Coluna do Paulo Martins

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CARTA ABERTA AO TORCEDOR DO SÃO PAULO

Caro(a) torcedor(a) do SÃO PAULO,

Escrevi esta coluna três vezes. Em cada uma delas, tratei de um assunto diferente. Histórias, estórias… Mas estava estranho: olhava para elas e meu “feeling” apontava que nenhuma servia. Não que fossem de todo imprestáveis. Mas não era para ser. O dia de hoje demandava algo diferente.

Então apaguei sumariamente tudo. Porque eu só acredito nas coisas que faço pela necessidade, porque é preciso. Do contrário, para mim perde o sentido. Já desconfiava que tinha que escrever outro texto. E tive a confirmação maior ontem (01/08), depois de um telefonema a tarde, em que tratei deste assunto com uma amiga. That´s it! Era para me dirigir a vocês, meus iguais de três cores.

Os tempos atuais são difíceis, sem sombra de dúvidas. Talvez seja um dos piores – senão o pior – momento da história do clube: jejum de vitórias, o risco de rebaixamento, um horizonte de nebuloso panorama, piadas dos torcedores adversários (e se já bastam as deles, cessemos com as nossas. Fogo amigo, embora amigo, é fogo também), etc. Tudo isso é verdade!

Também é verdade que o SÃO PAULO de hoje está bastante distante do SÃO PAULO de outrora, o de vanguarda, altivo, auspicioso, organizado e vencedor. Está. Porque por natureza não é afeito a este tipo de situação e não ficará assim por muito tempo. É verdade também que o clube virou refém dos acertos, do êxito de quem o dirige. Estes, os diretores, foram contaminados pelo diabo do continuísmo construtor das mais pérfidas ditaduras, e mexeram céus e terras para se manterem no poder. O clube, num ambiente dinâmico e competitivo como o futebol, estagnou. A velha empáfia, que muitos dizem ser a síndrome do “eu sei, você não sabe”.  “Parou no tempo”, foi o diagnóstico de um dos maiores jogadores da história do SÃO PAULO. Opinião de quem vive a realidade do clube há décadas. Deveras relevante!

Do lado de cá, eu, vocês, nós todos. Uma torcida descontente, com a frustração elevada à décima potência, que acompanha quase impotente a derrocada – ainda que momentânea – do clube mais vencedor da história do futebol brasileiro.

Uma torcida que protesta! Oportuno citar a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1793, que em seu artigo 35 diz: “Quando o governo viola os direitos do povo, a insurreição é, para o povo e para cada parcela do povo, o mais sagrado dos direitos e o mais indispensável dos deveres”. Trazendo o texto para o contexto tricolor, resta incontroverso que protestar, demonstrar indignação, insurgir é legítimo, salutar, desde que com o devido respeito à instituição  e, principalmente, com lealdade aos fatos e à história. E é um dever, para que haja mudança, frutos.

Porém, como tudo na vida, há limites. Baderna, achincalhamento, falta de educação, desordem, ofensas pessoais, violência, tudo isso não cabe em lugar algum, é um meio para qual fim algum justifica. E é nosso dever também discernir o joio do trigo, a liberdade da libertinagem, o que constrói e o que destrói.

Não há contentamento ou felicidade alguma para com o momento, seja dentro ou fora de campo, atrás da mesa que decide, na arquibancada ou na poltrona que sofre. Nem resignação. Há, sim, um grupo de jogadores que vem lutando para sair do buraco. Há, sim, uma comissão técnica trabalhando, “queimando fosfato” para encontrar uma forma de montar o quebra-cabeça de modo que as peças se soldem umas às outras com perfeição e se sedimentem.

E esses sujeitos que vestem o nosso manto, que ostentam as três cores mais lindas do mundo são tudo o que temos neste momento, além da inabalável fé em dias melhores. Portanto, merecem o nosso respeito e, acima de tudo, o nosso apoio.  Hoje, meus iguais tricolores, o SÃO PAULO precisa de todos nós muito mais do que nós já precisamos dele um dia. Os tempos atuais exigem uma mudança de postura de nossa parte, como torcida. Exige que estejamos presentes! Exige que tenhamos sabedoria, discernimento, serenidade. Urge que saiamos do casulo do conformismo na negatividade, do “já caiu”, do “eu não disse que é ruim?!”, da crítica destrutiva; e que abracemos o time como nunca fizemos, como se não houvesse amanhã.

Urge que compreendamos que há um trabalho em curso e que, diferentemente do que boa parte da imprensa teima em afirmar (ultimamente, a isenção tem sido confundida com o apostolado do apocalipse!), há uma evolução acontecendo sim, degrau por degrau, tijolo por tijolo e que isso não é, em hipótese alguma, uma análise tendenciosa de torcedores. Que ao contrário do que digam,  o SÃO PAULO não é terra arrasada e que não adianta tentar plantar na grama fértil do Morumbi o que foi colhido nas searas dos outros clubes.

Protestemos contra o que está errado de fato, não daquilo que achamos estar, afinal de contas poucos sabem com precisão e detalhes o que acontece de verdade no dia-a-dia dos clubes.

A imprensa, por mais respeitável que seja — e em alguns casos não é! –, por motivos de proteção a integridade de suas fontes, conforme reza o código de ética pertinente em seu capítulo II, artigo 6º item VII, não possui obrigatoriedade de divulgar suas fontes, de modo que, felizmente ou infelizmente, a credibilidade do que é noticiado pode ser posto em xeque e portanto não deva ser encarado como dogma. Ainda mais quando, aparentemente por cegueira nostálgica, alguns críticos pareçam viver nos tempos de Pelé ou no fim da década de 90, quando alguns times brasileiros eram equivalentes, quando não superiores, aos europeus. Os tempos são outros, a nossa realidade, como SÃO PAULO, é outra. Cobrar uma vitória do SÃO PAULO contra o Bayern ou cobrar que faça um jogo equilibrado contra o time alemão é, hoje, uma prova cabal do disparate. Por isso a parcimônia com tudo o que se escuta e se lê. Discernimento!

Mas, acima de tudo, que abracemos aqueles que realmente podem fazer a diferença hoje. Que os 11 sejam cem, sejam mil… Que sejam milhões! Que joguemos junto com eles e eles por nós. Que soframos as demoras do imponderável juntos, mas não os abandonemos. Porque eles são, hoje, o SÃO PAULO. Eles, os 11, são todos nós.

Idis. Redibis. Non morieris in bello. Pro SÃO PAULO, fiant eximia ad aeternum.

Força, SÃO PAULO!

Por: Paulo Martins

52 comentários

  1. Quando você vê um narrador tão importante pra história do futebol nacional praticamente ‘torcer’ pra um determinado jogador ao invés de apoiar um time brasileiro de tanta grandeza como o Santos, você vê que o esporte está perdido neste país.

      • Legal… se houver mesmo um pouco de reflexão, vai melhorar muito o ambiente aqui, fazendo voltar antigos frequentadores, muitos amigos, excelentes tricolores…

  2. É…

    Seis a zero, né? Pois é.

    Segundo alguns com cegueira nostálgica na imprensa, tem que atacar, ir pra cima, se impor. É…

    Depois o SÃO PAULO é covarde, não jogou e o caramba. E ainda dizem que foi um massacre. Se foi massacre, o que foi esse Barcelona x Santos?

    Mais que os torcedores, alguns da própria imprensa precisam descer do pedestal, cair na realidade e encarar o fato de que os tempos são outros e que há pelo menos 10 anos nenhum time brasileiro é páreo para um grande europeu, salvo raras exceções, como o horroroso Chelsea que enfrentou o Corinthians no ano passado, no Mundial de Clubes.

    Aí a desculpa já estará pronta: o Bayern não forçou. Não… Imagina… O Robben dava piques alucinantes da sua intermediária para a intermediária do SÃO PAULO. Quanta vontade de escrever contra o tricolor… Meu Deus!

    É… Pois é!

  3. Leio alguns comentários aqui e penso se devo ficar chateado.
    Mas, prefiro não ver dessa forma.
    Posso não ser o dono dos comentários mais agradáveis, mas não me vejo tão desagradável porque o número de amigos que fiz neste espaço é muito grande.

  4. Como o Mauro Cezer falou na ESPN. “Nenhum clube erra tanto por tanto tempo e não é cobrado por isso lá na frente”. O São Paulo vem errando ano atrás de ano, e hoje está sendo cobrado por isso. Não sei se com rebaixamento, como a maioria dos outros, mas com uma crise sem precedentes.

  5. Até na pior fase de sua história o São Paulo é diferente.

    Jogamos com o time remendado contra o Bayern de Munique em plena Alemanha, sendo que o Bayern tinha goleado este mesmo Barcelona que enfiou 8×0 no Santos por 3×0 e 4×0.

    Qualquer outro time que estivesse numa fase ruim poderia ter perdido de 6, 7 ou 8, coisa que não aconteceu com o São Paulo que conseguiu segurar um 0x0 enquanto o Bayern jogava com o seu time principal em velocidade máxima e indo para cima.

    Perdemos de 2×0 que é um placar normalíssimo em qualquer jogo entre qualquer clube ou seleção do mundo.

    Falar que é bom ser são-paulino na fase boa é fácil, pois eu digo que é bom ser são-paulino até na fase ruim, ou em qualquer fase, só nós sabemos que somos diferenciados independente da fase.

    Belíssimo texto do Paulo Martins.

  6. E digo mais para os invejosos de plantão (Imprensa, adversários, etc).

    Mesmo na pior fase de sua história o São Paulo não vai cair por que é iluminado, ainda no 1º turno escaparemos das últimas posições.

    Faltam 8 jogos para terminar o 1º turno e no mínimo ganharemos 4 e empataremos 2, o que é suficiente para ficarmos entre o 13º e 11º lugar.

    Mas como acredito no São Paulo não duvido que ganharemos 6 e empataremos 2 pulando do 18º ou 19º ou mesmo 20º para o 9º lugar.

    Podem me cobrar.

    Fui….

  7. Que texto fodástico!!!
    Parabéns, mais uma vez, amigo Paulo!
    E sempre é hora de aprender e melhorar.
    Melhorar sempre.
    Tanto o São Paulo como seus torcedores.

    • Obrigado, Diego!

      Escrever é sempre um desafio. E fica monumental quando tenho pela frente leitores tão qualificados como os do blog. Agradeço por prestigiar a minha coluna e pelos elogios.

      Abraço!

  8. Lucas Filipe Inacio disse:
    2 de agosto de 2013 às 18:41 (Editar)
    Pra cima deles Neymar..

    Impressionante a torcida do Galvão.
    —————————————————-
    Nessa hora me deu nojo extremo dele.
    Ponha-se no lugar do torcedor santista…
    Aí, tipo, jogamos contra o PSG e o Galvão grita descabeladamente: “Pra cima deles, Lucas!”
    Enquanto o São Paulo leva uma surra.
    Olha… se se importassem tanto com o futebol nacional, estariam tentando achar respostas para a atual situação.
    Não é só o Santos.. não é só o São Paulo.
    Pode colocar o time que for lá.
    São vários em péssima fase. Talvez não o Galo.. o Corinthians está um pouco melhor.
    Mas, ver Palmeiras na Série B, Santos goleado assim, São Paulo nessa crise…
    E o que a gente ouve?
    _Pra cima deles, Neymar!

    • é pra acabar mesmo.
      é como dizem por ae, brasileiro não tem cultura e sim folclore

      por isso estamos vendo esse tipo de atitude na imprensa esportiva, isso é apenas a ponta do iceberg da falta de educação, e vergonha na cara de nós brasileiros, e o mais triste de tudo isso é que a coisa só está piorando cada vez mais.

  9. Sub disse:
     2 de agosto de 2013 às 19:13

    Nessa hora me deu nojo extremo dele.
    Ponha-se no lugar do torcedor santista…
    Aí, tipo, jogamos contra o PSG e o Galvão grita descabeladamente: “Pra cima deles, Lucas!”
    Enquanto o São Paulo leva uma surra.
    Olha… se se importassem tanto com o futebol nacional, estariam tentando achar respostas para a atual situação.
    Não é só o Santos.. não é só o São Paulo.
    Pode colocar o time que for lá.
    São vários em péssima fase. Talvez não o Galo.. o Corinthians está um pouco melhor.
    Mas, ver Palmeiras na Série B, Santos goleado assim, São Paulo nessa crise…
    E o que a gente ouve?
    _Pra cima deles, Neymar!
    ===================================================

    Essa postura do Galvão é de dar asia em porco!

    Faz tempo que está assim, o que é lamentável. Se for por preferência pessoal, menos mal, mas ainda ruim. Se for por motivos promocionais, financeiros, comerciais, aí seria o fim da picada.

    O que eu não duvido.

    • Com certeza é por motivos comerciais. O galvão é garoto propaganda da globo, sempre foi e sempre será.
      Infelizmente, o lucro, o capital, fala acima de tudo. A questão não é o futebol, não são os times brasileiros, o que importa para a globo é neymar com a camisa da seleção brasileira. Isso pra produzir marketing, alienação, ufanismo.

  10. vejo 3 graves problemas que não deixa os clubes brasileiros evoluirem em todos os aspectos

    1 – o nosso próprio país: a corrupção ea impunidade que enraizou em cada quanto do país, estimula a informalidade, a pirataria e a roubalheira generalizada que está acontecendo no brasil, com isso a falta de investimento em educação e cultura gerando os Drs. Osmar, Neto e chico lang da vida na imprensa esportiva, sendo agraciados por um povo manipulado e levando a bovinização coletiva.

    2 – CBF : o orgão máximo do nosso futebol, que deveria ajudar e defender os interesses dos clubes brasileiros, melhorando o nosso calendário ou pelo menos adaptando ele ao calendário mundial, mas não, faz o oposto fazendo conchavos com politicos corruptos, federações com dirigentes mais corruptos ainda e se aliando com os dirigentes amadores e inescrupulosos que usam o amor de seus torcedores pra roubar e fazer lavagens de dinheiro.
    Faz vista grossa pra tudo isso, as vezes até usa isso a seu favor pra conseguir seus objetivos, se aproveitando do primeiro fator.

    3- Rede Globo: A maior emissora e unica detentora dos direitos de TV aberta, internet, tv fechada do país, se aproveita dos dois primeiros fatores pra chantagear os dirigentes amadores e politicos corruptos pra conseguir seus objetivos que é dominar e ter controle do futebol brasileiro (sem contar o resto)
    Paga o que lhe interessa aos clubes, transmiti os jogos dos clubes que lhe convém, e ainda por cima exige que os clubes peça sua “benção” pra tudo oq for fazer até mesmo um amistoso fora do país tem que ter sua licença.
    Com isso freia ou inibi a evolução dos clubes em todas as áreas.

  11. Cara, sua coluna é brilhante……. eu São paulino que sou, fico com orgulho de torcedores como vc, fico chateado de não morar mais em São Paulo, eu iria em todo jogo para demonstrar todo o meu amor por este clube que sempre me deu orgulho, agora moro no Paraná e não tenho mais como ir no morumba o que é uma baita dor no coração……. agora, como vc disse, é hora de apoiar !!!!!

  12. Paulo, por volta das 19 horas mais ou menos escutei na radio estadão o marco aurélio cunha garantindo ao jornalista que o entrevistava que já tinha o minimo de 55 assinaturas do conselho vitalicio para formular uma chapa, isso procede? E é claro, parabéns pelo texto.

  13. Rodriguinho gastando a bola no America MG desde 2011, e agora, enfim notaram o cara…Vários times da série A com interesse, até quem não precisa, como o Inter… Estão na briga tbm o Santos, Grêmio e Flamengo…E o SPFC??? naaaadaaaaaa….mesmo sendo essa uma das poucas opções plausíveis para esse campeonato….Difícil entender…

  14. Muito bom o texto!
    Realmente é um grande teste para o torcedor. Com o elenco limitado, a diretoria muito negligente, o grande desafio da torcida é saber que a alma do clube é muito maior do que este elenco, do que esta diretoria, e continuar a dar força nos momentos dificeis, bem como pensar numa reestruturação pertinente e organizada.

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