analise

A expectativa…

Embora desfalcado daquele que deveria ser o seu principal atacante, o SÃO PAULO jogaria em casa. Embora contasse com o apoio de seu torcedor, teria pela frente um adversário muito bem armado. A previsão era de um jogo difícil, em que a vitória teria importância transcendental para o time, que ultrapassa um dos piores momentos de sua história.

… E a realidade!

1º Tempo

O jogo começou com a torcida cantando, lindamente, o hino do clube. Alvissareiro? Veríamos, apesar de torcermos para ser. Só que a realidade é dura… Tanto que logo aos 2 minutos o Atlético/PR veio tocando pelo meio e João Paulo arriscou o chute de fora da área, com a bola passando à esquerda de ROGÉRIO CENI. Bola perigosa, que o goleiro tricolor só acompanhou.

O SÃO PAULO, compreendendo o momento, tentava acalmar a correria do Atlético tocando a bola com cuidado, sem no entanto abrir mão do ataque. Tanto que aos 6 JADSON cobrou falta perigosa pela esquerda, fazendo a bola quicar na frente do goleiro Weverton, que fez a defesa rebatendo a bola para o meio da área, sobrando para ALOÍSIO, porém não em condições de concluir. O centroavante então buscou a linha de fundo e cruzou, para a zaga afastar. O tricolor pegou o rebote e LUCAS, o EVANGELISTA, foi acionado na direita, fez fila em direção à linha de fundo e foi derrubado. Falta! Na cobrança, JADSON quase colocou a bola dentro do gol, com Weverton tirando de soco.

O SÃO PAULO, apesar do mau momento, não se intimidava e ia para o ataque, com um jogo até insinuante. Aos 10, OSVALDO foi acionado por JADSON pela esquerda e foi para cima de Manoel, cruzando para a área. ALOÍSIO matou e tentou virar, mas caiu. O apitador mandou seguir. O tricolor era só pressão. Aos 12 minutos o tricolor voltou ao ataque, o ritmo era alucinante e ALOÍSIO recebeu na entrada da área, mais para a direita, ajeitou e bateu forte, mas a bola desviou na zaga (incrível com isso tem acontecido!) e foi para escanteio.

O Atlético quis responder aos 14. João Paulo, de fora da área, tentou o chute por duas vezes, em ambas foi parado por WELLINGTON!

E o melhor futebol do SÃO PAULO foi premiado: aos 17, JADSON cobrou falta em direção a área, RODRIGO CAIO subiu e desviou de cabeça e tirou a bola do goleiro, fazendo-a repousar no fundo do gol! SÃO PAULO 1×0. ALOÍSIO, impedido, foi para a bola, mas não interferiu no lance. Gol legítimo!

O 1×0 era bom, muito bom, mas o SÃO PAULO queria mais. Aos 19, REINALDO recebeu bom passe pela direita e livre, avançou, entrou na área e, vendo OSVALDO marcado do outro lado, arriscou o chute, mas errou o alvo, mandando a bola longe do gol de Weverton.

Aos 20, o primeiro susto: bola mal recuada para ROGÉRIO CENI que, bem posicionado, se adiantou a Delatorre, chegou antes na bola e afastou o perigo. Dois minutos depois, Everton tentou jogada pela linha de fundo, pela direita da defesa tricolor e cruzou, para ninguém… Atrás no marcador, restava ao Atlético atacar, e ao SÃO PAULO, aproveitar os espaços dados pelo adversário. Como fez aos 25. FABRÍCIO foi lançado ainda no campo do SÃO PAULO, e em velocidade deixou a marcação para trás, partiu para cima da zaga e, de fora da área, mandou um petardo, que Weverton defendeu, rebatendo para a lateral.

E ROGÉRIO CENI fez o primeiro milagre da noite aos 27. Bola cruzada com muito veneno por Paulo Baier, pela direita. A bola resvalou na cabeça de Manoel e morreria no canto direito. Morreria, porque ROGÉRIO CENI voou e encaixou a bola, com muita segurança, não dando rebote!

Mas o Atlético, mais time, vinha para cima, pressionava. Aos 29, boa troca de passes do time da capital modelo e a bola chegou até Everton, pela direita da defesa, que tentou o chute, mas foi interceptado por CLEMENTE RODRÍGUEZ, que se jogou em cima da bola…

E aos 32 o apitador quis complicar. Marcou falta inexistente de FABRÍCIO em Pedro Botelho. Paulo Baier foi para a bola e mandou a bola na Giovanni Groncchi.

O SÃO PAULO lutava, se doava, mas errava na saída de bola e dava espaços ao Atlético e o jogo começava a ficar perigoso. O ritmo do time caiu bastante e aos 34, bola posta nas costas da zaga do SÃO PAULO, ROGÉRIO CENI saiu para afastar a bola, mas errou o tempo da bola e não conseguiu, ao menos não como gostaria, afastar o perigo. E, no lance, com a mão esquerda, atingiu o rosto de Marcelo.

Aí aos 36 o castigo. Tabela do Atlético e bola em velocidade para Marcelo, dentro da área. TOLÓI foi tentar cortar a bola como um caminhão desgovernado e cometeu o pênalti Pela atitude, inevitável. Pelo lance, indiscutível! Que fase… Que fase! Paulo Baier foi para a bola, chutou forte e no meio do gol. ROGÉRIO CENI tocou na bola, mas não foi o suficiente.1×1.

E o SÃO PAULO, como era de se esperar, sentiu o gol: TOLÓI errou passe na defesa e armou o contra-ataque do Atlético. Marcelo recebeu na esquerda e vendo ROGÉRIO CENI adiantado, tentou de fora da área, mandando a bola para longe.

Visivelmente nervosos, os jogadores do SÃO PAULO erravam passes, domínios de bola, posicionamento…

O ritmo do time caiu demais. E WELLINGTON tentando ser GANSO fazendo lançamentos para ninguém só piorava as coisas. Aliás, depois de um bom começo, o volante caiu muito de produção.

Aos 43, FABRÍCIO lançou OSVALDO no costado da zaga do Atlético. O camisa 17 avançou, ajeitou a bola e bateu forte, mas em cima do goleiro Weverton, que fez a defesa.

Até que, aos 47, o apitador colocou fim ao primeiro tempo. O SÃO PAULO teve 20 minutos de bom futebol, marcou o seu gol e recuou demais. O Atlético cresceu e, sabe-se lá se por competência própria ou pela crise horrorosa do tricolor, chegou ao gol de empate.

 

2º Tempo

O SÃO PAULO voltou para o segundo tempo com o mesmo time que terminou o primeiro. E com menos de 1 minuto de jogo, WELLINGTON deu uma entrada criminosa em Bruno Silva e levou amarelo. É…

Aos 4 minutos, OSVALDO foi lançado pela direita e, marcado por Pedro Botelho, caiu. Nada. Mas o apitador marcou falta. JADSON foi para a bola e cobrou no primeiro pau. RODRIGO CAIO fez o mergulho e desviou, fazendo a bola passar perto da trave esquerda de Weverson, com muito perigo.

O SÃO PAULO tentava resgatar a intensidade dos primeiros minutos do primeiro tempo, mas errava passes demais, principalmente no ataque.

E aos 7, FABRÍCIO fez bobagem. Cobrou falta cruzada na intermediária do SÃO PAULO e a bola parou no peito de Marcelo, que dominou, avançou e bateu forte, mas longe do gol de ROGÉRIO CENI. Incrível!

Aos 8, JADSON cobrou falta em jogada ensaiada com OSVALDO, que se deslocou dentro da grande área para receber. O atacante fez o passe com força, rasteiro, para dentro da área e a zaga afastou.

Embora não houvesse chances claras de gol, o jogo era lá e cá. Ao menos era lá, também, em vez só de cá. O tricolor jogava um pouco melhor, com uma atitude mais “proativa” no jogo. LUCAS EVANGELISTA, embora sob o habeas corpus preventivo pela juventude que tem, estava sumido no jogo e, quando aparecia, era para errar.

Aos 16, FABRÍCIO tentou o drible na intermediária do Atlético, foi desarmado e armou o contra-ataque do Atlético, que desceu pela direita tricolor com velocidade e Marcelo, próximo da risca da grande área, chutou forte e ROGÉRIO CENI caiu no canto direito para fazer a defesa, colocando para escanteio. Dois minutos mais tarde, GANSO foi para o jogo no lugar de FABRÍCIO.

E o Atlético foi ao ataque de novo, aos 18. Léo avançou pela esquerda da defesa tricolor e tocou para trás. E o bate-rebate estava estabelecido na área tricolor, quando a bola sobrou para ROGÉRIO CENI encaixar e acabar com a brincadeira.

Aos 20, AUTUORI mandou ADEMÍLSON para o jogo, no lugar de JADSON E a impressão que dava era que o SÃO PAULO, embora quisesse reagir, não tinha forças suficientes para. Psicologicamente o “score” de 17 jogos e apenas 1 vitória era uma muralha mental quase intransponível! Triste! L

E até o apitador atrapalhava. Literalmente. Aos 27, ADEMÍLSON fez jogada pela direita e passou para ALOÍSIO, no meio, na entrada da área. Bastante atrapalhado pelo posicionamento do apitador, foi desarmado pela defesa do Atlético. E tornou a ajudar aos 29. LUCAS EVANGELISTA tentou encobrir a marcação em jogada pela esquerda e Léo colocou a mão na bola, propositalmente e dentro da área. O atacante tricolor reclamou, mas o apitador não viu, ou fez que não. E desde então todo contato em que o jogador do Atlético fosse ao chão era designado falta para o time paranaense.

Aos 33, GANSO foi sofrendo falta atrás de falta mas mesmo assim conseguiu puxar um bom contra-ataque, passando para ADEMÍLSON. O pequenino avançou pela direita e cruzou rasteiro. Léo tentou interceptar e conseguiu, mas quase marcou um gol contra… A bola saiu se refestelando na rede, pelo lado de fora.  ADEMÍLSON estava endiabrado e dava muito trabalho para a defesa do Atlético. Aos 35, avançou sobre a marcação pela esquerda e foi parado com falta. Na cobrança, LUCAS EVANGELISTA cobrou com efeito, visando o segundo pau. RODRIGO CAIO entrava livre para o cabeceio, mas Manoel colocou para escanteio. Na cobrança, a zaga atleticana afastou.

Incrível como as coisas não aconteciam mais a favor do SÃO PAULO. Incrível!

Aos 38, ADEMÍLSON recebeu de RODRIGO CAIO, passou pela marcação e avançou para ALOÍSIO, que tentou devolver, mas errou o passe. Na sequência, Marcelo fez boa jogada pela direita e cruzou para o meio, Ederson dominou e chutou forte, para excelente defesa de ROGÉRIO CENI.

Aos 41, GANSO fez belo passe para OSVALDO na esquerda. O rápido atacante tricolor cruzou e a zaga furou. ADEMÍLSON dividiu com Weverton e quase marcou. O SÃO PAULO estava insatisfeito com o resultado e tentava de tudo, dava o que podia. Mas podia pouco. Não faltava vontade, não faltava raça. Entretanto, faltava tudo o mais.

ALOÍSIO, aos 45, recebeu na entrada da área, virou e bateu. A bola desviou na zaga e foi para fora.

Como a fase não ajudava, aos 47, foi a vez de Manoel quase acabar com o pouco que restou ao time do SÃO PAULO na noite. Na entrada da área, chutou rasteiro. A bola, perigosa, foi encaixada por ROGÉRIO CENI.

O time lutava, corria, se dedicava, mas o momento era mais forte que tudo.

E então o apitador colocou fim ao jogo, aos 49.

Quando tudo parece dar certo, o nervosismo dá as caras e coloca tudo a perder. A crise segue, vira um fantasma maior que o time neste momento. Aliás, muito maior. Mas não é maior que a história vitoriosa do clube. Aliás, nunca será!

Precisávamos demais da vitória hoje. Ela não veio. Se serve de consolo, ao menos a derrota não deu as caras. Pensando bem, pela péssima fase do time e por ter enfrentado um time muito mais arrumado e num outro momento, não foi tão ruim assim.

A esperança não é a última que morre, mas sim a única que sobrevive!

Por: Paulo Martins

NOTAS

ROGÉRIO CENI: Boas defesas. Foi providencial em alguns lances, apesar de se atrapalhar em uma saída de bola no primeiro tempo. Quase pegou o pênalti. Se tivesse pego, era capaz que a arbitragem tivesse mandado voltar. 7

CLEMENTE RODRIGUEZ: Um pouco acima de DOUGLAS. O que não é muito. 4

TOLÓI: Fazia boa partida até cometer um pênalti besta. Depois, nervoso, quase colocou tudo a perder errando passe na saída de bola. No fim, melhorou um pouco. 5

RODRIGO CAIO: O melhor da defesa. Senhor da zaga. Fez o gol que hoje poderia ter dado a vitória do time. 8

REINALDO: Mal no jogo de hoje. A carruagem virou abóbora? 3

WELLINGTON: Começou razoável, depois sumiu. O que será que aconteceu com ele? Desde aquele jogo contra o Atlético, pela primeira fase da Libertadores, não foi mais o mesmo jogador. 3

FABRÍCIO: Bem nos desarmes no início da partida, fez até bons lançamentos. Depois, foi sumindo até ser sacado. 5

JADSON: Fez algumas boas jogadas no primeiro tempo. No segundo, desapareceu. Outro que está abaixo do jogador que foi no ano passado. 5

LUCAS EVANGELISTA: Jovem, sumiu em campo. Normal. 3

OSVALDO: Longe, muito longe do jogador que já foi. Má fase interminável! 3

ALOÍSIO: Lutador. Não se omite, divide todas e faz o que pode. Mas como pode pouco… 5

[GANSO]: Deu mobilidade ao time e melhorou a saída de bola, com bons passes e bons contra-ataques. 6,5

[ADEMÍLSON]: Entrou bem no jogo e, endiabrado, deu trabalho para a marcação. Infelizmente, é um jogador com pouco poder de decisão e precisa evoluir caso queira ter futuro no SÃO PAULO. 5

PAULO AUTUORI: Faz o que pode com o que tem. Não se omite e dá a cara para bater, assumindo toda a responsabilidade. Mas a fase – maldita seja – está mais forte que tudo e, neste momento, está minando o seu trabalho. Com as alterações que fez, o time melhorou de produção, mas infelizmente a boa tricolor não entra. Paciência, paciência e paciência. 6

Por: Paulo Martins

 Bola+Cheia+Bola+Murcha 

BOLA CHEIA

  • O espírito de luta da equipe

BOLA MURCHA

  • A péssima fase, que – maldita seja – hoje é maior que o time.

Por: Paulo Martins

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