza! E encarar a vida com mais leveza não tem preço!

Afinal, pouco importa se a data de hoje é tudo o que é em razão do “Solstício de Inverno”, se Jesus nasceu em abril ou se o Papai Noel é verde ou vermelho quando celebramos o reencontro, a reconciliação, o perdão, o amor. E tudo isso na prática!

Abrace todos os seus e os ame desesperadamente! Construa ou reconstrua a ponte… Hoje e sempre!

Feliz Natal!